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Espécie ameaçada pode ser ‘devorada até a extinção’, aponta estudo

Demanda por ‘carne de luxo’ por parte de humanos com maior poder aquisitivo está colocando esses animais em grave risco de extinção

Bichos|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudo revela que 13 mil lêmures são caçados anualmente para "consumo de luxo".
  • Mais de 90% das 112 espécies de lêmures estão ameaçadas, com riscos adicionais devido à demanda por sua carne.
  • A pesquisa em Madagascar, realizada entre 2022 e 2025, constatou comércio clandestino da carne, apesar da proibição de caça há 60 anos.
  • Cientistas recomendam leis mais rigorosas e campanhas para desestimular o consumo, além de alternativas de renda para caçadores.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Cerca de 13 mil lêmures são caçados e consumidos anualmente Guerrero De la Luz/Pexels

Uma espécie de primata pode desaparecer do planeta por virar alimento “gourmet” entre os humanos. Um estudo mostra que cerca de 13 mil lêmures são caçados e consumidos anualmente. A demanda por essa “carne de luxo” por parte de habitantes urbanos com maior poder aquisitivo está colocando esses animais em grave risco de extinção.

Conhecidos por suas caudas felpudas e olhos expressivos, os lêmures já estão entre as espécies mais ameaçadas do planeta. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), mais de 90% das 112 espécies de lêmures enfrentam risco de extinção. A perda de habitat, a exploração ilegal de madeira e a caça já contribuíam para a diminuição de suas populações, mas o recém-descoberto apetite por sua carne introduziu um perigo adicional.


Um estudo realizado ao longo de quatro anos (2022–2025) em Madagascar revelou a demanda clandestina por carne de lêmure no país, apesar de uma proibição de caça que já dura 60 anos. A pesquisa, que entrevistou 2.600 pessoas em 17 cidades, incluindo atores-chave na cadeia de suprimentos como caçadores, compradores, vendedores e funcionários de restaurantes, constatou que quase 13 mil lêmures são caçados e consumidos anualmente.

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Em mais de um terço das cidades pesquisadas, a carne de lêmure estava presente nos cardápios, embora a maior parte do comércio (94,5%) ocorra de maneira oculta, entre fornecedores e uma “clientela confiável”.


Os pesquisadores identificaram que o comércio é impulsionado pelo lucro, com consumidores dispostos a pagar um valor mais alto pela carne de lêmure em comparação a carnes de animais criados de forma tradicional, além de acreditarem em supostos benefícios à saúde.

“Eu como porque acredito que isso te mantém jovem. É o que as pessoas dizem em segredo, que te mantém jovem por causa do que eles comem”, afirmou um consumidor ouvido no estudo. Outro descreveu a carne de lêmure como a “comida mais deliciosa” já provada. “Uma vez que você prova, não quer mais parar”, disse.


Lêmures marrons, classificados como “vulneráveis”, e lêmures de colarinho, considerados “criticamente ameaçados”, são os mais consumidos, com uma “clientela abastada” impulsionando a demanda. Os cientistas alertam que a situação exige mais do que esforços de conservação convencionais, destacando a necessidade de “uma estratégia abrangente e baseada em dados”. “Os mamíferos mais ameaçados do mundo podem ser levados à extinção pelo consumo”, afirmaram.

Para a recuperação dos lêmures, os pesquisadores sugerem a implementação de leis mais estritas contra armas de fogo ilegais, usadas na caça aos lêmures, e o lançamento de campanhas para diminuir o interesse pela carne do animal, argumentando que a preocupação com a segurança alimentar, como o risco de doenças zoonóticas, poderia desestimular o consumo. Eles também propõem interromper o fornecimento, oferecendo aos caçadores alternativas de renda viáveis.


O estudo foi publicado na Conservation Letters, da Sociedade para a Biologia da Conservação (Society for Conservation Biology).

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