Sabor enganação: embalagem igual, produto diferente e qualidade comprometida
Indústria altera fórmula de alimentos e quem paga duas vezes é o consumidor: no bolso e na saúde
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
De vários anos para cá, sempre que vou ao supermercado, penso que estou em um campo de guerra, onde é necessário blindar a carteira, além de tomar muito cuidado para não pisar em nenhuma mina terrestre e explodir o orçamento. Hoje, porém, o campo está mais minado do que nunca.
Não se trata mais de levar uma lista e comparar preços, pois, além de fugirmos de várias estratégias comerciais que tentam nos fazer gastar mais do que o necessário, agora temos de ler atentamente os rótulos dos produtos, principalmente dos alimentos.
Isso porque não estamos mais comprando as mesmas coisas de antes, embora as embalagens e rótulos continuem praticamente os mesmos.
Ao manter a aparência de sempre, a indústria faz com que várias alterações nos produtos passem despercebidas, como diminuição do volume, mudanças na formulação e substituição de ingredientes, que se tornaram cada vez mais comuns.
Quais são os motivos das alterações?
O objetivo principal é reduzir os custos de produção sem provocar uma rejeição imediata do consumidor. A questão é que essa redução de custo não aparece no preço final e nem nos índices de inflação.
Uma vez que o preço não sobe (ou sobe pouco), mas a quantidade e qualidade do produto diminuem, a inflação é substituída pela reduflação, que é o nome que se dá a essas alterações quase imperceptíveis.

Mas, ainda que as mudanças sejam silenciosas e não sejam vistas nos números oficiais, os impactos são reais. Do ponto de vista financeiro, o efeito é duplo. Primeiro pela queda na relação custo-benefício, em que se paga o mesmo (ou mais) por um produto inferior.
E, segundo, pelo impacto indireto no consumo, afinal, produtos menos nutritivos ou menos satisfatórios tendem a gerar menor saciedade e consumo em maior quantidade.
Já o impacto na saúde veremos ao longo do tempo, pois as consequências nutricionais com uma maior ingestão de sódio, açúcar e gorduras de baixa qualidade podem não ser notadas imediatamente.
O papel da legislação brasileira
No Brasil, essas estratégias não são ilegais. O que a legislação considera como prática ilegal é a falta de comunicação clara nos rótulos e embalagens.
Se os ingredientes estiverem corretamente informados no rótulo e não houver propaganda enganosa direta, não há qualquer ilegalidade. Na prática, isso significa que a indústria pode mudar a fórmula, desde que declare a alteração, ainda que em letras pequenas. Não há qualquer obrigação de destacar as substituições de forma evidente na embalagem, a não ser a diminuição de volume.
Diante disso, cabe a nós, consumidores, irmos às compras com calma, lermos as embalagens e rótulos e ficarmos ainda mais atentos.
Isso custa tempo, não há dúvida, porém, não ler o que estamos comprando significa abrir mão do controle sobre o próprio consumo e aceitar pagar por algo que pode não atender mais às nossas expectativas.














