Saiba qual é o erro número 1 do empreendedor brasileiro
Empreender no Brasil é matar um leão por dia, mas cometer este erro coloca tudo a perder

Quando soube que Bete, uma cabeleireira muito competente, estava abrindo um salão próprio depois de trabalhar por vinte anos numa famosa rede de beleza, logo fui prestigiá-la. Chegando lá, um cachorro ocupava todo o sofá da sala de espera e, na poltrona ao lado, havia uma coleira, um osso roído e o cobertor de bebê mais encardido que já vi na vida, mas que, olhando bem, dava indícios de um dia ter sido azul.
Enquanto eu considerava se era possível que a “naninha” do cachorro voltasse à cor original com percarbonato de sódio e água quente, uma senhora gritou com os olhos arregalados: “Não mexe nisso que ele avança! Se quiser sentar, eu chamo a Bete para afastar o cachorro.” Antes que eu respondesse, ela tornou a gritar: “Bete! Ô, Beeeee-teeeee! Vem aqui que a mulher quer sentaaaar!”
Foi a primeira vez que vi a Bete de cara lavada, despenteada e sem o uniforme impecável. Secando as mãos num avental manchado de tintura de cabelo, Bete disse que eu “nem precisava sentar” porque a manicure já iria me chamar. “Ela só foi no banheiro fazer um ‘xixizinho’. Lá no meio da realeza, a gente não podia falar banheiro, era toalete... E ‘xixizinho’, então? Não podia nem falar o que a gente ia fazer! Mas aqui eu posso tudo, aqui mando eu!”
A história de Bete é real (embora o nome não seja), e ilustra um dos grandes erros de muitos empreendedores ao tocar o próprio negócio: esquecer que regras existem por um motivo. Sem elas, qualquer profissional, por mais competente e bem-intencionado que seja, pode colocar tudo a perder.
Bete dizia estar “liberta dos vinte anos de escravidão”, e que nunca mais “perderia tempo” fazendo cabelo e maquiagem todo santo dia: “Acabou a ‘frescuraiada’ na minha vida. A-ca-bou!”
Infelizmente, o que acabou foi o sonho de ter seu próprio espaço, pois, em questão de poucos meses, Bete destruiu a reputação que levou vinte anos para construir. Ela realmente era uma ótima cabeleireira, mas isso se tornou irrelevante diante da péssima experiência a que ela submetia suas (agora ex-) clientes.
Muitos empreendedores cometem o mesmo erro: estudar, se capacitar e obedecer regras para trabalhar na empresa dos outros, mas abandonar tudo isso quando passam a trabalhar no que é seu. Curiosamente, o temor de perder um emprego parece ser muito maior do que o de perder o próprio negócio.
Antes de empreender, é fundamental entender que todo amadorismo é fatal e que só sobrevive aquele que dá o melhor de si, pois não se trata mais de ser mandado embora por um único patrão, mas sim, de ser demitido por todos os clientes.














