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Patricia Lages

Saiba qual é o erro número 1 do empreendedor brasileiro

Empreender no Brasil é matar um leão por dia, mas cometer este erro coloca tudo a perder

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Não cumprir regras básicas pode fazer qualquer profissional, por mais competente que seja, ser demitido por todos os seus clientes Imagem criada por IA

Quando soube que Bete, uma cabeleireira muito competente, estava abrindo um salão próprio depois de trabalhar por vinte anos numa famosa rede de beleza, logo fui prestigiá-la. Chegando lá, um cachorro ocupava todo o sofá da sala de espera e, na poltrona ao lado, havia uma coleira, um osso roído e o cobertor de bebê mais encardido que já vi na vida, mas que, olhando bem, dava indícios de um dia ter sido azul.

Enquanto eu considerava se era possível que a “naninha” do cachorro voltasse à cor original com percarbonato de sódio e água quente, uma senhora gritou com os olhos arregalados: “Não mexe nisso que ele avança! Se quiser sentar, eu chamo a Bete para afastar o cachorro.” Antes que eu respondesse, ela tornou a gritar: “Bete! Ô, Beeeee-teeeee! Vem aqui que a mulher quer sentaaaar!”


Foi a primeira vez que vi a Bete de cara lavada, despenteada e sem o uniforme impecável. Secando as mãos num avental manchado de tintura de cabelo, Bete disse que eu “nem precisava sentar” porque a manicure já iria me chamar. “Ela só foi no banheiro fazer um ‘xixizinho’. Lá no meio da realeza, a gente não podia falar banheiro, era toalete... E ‘xixizinho’, então? Não podia nem falar o que a gente ia fazer! Mas aqui eu posso tudo, aqui mando eu!”

A história de Bete é real (embora o nome não seja), e ilustra um dos grandes erros de muitos empreendedores ao tocar o próprio negócio: esquecer que regras existem por um motivo. Sem elas, qualquer profissional, por mais competente e bem-intencionado que seja, pode colocar tudo a perder.


Bete dizia estar “liberta dos vinte anos de escravidão”, e que nunca mais “perderia tempo” fazendo cabelo e maquiagem todo santo dia: “Acabou a ‘frescuraiada’ na minha vida. A-ca-bou!”

Infelizmente, o que acabou foi o sonho de ter seu próprio espaço, pois, em questão de poucos meses, Bete destruiu a reputação que levou vinte anos para construir. Ela realmente era uma ótima cabeleireira, mas isso se tornou irrelevante diante da péssima experiência a que ela submetia suas (agora ex-) clientes.


Muitos empreendedores cometem o mesmo erro: estudar, se capacitar e obedecer regras para trabalhar na empresa dos outros, mas abandonar tudo isso quando passam a trabalhar no que é seu. Curiosamente, o temor de perder um emprego parece ser muito maior do que o de perder o próprio negócio.

Antes de empreender, é fundamental entender que todo amadorismo é fatal e que só sobrevive aquele que dá o melhor de si, pois não se trata mais de ser mandado embora por um único patrão, mas sim, de ser demitido por todos os clientes.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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