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Patricia Lages

Geração X: a geração que sustenta pais, filhos, netos e empresas

Entre pais idosos, filhos adultos e conflitos no trabalho, os nascidos entre 1965 e 1980 carregam o peso de sete gerações

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Nunca tantas gerações conviveram ao mesmo tempo, e cada uma delas foi moldada por contextos históricos muito diferentes. Esta é possivelmente a primeira vez que sete gerações coexistem simultaneamente de forma identificável e socialmente ativa.


  1. Geração silenciosa (nascidos entre 1928 e 1945)
  2. Baby boomers (1946–1964)
  3. Geração X (1965–1980)
  4. Geração Y ou millennials (1981–1996)
  5. Geração Z ou zoomers (1997–2012)
  6. Geração Alfa (2013–2024)
  7. Geração Beta (a partir de 2025)

A partir dos millennials surge uma ruptura cultural clara entre gerações que antes conviviam com bem menos diferenças. Atualmente, muito se fala sobre a geração Z e suas fragilidades emocionais e dificuldades no mercado de trabalho. Porém, quem está no olho do furacão é a geração X, cercada de responsabilidades por todos os lados.

É a geração que está atualmente à frente das empresas, administrando conflitos entre gerações totalmente diferentes: a sua, os millennials e os zoomers.


Com os millennials, o convívio costuma ser relativamente tranquilo, mas o desafio surge em relação aos zoomers, que tendem a questionar hierarquia, horários e prazos – aspectos extremamente importantes para os X – ao mesmo tempo em que esperam validação e reconhecimento constantes, mesmo com baixa produtividade e pouco resultado prático.

Conflitos que chegam aos tribunais

Esse choque geracional no trabalho já chegou à Justiça, com causas trabalhistas que, para qualquer pessoa da geração X, seriam inimagináveis anos atrás.


Em decisões da Justiça do Trabalho em São Paulo, tribunais já confirmaram punições a funcionários que entraram com ações por terem sido demitidos ou advertidos por usarem o celular durante o expediente, entendendo que a restrição é regra legítima de produtividade.

Porém, a 4ª Vara do Trabalho de João Pessoa (PB) condenou uma empresa a indenizar em R$ 30 mil um trabalhador que alegou ter se machucado ao cair da cadeira enquanto trabalhava em casa.


Casos assim, além de ilustrar o tipo de conflito que muitos gestores passaram a enfrentar, também dão uma dimensão das pressões enfrentadas por empresas que precisam arcar com custos de ações trabalhistas, muitas vezes movidas por pessoas que se consideram vítimas de tudo e de todos (e que, às vezes, contam com a Justiça para reforçar a ideia).

O xis da questão em uma engrenagem familiar complexa

Como vimos, a geração X é o motor que mantém uma estrutura familiar complexa em funcionamento. Via de regra, essa geração não recebeu ajuda dos pais que, por sua vez, não tiveram que sustentar seus avós. Hoje, porém, os X são responsáveis tanto pelos pais idosos – com suas aposentadorias insuficientes – quanto pelos filhos e netos, que também dependem de ajuda financeira.

No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um em cada três jovens da geração Z ainda mora com os pais, sendo que 15% dos jovens entre 18 e 24 anos estavam desempregados. Além disso, o número de adultos de 25 a 34 anos vivendo na casa dos pais cresceu 137% entre 2012 e 2022, recebendo o nome de “geração canguru”.

Diante disso, convém recorrermos à antiga anedota de “cuidar da vaca”. Uma vez que é ela quem fornece o leite que sustenta a todos, gastar todos os seus recursos de maneira que ela fique sem pasto suficiente e sem os cuidados necessários, cedo ou tarde comprometerá sua produção, deixando todos os demais à míngua.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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