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Patricia Lages

O QI do brasileiro está em queda e por que isso importa (muito) a todos nós

Mais telas, mais superficialidade e um sistema educacional que não acompanha a demanda mundial

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A educação no Brasil enfrenta uma crise que é considerada um projeto, prejudicando o desenvolvimento cognitivo dos alunos.
  • O modelo de ensino baseado em ciclos permite que estudantes avancem sem a devida alfabetização, resultando em mais da metade das crianças mal preparadas para o 3º ano.
  • Estudos indicam que o QI dos brasileiros está em declínio, situado entre 83 e 87 pontos, abaixo da média mundial de 100 pontos.
  • Essa situação evidencia a dificuldade de aprendizado dos estudantes, colocando em risco sua preparação para um mundo globalizado e competitivo.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Qual será o futuro de alunos com mais dificuldades de aprendizado e de quem se exige cada vez menos nas escolas? Tomaz Silva/Agência Brasil

“A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto”. A frase, cunhada pelo antropólogo, historiador e escritor Darcy Ribeiro, se mostra a cada dia mais real.

O avanço da tecnologia ampliou o acesso à informação como nunca antes. No entanto, a maior parte do conteúdo disponível no ambiente digital é rasa e fragmentada, como o drive-thru de uma rede de fast-food: consumo rápido, altamente palatável, mas sem nutrientes. E, pior, contribuindo para o declínio da saúde cognitiva no longo prazo.


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Soma-se a essa superficialidade a preocupante realidade da educação no país, que, por sua vez, utiliza um modelo de ensino que desestimula o aluno a desenvolver excelência.

Com a implementação dos ciclos, o critério de avanço para os anos seguintes deixou de ser estritamente o domínio do conhecimento, pois a reprovação não ocorre mais ao fim de cada ano, mas apenas no encerramento de um ciclo.


No ciclo de alfabetização (do 1º ao 3º ano), o aluno pode avançar do 1º para o 2º ano mesmo sem saber ler e escrever. Na teoria, esse aluno teria mais tempo para consolidar esse aprendizado até o fim do ciclo.

Mas, na prática, segundo dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), de 2023, mais da metade das crianças (50,7%) do 2º ano não estavam adequadamente alfabetizadas.


Mesmo assim, elas serão promovidas ao 3º ano e, dependendo da instituição de ensino, poderão continuar avançando – mesmo sem saber ler e escrever – para os anos seguintes.

O modelo de ciclos tem objetivos nobres, teoricamente, como reduzir a reprovação precoce, evitar a evasão escolar e respeitar os diferentes ritmos de aprendizagem. Porém, de acordo com o SAEB, 65% dos alunos concluem o ensino fundamental sem o aprendizado adequado em língua portuguesa.


Isso demonstra claramente que, mesmo com mais tempo para aprender, a maioria dos alunos não desenvolve o conhecimento fundamental para ler e escrever adequadamente em seu próprio idioma.

QI dos brasileiros abaixo da média mundial

O QI, ou Quociente de Inteligência, é uma medida padronizada mundialmente que busca estimar habilidades cognitivas como raciocínio lógico, memória, capacidade verbal e resolução de problemas.

Embora não seja consenso absoluto como métrica de inteligência, o QI ainda é amplamente utilizado em pesquisas e comparações populacionais.

Dentro desse parâmetro, há indícios consistentes de declínio da inteligência em diferentes países nas últimas décadas, incluindo o Brasil.

Segundo estudos amplamente divulgados, como os de Richard Lynn e Tatu Vanhanen, enquanto a média mundial é de 100 pontos, o QI dos brasileiros foi estimado em torno de 83 a 87 pontos. Ou seja, na melhor das hipóteses, estaríamos 13 pontos abaixo da referência.

Essa diferença não se trata apenas de um número que pode ser ignorado, mas do fato de que pessoas com um QI mais baixo têm mais dificuldade de aprender. Elas precisarão de mais esforço próprio, mais estímulos e a aplicação de diferentes métodos de ensino para chegarem ao mesmo patamar de quem tem uma pontuação mais alta. Mas não é nada disso que a educação brasileira oferece.

Qual será o futuro de alunos com mais dificuldades de aprendizado e de quem se exige cada vez menos nas escolas?

Não é difícil chegar à resposta mais provável. Difícil mesmo será sobreviver em um mundo globalizado — no qual se compete, literalmente, com quem está do outro lado do mundo —, sem estar devidamente preparado.

O Brasil precisa deixar de ser um país que despreza o conhecimento e acredita que tudo se resolve com distribuição de migalhas em forma de “benefícios”.

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