Por que pessoas inteligentes cometem erros idiotas?
Livro mostra que inteligência elevada não é sinônimo de evitar erros, ao contrário, pode aumentar a probabilidade deles
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Certamente você já testemunhou pessoas com inteligência acima da média, carreiras brilhantes e vasta educação cometendo erros “idiotas”. Talvez você mesmo seja uma dessas pessoas (eu certamente sou!).
Aliás, quando recebi o resultado do meu teste de QI apontando 133 pontos, questionei o método, pois meu primeiro pensamento foi: se eu realmente tivesse essa inteligência, não faria tanta coisa estúpida! Mas foi no livro “Por que pessoas inteligentes cometem erros idiotas?”, do jornalista científico David Robson (Ed. Sextante), que entendi que inteligência cognitiva é diferente de racionalidade.
A obra desafia a noção comum de que a inteligência é uma armadura contra a tolice, revelando que, ao contrário do que pensamos, ela pode aumentar a probabilidade de cometer erros que podem chocar até pessoas menos instruídas.
O ponto central de Robson é que enquanto a inteligência cognitiva mede capacidade de raciocínio, memória e aprendizado, a racionalidade diz respeito à habilidade de pensar de forma crítica, probabilística e autocorretiva. Por isso, é possível ser extremamente inteligente e, ainda assim, tomar más decisões de forma recorrente.
Um dos principais fatores é o viés de confirmação. Pessoas inteligentes tendem a ser mais eficazes em defender suas crenças buscando argumentos que as confirmem, descartando evidências contrárias. Ou seja, em vez de buscar a verdade, muitos usam sua capacidade intelectual para construir narrativas sofisticadas que justificam suas escolhas equivocadas.
Outro elemento recorrente é o excesso de confiança. Profissionais mais qualificados costumam superestimar sua capacidade de previsão, minimizar riscos e acreditar que são menos suscetíveis a erros do que os outros. Essa falsa sensação de controle é bastante perigosa em decisões financeiras, estratégicas e políticas.
O autor também destaca o papel das emoções e do contexto social, mostrando que a inteligência não é capaz de neutralizar medo, vaidade, pressão por status ou desejo de pertencimento. Em situações de estresse ou competição, o pensamento racional dá espaço a decisões impulsivas.
Além disso, pessoas inteligentes tendem a aprender menos com os próprios erros, por terem mais dificuldade em admitir falhas e até, em alguns casos, insistirem no erro para preservar sua autoimagem.
Robson aponta um antídoto simples contra erros “idiotas”, mas não tão fácil de ser praticado: desenvolver a humildade intelectual. Para isso, é preciso reconhecer limites, revisar crenças, não ignorar as probabilidades e aprender a lidar e aceitar críticas. Essas são habilidades mais determinantes para boas decisões do que o quociente de inteligência.
A verdade é que, no mundo real, pensar melhor vale mais do que pensar rápido. O livro é interessantíssimo e muito bem embasado (com mais de 50 páginas de notas e bibliografia), uma ótima leitura para começar o ano.














