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Dia da Esfiha: receitas e tradição do prato que atravessou o mundo e conquistou o Brasil

Originalmente, a esfiha era chamada de “sfiha”, um pão fino coberto com carne moída, tomate, cebola, especiarias, e, às vezes, pinoles

Aprendiz de Cozinheira|Aline SordiliOpens in new window

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Esfihas abertas com recheio variado e massa fininha

Poucos pratos têm uma história tão rica e atravessam tantas culturas quanto a esfiha. Essa delícia, que se originou no Oriente Médio, percorreu o mundo e foi sendo adaptada em cada região por onde passou. No Brasil, a esfiha é um ícone da culinária árabe e síria, popularizada por restaurantes e redes de fast food, mas sua história vai muito além da versão que conhecemos por aqui.

Esfirra ou esfiha (em árabe: صفيحة sfīḥah) é uma pequena torta assada originária da Síria e do Líbano. Pode ser encontrada em outros países do Oriente Médio, como Jordânia, Palestina e Iraque. No Brasil e Argentina, foi levada por imigrantes sírios e libaneses e se tornou extremamente popular. Existem diversas receitas de esfiha. A forma tradicional sempre é feita com massa de pão, assada no forno, com recheios que podem ser de carne bovina, carne de carneiro, queijo, coalhada ou verduras temperadas.

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Sua origem vem da antiga região do Levante, que compreende parte da atual Síria, Líbano e Palestina, onde esse prato começou a ser preparado por povos que já dominavam o uso do trigo para fazer pães.

A esfiha foi desenvolvida por volta do século XV, em plena era do Império Otomano, quando as rotas de comércio do Oriente Médio estavam no auge, conectando diversas culturas e permitindo o intercâmbio de ingredientes e técnicas culinárias.

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Naquela época, o pão era a base da alimentação. A ideia de assar carnes e temperos sobre a massa surgiu como uma forma prática de alimentar as famílias. A carne de cordeiro, abundante na região, era o principal ingrediente e era temperada com ervas locais e especiarias que chegavam pelas rotas comerciais.

Os fornos comunitários, comuns em vilarejos, também desempenharam um papel importante no desenvolvimento da esfiha. As famílias levavam suas massas e recheios até esses fornos para assar grandes quantidades de pães de uma só vez, o que favoreceu a disseminação de receitas e variações regionais.

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Formato de esfiha turca

Com o tempo, a esfiha se diversificou em diferentes formas e sabores. Na Síria, a versão fechada é muito popular, enquanto no Líbano predomina a esfiha aberta, que lembra uma pequena pizza. Na Turquia, existe uma variação chamada “lahmacun”, que é ainda mais fina e crocante, com uma cobertura de carne mais leve e também temperada com ervas.

Em países como a Palestina e a Jordânia, variações incluem coberturas como zaatar (mistura de ervas) e queijo. Cada região tem sua própria versão e vemos que ela pode até mudar a forma, recheio, modo de preparo, mas a essência é a mesma.

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Foi com a imigração árabe no final do século XIX e início do século XX que a esfiha chegou ao Brasil. Sírios e libaneses que se instalaram em cidades como São Paulo trouxeram suas tradições culinárias. A esfiha também ganhou o seu dia exclusivo: 9 de setembro é comemorado o Dia da Esfiha.

Essa iguaria rapidamente se tornou um sucesso. Inicialmente, as esfihas eram vendidas em pequenas padarias e mercearias de bairros, mas foi na década de 1980 que elas ganharam escala, quando redes de fast food árabe, como o Habib’s, ajudaram a popularizar a esfiha como um alimento acessível e de fácil consumo.

No Brasil, a esfiha passou por adaptações ao gosto local. Além da tradicional esfiha de carne, surgiram versões com frango, queijo, calabresa e até mesmo opções doces, como a esfiha de chocolate. A massa também foi adaptada, tornando-se mais espessa e macia do que a versão original, e as esfihas fechadas passaram a competir em popularidade com as abertas.

O futuro da esfiha parece promissor. Com o crescimento das redes árabes e o aumento da popularidade da culinária do Oriente Médio, é provável que novas variações continuem a surgir. E para comemorar o Dia da Esfiha, convido você a conhecer essas receitas para fazer em casa. Selecionei duas receitas de família, uma da minha irmã Helena (@eueascriancas) com massa integral e outra da minha Tia Rosa, mini esfihas com uma massa bem fininha e uma ótima memória afetiva.

RECEITAS DE ESFIHA

Esfiha com massa integral da Helena

Ingredientes

Massa:

  • 1 xícara (chá) de leite morno
  • 50 g de fermento biológico fresco
  • 1 colher (chá) de açúcar
  • 1 colher (chá) de sal
  • ½ xícara (chá) de óleo
  • ½ kg de farinha de trigo

Recheio

  • ½ kg de carne moída (patinho)
  • 3 tomates maduros sem pele e sem sementes picados
  • 1 cebola picada
  • Suco de 1 limão
  • 1 colher (sopa) de tahine
  • ½ xícara (chá) de cebolinha picada
  • 1 colher (sopa) de sal
  • 1 colher (chá) de pimenta síria

Modo de preparo:

Esfiha de massa integra

Massa: dissolva o açúcar, o sal e o fermento no leite morno. Acrescente o óleo e a farinha de trigo aos poucos, mexendo sempre, até que obtenha uma massa lisa e que não grude nas mãos. Deixe descansar por 30 minutos.

Recheio: esprema a cebola para tirar o excesso de água. Coloque em uma tigela, acrescente a carne, o tomate, a cebola, o suco de limão, o tahine, a cebolinha, o sal, a pimenta síria e misture.

Montagem: abra a massa, corte com um aro redondo e coloque uma porção do recheio. Arrume as esfihas em uma assadeira polvilhada com farinha de trigo e leve para assar no forno pré-aquecido (200ºC) por aproximadamente 20 minutos.

A receita original diz que dá 30 porções para a aberta. Na fechada, rende um pouco menos. A massa fica firme para trabalhar e um pouco oleosa, mas depois de assada fica bem crocante e fininha. Pode variar também colocando metade farinha branca e metade farinha integral.

Mini esfihas da Tia Rosa

Ingredientes

Massa:

  • 90 gramas de fermento biológico
  • 2 ovos
  • 2 colheres de manteiga sem sal
  • 2 colheres de banha
  • sal a gosto
  • 2 copos de leite morno
  • Farinha até obter a massa macia (cerca de 1kg sendo colocado aos poucos)

Recheio (temperar de um dia para o outro):

  • 1,2 kg de carne moida
  • 2 limões
  • 1 cebola bem picada
  • 3 dentes de alho amassados
  • 1 maço de folhas de hortelã picadinho
  • Sal a gosto

Modo de fazer

Mini esfihas da Tia Rosa para serem assadas

Recheio: junte tudo menos o sal e deixei na geladeira de um dia para o outro. Acrescentei o sal só na hora de rechear.

Massa: em uma vasilha grande, coloque o fermento, acrescente o sal e misture até dissolver. Adicione os ovos batidos, a manteiga e o leite (que por estar morno vai ajudar a amolecer a manteiga). Depois, acrescente a farinha aos poucos e vá mexendo. A massa não fica lisinha, mas desgruda bem da mão. Deixe descansar por uma hora em vasilha tampada. Cresce bastante.

Abra a massa até ficar bem fininha em superfície em farinhada. Corte em quadradinhos, coloque os recheios e feche como uma trouxinha. Asse em forno alto, pré-aquecido, até dourar.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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