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Cúrcuma em cápsulas pode trazer riscos ao fígado? Entenda o alerta da Anvisa

Especialista alerta que suplementos com altas doses de curcumina podem representar risco para algumas pessoas

Como Ser Saudável|Renata GarofanoOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Anvisa emitiu alerta sobre riscos ao fígado associados ao uso de suplementos de curcumina.
  • Casos de hepatotoxicidade foram observados principalmente em produtos com extratos concentrados.
  • O consumo culinário da cúrcuma é considerado seguro, diferentemente dos suplementos em altas doses.
  • Avaliação profissional é fundamental antes de iniciar qualquer suplementação para evitar riscos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A diferença entre o tempero e o suplemento: cápsulas de cúrcuma podem ter concentração muito maior da substância ativa. InteligênciaArtificial/Chat

Muito conhecida por suas propriedades anti-inflamatórias, a curcumina — substância ativa da cúrcuma, também chamada de açafrão-da-terra — ganhou popularidade nos últimos anos e passou a ser consumida em forma de suplementos. Mas especialistas alertam: o fato de ser natural não significa que esteja livre de riscos.

Recentemente, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) emitiu um alerta sobre casos raros de inflamação e lesões no fígado associados ao uso de suplementos com cúrcuma ou curcumina. Segundo a agência, o problema tem sido observado principalmente em produtos com extratos concentrados da substância.


O problema não é o tempero

O alerta não significa que a cúrcuma usada na culinária tenha deixado de ser segura. De acordo com especialistas, a diferença está na dose e na concentração.

“Quando a cúrcuma é utilizada na alimentação, a quantidade de curcumina ingerida costuma ser baixa e a absorção pelo organismo é limitada. Já nos suplementos, as doses são muito mais altas e frequentemente associadas a substâncias que aumentam a absorção da curcumina, elevando sua concentração no sangue”, explica o nutricionista Lucas Neuburg.


Por isso, os casos de toxicidade relatados em estudos estão ligados principalmente ao uso de suplementos concentrados, e não ao consumo tradicional do tempero na comida.

Quando o fígado pode ser afetado

O fígado é responsável por metabolizar substâncias que entram no organismo. “Em situações de alta concentração, a curcumina pode gerar sobrecarga no órgão e provocar um quadro conhecido como hepatotoxicidade induzida por substâncias, que pode levar à inflamação das células hepáticas", explica Reinaldo Martins, endocrinologista e médico especialista em metabolismo e performance.


“Esse tipo de reação é considerado raro, mas pode acontecer principalmente quando há uso de doses elevadas ou quando o organismo apresenta alguma sensibilidade específica”, completa o médico.

Quem precisa ter mais cuidado

Alguns grupos devem redobrar a atenção antes de iniciar o uso de suplementos de curcumina. O endocrinologista Reinaldo Martins cita quais são:


  • pessoas com doenças hepáticas, como gordura no fígado;
  • quem utiliza medicamentos de uso contínuo, que podem interagir com a substância;
  • indivíduos com problemas na vesícula biliar;
  • idosos, que costumam metabolizar substâncias de forma mais lenta.

Nesses casos, a avaliação profissional é fundamental antes de iniciar qualquer suplementação.

Atenção à automedicação

De acordo com o nutricionista Lucas Neuburg, um dos maiores riscos está na autossuplementação. Apesar da popularidade de produtos naturais, suplementos concentrados não devem ser utilizados sem orientação.

“A cúrcuma continua sendo um alimento seguro e tradicional na culinária. O alerta da Anvisa serve principalmente para reforçar que suplementos concentrados não são equivalentes ao consumo alimentar e devem ser utilizados com orientação profissional”, destaca o especialista.

Além disso, antes de iniciar o uso de qualquer suplemento, é importante verificar possíveis interações com medicamentos, respeitar as doses recomendadas e considerar o perfil de saúde de cada pessoa.

Natural também exige cuidado

O crescimento do mercado de suplementos mostra que cada vez mais pessoas buscam alternativas naturais para melhorar a saúde. No entanto, o nutricionista reforça que natural não significa necessariamente seguro em qualquer dose.

No caso da cúrcuma, o consumo culinário continua sendo considerado seguro. Já o uso de cápsulas ou extratos concentrados deve ser tratado como uma intervenção nutricional ou terapêutica, que precisa de orientação profissional para evitar riscos desnecessários.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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