Infarto antes dos 40: caso envolvendo marido de Jojo Todynho levanta alerta médico
Mudanças no estilo de vida e o uso de anabolizantes estão entre os fatores que podem aumentar o risco de infarto em pessoas jovens

A repercussão recente envolvendo o marido da cantora Jojo Todynho trouxe à tona um tema que preocupa cada vez mais os médicos: o aumento de infartos em pessoas jovens.
Durante muito tempo, o infarto foi visto como um problema típico de pessoas mais velhas. Mas esse cenário vem mudando. Hoje, cardiologistas observam com mais frequência casos em pacientes com menos de 40 anos — e muitas vezes em pessoas aparentemente saudáveis.
“A incidência de infarto em jovens tem aumentado em razão de uma transição epidemiológica, na qual fatores de risco clássicos, como sedentarismo, má alimentação e obesidade, estão se manifestando cada vez mais cedo”, explica Louis Nakayama Ohe, Cardiologista e Chefe da Hemodinâmica do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.
Ele também destaca que fatores contemporâneos têm agravado esse cenário. “O estresse crônico e o uso de novos dispositivos, como os cigarros eletrônicos, também contribuem para processos de inflamação vascular precoce”, afirma.
O papel do estilo de vida
A boa notícia é que muitos desses riscos podem ser evitados.
“A prevenção passa pelo reconhecimento e detecção desses fatores de risco, pelo tratamento adequado quando necessário e, principalmente, por mudanças no estilo de vida”, explica o especialista.
Entre as medidas mais importantes estão alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e abandono do tabagismo.
Anabolizantes podem provocar infarto?
Outra preocupação crescente entre os cardiologistas é o uso de anabolizantes — muitas vezes associado à busca por um corpo mais forte ou melhor desempenho físico.
“O uso de anabolizantes pode provocar infarto mesmo em pessoas que aparentam excelente forma física”, alerta o doutor Louis Nakayama Ohe.
Isso acontece por diferentes mecanismos no organismo. Um deles envolve alterações importantes no colesterol: “Há uma redução significativa do HDL, o colesterol ‘bom’, e aumento do LDL, o colesterol ‘ruim’. Isso acelera a formação de placas de gordura nas artérias, processo conhecido como aterosclerose”, explica o doutor.
Além disso, essas substâncias também alteram o próprio comportamento do sangue. “Elas podem aumentar a viscosidade do sangue e favorecer a formação de coágulos capazes de bloquear as artérias coronárias”, afirma.
Outro fator preocupante é o chamado vasoespasmo coronariano: “Os anabolizantes podem provocar a contração súbita das artérias do coração, interrompendo o fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco”, diz o cardiologista.
Sinais de alerta do coração
Em alguns casos, o corpo começa a dar sinais de que o sistema cardiovascular já está sendo afetado.
“Palpitações causadas por arritmias, cansaço desproporcional ao esforço, inchaço nos pés e tornozelos e elevação da pressão arterial são sinais que precisam ser investigados”, alerta o especialista.
Quando o músculo do coração cresce de forma perigosa
Os anabolizantes também podem provocar mudanças estruturais no coração.
“O coração é um músculo e também sofre hipertrofia sob o efeito dessas substâncias. Mas, ao contrário do que acontece no músculo esquelético, essa hipertrofia cardíaca é patológica”, explica Louis.
Com o tempo, o músculo cardíaco pode se tornar espesso e rígido, prejudicando sua capacidade de relaxamento.
Além disso, a desorganização das fibras musculares aumenta o risco de arritmias graves e até de morte súbita.
O alerta da cardiologia
Para quem considera o uso dessas substâncias por motivos estéticos, o recado dos especialistas é direto.
“O ganho pode ser temporário, mas o dano pode ser permanente”, alerta o cardiologista.
Ele reforça que buscar um atalho estético pode custar caro para a saúde.
“A saúde cardiovascular é a base de qualquer desempenho físico sustentável”, conclui.
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