Torresmo substitui colágeno? Especialista revela a verdade por trás da tendência
Alimento viralizou como alternativa natural, mas tem limitações importantes para a saúde e o ganho de massa
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Se você já viu alguém dizer que torresmo pode substituir suplemento de colágeno, saiba que essa história tem um fundo de verdade — mas está longe de ser tão simples quanto parece.
Afinal, o torresmo é feito da pele do porco, uma estrutura naturalmente rica em colágeno. Em média, 100 gramas do alimento podem ter entre 20 e 30 gramas de proteína, grande parte composta por essa proteína estrutural. Além disso, também há presença de gelatina, que nada mais é do que o colágeno parcialmente quebrado.
Mas é justamente aí que começa o ponto de atenção.
Apesar da quantidade de proteína, o torresmo não é considerado uma fonte de alto valor biológico. “Ele é pobre em aminoácidos essenciais — como leucina, isoleucina, valina e triptofano — fundamentais para a construção muscular", explica o nutrólogo Vitor Fernandes Lucas. “Ele tem proteína, mas não substitui carne, ovos ou whey quando o objetivo é ganho de massa”, completa o doutor.
Outro ponto importante é entender como o corpo utiliza o colágeno. Independentemente da fonte — seja torresmo, gelatina ou suplemento —, essa proteína é quebrada durante a digestão e transformada em aminoácidos antes de ser absorvida. Ou seja: o organismo não aproveita o colágeno “pronto”.
Isso não significa que os suplementos são inúteis, mas também derruba a ideia de efeitos milagrosos. “Existe um exagero nas promessas. O colágeno pode trazer benefícios modestos para a pele, articulações e tendões, mas não faz milagre — principalmente se a alimentação não estiver adequada”, destaca o especialista.
Inclusive, em termos práticos, outras fontes de proteína de qualidade — como frango, ovos, peixe ou whey — podem cumprir melhor o papel de manter a saúde e a composição corporal.
O uso do colágeno pode fazer mais sentido em situações específicas, como em casos de lesões de tendões e ligamentos. Nesses cenários, estudos apontam benefício com a ingestão de colágeno associada à vitamina C antes do treino.
Por outro lado, o consumo frequente de torresmo acende um alerta importante.
O alimento é rico em gordura saturada, calórico e pode conter compostos prejudiciais formados durante a fritura. O consumo frequente pode estar associado a:
- aumento do colesterol LDL
- inflamação metabólica
- piora do perfil lipídico
- maior risco cardiovascular
“Dentro de uma dieta equilibrada, consumir de 30 a 50 gramas ocasionalmente não costuma ser problema. Mas ele não deve ser tratado como fonte diária de proteína”, orienta o nutrólogo.
No fim das contas, a resposta é clara: o torresmo até tem colágeno, mas está longe de ser uma alternativa saudável ou eficiente aos suplementos — e muito menos à alimentação equilibrada.
“90% do resultado vêm da base: ingestão adequada de proteínas, bons micronutrientes, treino e sono. Suplemento é complemento, não solução”, finaliza o doutor Vitor Fernandes Lucas.
O torresmo pode até conter colágeno e proteína — e, em alguns casos, em quantidades relevantes. Mas isso não o transforma em uma alternativa saudável ou equivalente a suplementos e fontes proteicas de qualidade.
No fim das contas, a lógica é simples: nem modismos nem soluções milagrosas substituem uma alimentação equilibrada.
✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp














