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Ugly Fashion: quando o saco de lixo vira grife e custa milhares de reais

O luxo contemporâneo transforma o comum em desejo e nos faz questionar se pagamos pela estética ou pelo conceito

Luxo em cena|Fernanda ComoraOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Feitos de itens comuns, como sacolas de lixo e uniformes, a Ugly Fashion transforma o banal em luxo.
  • Marcas como Balenciaga e Vetements desafiam a estética tradicional, promovendo a ideia de que o imperfeito também pode ser desejável.
  • O conceito de luxo agora envolve provocação, questão de status e pertencimento, em vez de apenas beleza inquestionável.
  • A evolução da moda contemporânea levanta questionamentos sobre o que realmente estamos comprando: produtos ou ideias?

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Ugly Fashion: quando o saco de lixo vira grife e custa milhares de reais Imagem gerada pelo ChatGPT

Uma sacola amarela. Simples. Cotidiana. Quase invisível aos olhos mais apressados. Mas, agora, elevada ao status de objeto de desejo por uma grife de luxo e com preço que ultrapassa milhares de reais.

Parece absurdo? Talvez. Inédito? Nem um pouco.


A Balenciaga já havia causado impacto ao lançar uma bolsa inspirada em um saco de lixo, vendida por cerca de US$ 1.800 (mais de R$ 9 mil). Em outro momento, recriou a icônica sacola azul da IKEA, transformando um item comum em símbolo de exclusividade.

Roupa feita com sacolas plásticas Reprodução/Instagram @anna_lukyanova

O que está por trás disso tem nome: Ugly Fashion. Uma tendência que desafia o conceito tradicional de beleza e redefine o próprio significado de luxo.


O luxo que provoca, diferente do luxo clássico associado à perfeição, sofisticação e acabamento impecável, o Ugly Fashion aposta no oposto, no estranho, no imperfeito, no banal, no desconfortável e, principalmente, no impacto.

A Vetements foi uma das pioneiras ao levar para as passarelas uma camiseta inspirada no uniforme da DHL vendida por cerca de € 250 (mais de R$ 1,3 mil).


A mensagem era clara: o comum também pode ser luxo, desde que carregue uma ideia. A Golden Goose levou esse conceito ainda mais longe ao criar tênis com aparência de usados, sujos e desgastados, vendidos entre R$ 3 mil e R$ 8 mil.

Tênis sujo com desenhos feitos com caneta Reprodução/Instagram @goldengoose

Não se trata de defeito. Trata-se de narrativa.


Outras marcas seguiram o mesmo caminho. Desconstrução, exagero e escassez. A Maison Margiela transformou roupas “inacabadas” em expressão artística. A Gucci apostou no chamado “brega chic”, misturando estampas e exageros.

E a Yeezy apresentou coleções com estética de desgaste e tons apagados, remetendo à escassez.

Até o improvável ganhou espaço: colaborações entre Balenciaga e Crocs transformaram um dos calçados mais funcionais do mercado em item de luxo.

Mas, afinal… o que estamos comprando?

Diante desse cenário, a discussão vai além da moda. O que está sendo vendido não é apenas um produto, é uma ideia. Pertencimento, provocação, discurso e status.

O luxo deixa de ser apenas admirado e passa a ser questionado.

O luxo já foi sinônimo de beleza indiscutível. Hoje, ele desafia, provoca e até confunde. Uma sacola pode custar milhares. Um tênis “sujo” pode ser objeto de desejo. E o comum pode se tornar extraordinário desde que esteja na vitrine certa.

Mas, no fim, a pergunta permanece: você acha que vale quanto custa?

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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