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Como uma cobra que come 3 vezes o próprio peso pode ser a arma secreta na luta contra a obesidade

Após grandes refeições, pítons produzem uma substância que “desliga” a fome — e a ciência agora investiga seu potencial em humanos

Obesidade sem Tabu|Mariana VerdelhoOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Pesquisadores descobriram a molécula pTOS no sangue de pítons que pode ajudar no tratamento da obesidade.
  • A pTOS reduz a fome ao agir diretamente no hipotálamo, o que pode levar à perda de peso.
  • A substância também é encontrada em humanos, mas em níveis muito mais baixos.
  • Ainda são necessários muitos estudos antes de aplicar a pTOS em tratamentos humanos para obesidade.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O que faz a píton parar de comer pode ajudar a tratar a obesidade Inteligência artificial/ChatGPT

Uma cobra que pode passar meses sem comer — e, quando se alimenta, consegue devorar uma presa até três vezes maior que o próprio corpo — pode ajudar a ciência a avançar no tratamento da obesidade. Pode parecer curioso, mas foi justamente esse comportamento extremo das pítons que levou pesquisadores a uma descoberta promissora.

Cientistas identificaram uma molécula no sangue dessas serpentes, chamada pTOS, que aumenta de forma impressionante após uma grande refeição — chegando a crescer mais de mil vezes. O dado mais relevante veio depois: quando essa substância foi testada em camundongos obesos, os animais passaram a comer menos e perder peso, em um efeito semelhante ao observado com medicamentos conhecidos como as canetas emagrecedoras. O estudo foi publicado na revista científica Nature Metabolism.


Diferente de muitos tratamentos atuais, que atuam principalmente no sistema digestivo, a pTOS parece agir diretamente no cérebro, mais especificamente no hipotálamo, região responsável por regular a fome e o comportamento alimentar. Na prática, isso significa que a molécula pode ajudar o organismo a reduzir a ingestão de alimentos, um dos principais desafios no tratamento da obesidade.

Outro ponto importante é que essa substância não existe apenas nas pítons. A pTOS também está presente no corpo humano, embora em níveis muito mais baixos. Esse detalhe chama a atenção dos pesquisadores porque indica que estamos diante de uma via metabólica que já faz parte do nosso organismo, o que pode facilitar futuras aplicações. Ainda assim, estudos mostram que algumas pessoas apresentam respostas diferentes, com aumentos mais expressivos dessa molécula após a alimentação.


Apesar dos resultados animadores, ainda é cedo para falar em um novo medicamento. Os testes foram realizados em animais, e são necessários muitos estudos antes de qualquer aplicação em humanos. Mas a descoberta reforça um caminho já conhecido na ciência: o de observar mecanismos presentes na natureza para desenvolver tratamentos. Foi assim, por exemplo, com medicamentos atuais para obesidade, inspirados em substâncias encontradas em animais.

Isso não significa que uma nova solução esteja pronta, mas mostra que a ciência continua avançando na busca por formas mais eficazes de tratar a obesidade — uma doença complexa, que envolve muito mais do que força de vontade. E, às vezes, as respostas podem surgir de onde menos se espera, até mesmo do metabolismo de uma cobra.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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