No meio cultural pernambucano, morte de Campos é comparada à de Suassuna
“Ariano era seu conselheiro”, diz escritor que conheceu o ex-governador ainda menino

A morte de Eduardo Campos foi um segundo choque no meio cultural pernambucano, que ainda não havia se recuperado plenamente do luto por Ariano Suassuna, morto no último dia 23. “É um dia de muita tristeza para todos do estado. Liberamos os funcionários, que choram sem parar desde que souberam da notícia”, afirma Paulo Braz, gerente geral do Parque do Frevo. A programação de shows prevista para hoje, quinta e domingo foi suspensa.
Braz relaciona projetos como a reestruturação do Recife Antigo entre as medidas importantes da gestão de Campos, que governou o estado entre 2007 e 2014 — afastou-se do cargo apenas para dar início à campanha presidencial. “Graças a Eduardo Campos, temos um museu de alta tecnologia”, diz ele, referindo-se ao Cais do Sertão, inaugurado em abril. Instalado no Armazém 10 do porto, conta com exposição permanente sobre o Rio São Francisco e a obra completa de Luiz Gonzaga. “A morte dele deixa um buraco muito grande na produção cultural que sempre incentivou.”
Entre a diretoria do Galo da Madrugada, bloco de Carnaval que sempre contava com a presença do ex-governador, foi impossível falar da tragédia hoje sem que lágrimas viessem à tona. “Não caiu a ficha ainda, sabe?”, comentou Guilherme Menezes, diretor de marketing da agremiação. “Estamos todos incrédulos, independentemente de a pessoa ser eleitora dele. Sempre foi um homem que não fazia distinção de classe: tratava bem o miserável ou o milionário.” Entre os projetos culturais de destaque da gestão Campos, Menezes lista a consolidação de polos de Carnaval em outras cidades do estado, sobretudo o de Bezerros, cidade localizada a 107 quilômetros da capital.
Cláudio Aguiar, escritor e presidente do PEN Clube do Brasil, conheceu Campos desde menino — estudou com seu pai, Maximiano. Segundo ele, Suassuna era um apoiador do projeto político de Eduardo. “Ariano era um conselheiro para ele. Os laços vinham desde os tempos de seu avô, Miguel Arraes".
