'Aquaman' acerta no protagonista e mostra que herói é, sim, divertido
Novo filme da DC estreia nesta quinta-feira (13) e traz visual deslumbrante, boas cenas de ação e conta história de origem interessante
Cinema|Giovanna Orlando, do R7

A história de que o Aquaman não é o herói mais interessante da Liga da Justiça e não é tão poderoso assim pode morrer de vez com o novo filme do personagem. O longa, que estreia nesta quinta-feira (13), é recheado de ação, mostra uma versão mais carismática do protagonista e muda o rumo dos filmes da DC.
Nos filmes antecessores, Zack Snyder (diretor de Homem de Aço, Batman VS Superman e Liga da Justiça) apostou nas sombras e em uma paleta de cores mais fria, um roteiro dramático e pouco humor. Esse cenário já tinha mudado nas mãos de Patty Jenkins, diretora do ótimo Mulher-Maravilha. Com ela, a produção ganhou humor, cores mais quentes e roteiro mais leve, deixando com que o espectador se conectasse com as personagens.
Em Aquaman, os efeitos especiais são presentes o tempo todo. Na Atlântida de James Wan, diretor de Jogos Mortais, tudo brilha. Os cenários deslumbrantes mostram segredos da civilização perdida, cercada de tecnologia e que ainda segue as velhas tradições. O problema está em como os efeitos especiais são usados o tempo todo, até em cenários que não tinham necessidade, e a sensação de que tudo no filme foi feito com o uso de uma tela verde.
O roteiro também muda um pouco a direção dos filmes da DC: ganha mais humor e conta uma história bem delineada. Ao longo de 2 horas e 20 minutos, conhecemos a história de Arthur Curry (Jason Momoa); como ele é o resultado do amor inesperado de Tom Curry (Temuera Morrison), um faroleiro, e a Rainha Atlanna (Nicole Kidman); como ele descobriu seus poderes e como ele tem que ser rei, apesar de não querer o título. O filme traz uma interessante história de origem para o herói, que foi apresentado rapidamente em Liga da Justiça, pronto para descer a porrada em todos os vilões.

A história não traz surpresas para os leitores de quadrinho, e nem surpreende tanto quem não conhece o personagem, mas isso não diminui os créditos pela história bem construída. Com um bom ritmo, o espectador não sente o tempo passando e consegue sentir começo, meio e fim do filme.
Carismático, Jason Momoa entrega um Aquaman ideal. Sarcástico, engraçadinho, consciente de suas responsabilidades e pronto para salvar a Terra e a Atlântida, Aquaman pode finalmente ser considerado um super-herói fascinante e incrível, e não mais só o cara que fala com peixes por telepatia.
As cenas de luta também são um ponto positivo no filme. Bem coreografadas, com uma direção inteligente e efeitos especiais dignos de Star Wars, as batalhas podem tirar o fôlego do espectador. Seja com Arthur lutando na terra ou as guerras embaixo d’água, os fãs de filmes de super-heróis não vão se decepcionar com a ação nem com o visual delas.
Enquanto Arthur é um personagem interessante e sua história e motivação são bem desenvolvidas, o mesmo não pode ser dito de todos os personagens. O Rei Orm (Patrick Wilson) aparece no filme querendo destruir a Terra como vingança pelos humanos terem destruído o mar por anos. Mas, no fim, o ciúmes que ele tem do meio irmão acaba ofuscando seu plano de vingança. Em tempos onde questões ambientais estão em pauta, seria interessante fazer o espectador pensar no impacto que suas atitudes têm nos oceanos enquanto discute o filme.

O outro vilão, Arraia Negra (Yahya Abdul-Mateen II), sofre com um arco limitado e uma motivação fraca. O personagem é mais usado para cenas de ação com Aquaman do que para o desenvolvimento da história. A princesa Mera (Amber Heard) é poderosa, suas cenas de ação são interessantes e mostram todo o girl power da personagem, mas ela é usada a maior parte do tempo como interesse amoroso de Arthur e parceira nas batalhas.
Apesar de algumas falhas com os diálogos, que parecem ser mais focados em frases de impacto que em deixar as conversas orgânicas, o filme entrega tudo o que promete. Aquaman é um ótimo entretenimento, e um dos melhores filmes do Universo DC. Com um roteiro mais leve, mais divertido e feito para agradar o maior número possível de fãs, o filme tem chances de estourar na bilheteria mundial e mostrar que o Rei de Atlântida merece o lugar na Liga da Justiça e que ainda vai causar muito no universo DC.














