Cineastas lamentam morte de Eduardo Coutinho
Para Silvio Tendler, Coutinho não merecia esse destino trágico
Cinema|Do R7, com Agência Brasil

A morte de Eduardo Coutinho, aos 80 anos, por facadas ontem, dentro de sua própria casa, foi um destino trágico para um dos maiores documentaristas do Brasil, na avaliação dos cineastas Silvio Tendler e Luiz Carlos Barreto. Para Tendler, que já fez produções sobre o ex-presidente João Goulart e o cineasta Glauber Rocha, Coutinho “não merecia esse destino trágico”.
O cineasta Eduardo Coutinho, de 81 anos, foi encontrado morto neste domingo (2), dentro de casa, no bairro da Lagoa, na zona sul da cidade. A Divisão de Homicídios da Polícia Civil investiga o caso. O cineasta foi encontrado morto no domingo (2), dentro de casa. Tendler se disse abalado com a tragédia.
— Tudo foi muito surpreendente. Ele não merecia esse destino trágico. É muito triste. O Coutinho era um amigo muito querido. É um momento de muita tristeza para a cultura brasileira, para o cinema brasileiro. Sem dúvida ele era um de nossos grandes talentos. Nós só temos a lamentar.
De acordo com Tendler, a morte de Eduardo Coutinho deixará “uma lacuna muito grande, ao mesmo tempo em que deixa uma obra que vai continuar sendo vista e discutida. Alguns de seus filmes estão entre os mais importantes do cinema brasileiro, do cinema como um todo. Ele é um dos artistas brasileiros mais importantes de todos os tempos”.
Luiz Carlos Barreto, produtor de filmes como Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976) e O que é Isso, Companheiro? (1997), o “destino foi injusto” com Coutinho.
— A morte do Eduardo Coutinho não é uma perda apenas para o cinema brasileiro. É uma perda para o cinema mundial. Ele foi, no plano brasileiro e internacional, uma figura revolucionária na linguagem do documentário, porque ele soube introduzir, além do simples registro, a dramaturgia. Os documentários de Coutinho criaram uma escola dramatúrgica para os documentários. Isso sem contar sua contribuição nos pensamentos e no movimento político do Cinema Novo, para construir um cinema de produção permanente.
Walter Carvalho, cineasta que trabalhou em filmes como Cazuza e Carandiru, lamentou muito a perda e lembrou uma viagem que chegaram a fazer juntos.
— Ele tinha um passo a diante em suas obras, ele já apontava um avanço na forma de fazer documentário. Viajamos juntos mais de 4 mil km para fazer um documentário sobre um antigo partido. Meu irmão o conhecia mais do que eu por que eram contemporâneos, ele se foi mas sua obra fica viva. Ele é uma espécie de Graciliano Ramos, sem definição.
O principal suspeito da morte de Eduardo Coutinho é seu filho, Daniel, que está sob custódia da polícia, internado no Hospital Miguel Couto, na zona sul do Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Civil, Daniel esfaqueou o pai e a mãe, Maria das Dores, e depois tentou se matar. Maria das Dores também continua internada no Miguel Couto.















