Jaspions brasileiros falam sobre crescer com nome de herói
Depois de série fenômeno nos anos 80 e 90, pais batizaram filhos em homenagem ao personagem japonês
Cinema|Giovanna Orlando, do R7

Quando Jaspion chegou na televisão brasileira, em fevereiro de 1988, ninguém esperava o sucesso absoluto do seriado nem que ele abriria portas para mais produções japonesas nas telinhas e cinemas do País.
Os fãs podem matar a saudade da série, que estreia nesta segunda-feira (21), no PlayPlus.
No Japão, o seriado fez sucesso e chegou a ser o quarto mais popular entre 1985 e 1986, mas foi cancelado depois de 46 episódios.
Por aqui, chegou três anos depois da estreia e conquistou o primeiro lugar de audiência, foi reprisada por três canais de televisão e virou até quadrinho.
Com o sucesso absoluto, muitos fãs do seriado tomaram a decisão inusitada e corajosa de batizar os filhos nascidos na época com o nome do herói. Foi assim com o servidor público Jaspion da Conceição Oliveira, de 29 anos. A mãe, Izabel Conceição, é apaixonada por super-heróis e estava grávida no auge do sucesso do personagem. “Eu queria um nome diferente, que chamasse a atenção”, explica.

Já o pai do operador de máquinas Jaspion Santos, de 27 anos, aficionado pelo protagonista da série, correu para registrar o filho em homenagem ao personagem. Originalmente ele se chamaria Jackson, nome escolhido pela mãe.
— Na época, a série era uma das mais famosas e fez parte da infância do meu pai. Ele era do interior de Minas Gerais e gostou que o nome soava forte, além de se identificar com o herói.
Crescer na mesma época em que Jaspion passava na televisão foi difícil. Enquanto o personagem lutava contra Satan Goss e MacGaren, o servidor público lutava contra as piadas e comentários dos colegas de escola. Izabel conta que o filho até evitava ir para a escola para não ter que se apresentar à turma.
— Ele corria de tudo que era ligado ao nome. Ele nunca gostava de ir nos primeiros dias de aula porque os professores faziam apresentações individuais de cada aluno. No primário, os colegas de sala só achavam o nome dele diferente, porque os alunos da mesma idade não sabiam muito. No ensino médio, onde muitos já tinham acesso à televisão, foi mais difícil com as brincadeiras. Eram sempre ligando o nome dele a outro personagem.
Já Santos conta que os colegas de classe confundiam seu nome com Power Rangers, enquanto outros ligavam o nome ao herói e faziam brincadeiras.
— Na terceira série do ensino fundamental tinha uma professora que me dava um visto e sempre colocava “Jaspion, meu herói”. Na escola, o pessoal sempre vinha com a piada “nossa, seu irmão é o Jiraya”. Os mais leigos confundiam com o Power Rangers e os mais antigos sempre gostam e cantam a música de abertura da série.

Com as brincadeiras, os dois comentam que não gostavam tanto do nome. Enquanto Jaspion Oliveira cogitou trocar de nome, o operador de máquinas disse que se acostumou com as piadas e passou a brincar junto.
— No começo sempre rolava uma raiva, mas com o tempo, eu me acostumei e sempre zoava junto o vilão da série, o Satan Goss, e dava o grito do Jaspion chamando o robô Grande Daileon.
A faculdade foi um fator determinante para que Jaspion Oliveira passasse a gostar do nome. Formado em marketing, a mãe conta que foi durante a graduação que ele passou a aceitar a forma como foi batizado.
— Algumas vezes, até uns 20 anos, ele pensou em trocar. Na faculdade, ele aprendeu a usar o nome como grande ferramenta de marketing e, na segunda graduação, administração de palestras, ele entendeu que todos ligam o nome à pessoa. Hoje, ele ama, aprendeu a gostar.
Ainda pequenos no auge do herói, os dois tiveram que procurar a série depois, quando já estavam maiores. Eles compraram os DVD’s e passaram a admirar o personagem. Jaspion Santos conta que queria salvar o mundo, igual o herói.
— Eu não cheguei a pegar a fase que o seriado passava na TV Manchete, então procurei saber mais sobre o nome, adquiri os DVD's e vi toda a história. Eu também queria salvar o mundo dos vilões e sou determinado igual ele.
Apesar dos avanços tecnológicos nos efeitos especiais do cinema e da televisão, Jaspion Oliveira gosta de ver o desenho para se lembrar da infância.
— Hoje, quando assisto a série, vejo com olhos de criança pois os “efeitos” especiais são antigos e me fazem voltar para um passado ótimo.














