'O Pintassilgo' faz livro de sucesso virar história arrastada e insossa
Muitas tramas paralelas e atuação medíocre de Ansel Elgort completam pacote que derruba filme das intenções de prêmios na temporada
Cinema|Caio Sandin, do R7

Grandes estúdios de Holywood costumam fazer poucas apostas arriscadas. E há poucas coisas menos arriscadas do que lançar uma adaptação de um livro de sucesso. O público já aprovou o roteiro antes e a transição para a nova mídia costuma ser tranquila, já que as reclamações de leitores mais fanáticos pelo material base costumam não afetar o público leigo à obra.
Adicione-se à esta fórmula um elenco estelar e as expectativas se elevam. Quem sabe algumas indicações na temporada de premiações, não é mesmo?

O Pintassilgo marca todos os pontos acima e, muito por conta disto, era uma das apostas da Warner para conquistar preciosas estatuetas. Ainda mais com o auxílio da Amazon, que segue ávida em busca do reconhecimento máximo para englobar a seu serviço de streaming e a seu cartel de honrarias — principalmente após o sucesso de Roma, da concorrente Netflix.
Tudo estava nos trilhos. Até o momento em que se assiste o longa. As mais de 700 páginas se tornam longas 2 horas e 30 minutos de trama que se arrastam em frente aos olhos.
A beleza e primor técnico conquistados pelo diretor John Crowley e sua equipe de fotografia acabam se tornando meras bijuterias visuais, quando o principal fator acaba falhando em atrair e cativar a atenção da audiência.

Para complicar ainda mais, o protagonista Ansel Elgort parece não ter saído de seu personagem de Em Ritmo de Fuga e entrega uma atuação medíocre de um jovem introspectivo. Ao contrário de Oakes Fegley, que faz da versão infantil de Theo uma representação muito mais intrigante e cativante.

O elenco de apoio se mostra, também, muito melhor do que o protagonista, com destaque especial para Sarah Paulson, que interpreta uma madrasta cheia de nuances e, ao mesmo tempo, tipicamente clichê.
Mas nada disso acaba importando quando o ritmo da história acaba não cativando e fazendo as grandes revelações do enredo perderem qualquer impacto. A quantidade de tramas paralelas, misturadas no longa em uma montagem não linear, acabam deixando tudo ainda mais confuso e insosso.
De promessa ao Oscar, O Pintassilgo despenca diretamente para a lista de filmes que são bons para se assistir em casa, ou até mesmo no avião, sem escalas.















