Destaque no Oscar coroa ascensão do Brasil como ator global na indústria
Plataformas de streaming registraram um aumento de 60% nas visualizações globais de produções brasileiras
Oscar|Da Reuters
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
Milhões de brasileiros devem assistir à entrada das estrelas de cinema no Dolby Theatre para a cerimônia do Oscar neste domingo (15), na esperança de ver um dos seus conquistar a estatueta dourada pelo segundo ano consecutivo.
O filme brasileiro “O Agente Secreto” recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo a primeira indicação de um brasileiro a Melhor Ator para Wagner Moura, que ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama nesta temporada.
O reconhecimento vem um ano depois de “Ainda Estou Aqui” ter conquistado o primeiro Oscar da história do país, na categoria de Melhor Filme Internacional, gerando orgulho e entusiasmo na nação de 213 milhões de habitantes.
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Este ano, o cineasta brasileiro Adolpho Veloso está indicado por seu trabalho em “Sonhos de Trem”.
Entrevistas com uma dúzia de diretores, produtores, executivos e analistas mostram que duas décadas de investimento governamental, incluindo um valor recorde de US$ 267 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhão, na cotação atual) da Ancine (Agência Nacional do Cinema) no ano passado, ajudaram o Brasil a aumentar o número de longas-metragens produzidos, ampliar as parcerias internacionais e aproveitar o influxo de capital dos serviços de streaming que buscam aumentar o número de assinantes.
No entanto, com a mudança nas prioridades orçamentárias e a iminência de uma eleição que pode trazer de volta os conservadores céticos em relação ao financiamento do cinema, muitos no setor temem que o apoio governamental não seja sustentável.
Ainda assim, as exportações brasileiras de serviços audiovisuais cresceram 19% ao ano entre 2017 e 2023, atingindo US$ 507 milhões (cerca de R$ 2,6 bilhões, na cotação atual), segundo estudo encomendado por sua Associação Cinematográfica.
Há quem espere que a indústria cinematográfica brasileira possa seguir os passos de gigantes globais do entretenimento, como a Coreia do Sul, que exporta bilhões de dólares anualmente em conteúdo, em parte devido ao substancial apoio governamental.
O momento do Oscar para a indústria cinematográfica brasileira destaca uma “tempestade perfeita” de maturidade, talento e grandes histórias, disse Josephine Bourgois, diretora executiva do Projeto Paradiso, uma organização sem fins lucrativos que apoia a divulgação do cinema brasileiro para o público global.
“O que está acontecendo agora é que, além de ser pop, o Brasil é viável. Dá para trabalhar com o Brasil, dá para fazer negócio”, disse.
De descolado a inteligente nos negócios
O clima tropical e os ritmos cativantes do Brasil há muito despertam o interesse do público estrangeiro, como no caso do filme “Orfeu Negro”, vencedor do Oscar em 1960, ambientado no Rio de Janeiro, mas produzido pela França.
A popularidade do Brasil muitas vezes é prejudicada por sua imagem de lugar difícil para se fazer negócios, com mudanças abruptas de políticas, volatilidade cambial e infraestrutura deficiente.
No final da década de 1990, o Brasil pareceu começar a quebrar essa imagem com uma trajetória extraordinária no Oscar, quando o diretor Walter Salles, cuja participação no banco da família o tornou um dos homens mais ricos de Hollywood, quase fez história com “Central do Brasil”.
O filme foi indicado a Melhor Filme Estrangeiro, como a categoria era chamada na época, e a estrela Fernanda Montenegro se tornou a primeira brasileira a ser indicada a melhor atriz.
No ano passado, Salles teve uma nova chance com “Ainda Estou Aqui” e levou para casa o Oscar de Melhor Filme Internacional. A filha de Montenegro, Fernanda Torres, foi indicada a melhor atriz.
No início dos anos 2000, a política brasileira de subsídios às artes retornou, no que a indústria chama de sua “retomada”.
As produtoras se multiplicaram e diretores, atores e outros profissionais brasileiros passaram a estar cada vez mais presentes em Hollywood.
O sucesso em premiações gerou sucesso nos negócios. Após “Cidade de Deus”, um sucesso brasileiro indicado a quatro Oscars em 2004, o diretor Fernando Meirelles atraiu projetos para sua produtora, a O2, incluindo o filme “Ensaio sobre a Cegueira” (2008), estrelado por Julianne Moore e Mark Ruffalo.
“Existe um interesse, conversas”, disse Andrea Barata Ribeiro, sócia fundadora da O2.
No entanto, segundo vários produtores, o que realmente ajuda são os incentivos governamentais.
Kleber Mendonça Filho, diretor de “O Agente Secreto”, afirmou que grande parte de seu trabalho dependeu de financiamento governamental. Seu primeiro longa-metragem, “O Som ao Redor”, recebeu verbas para projetos fora dos estados mais ricos da Região Sudeste.
O roteiro inicial de “O Agente Secreto” foi parcialmente financiado por um programa governamental que foi encerrado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Hoje meu nome é muito estabelecido, mas as pessoas esquecem que eu comecei fazendo um filme chamado ‘Som ao Redor’, que veio de uma política de cota”, disse Mendonça Filho.
Os cineastas buscam manter o ritmo. Este ano, o Brasil levou um número recorde de 10 produções para a Berlinale, na Alemanha, um dos festivais de cinema mais prestigiados do mundo.
“O Mundo de Gugu”, que acompanha um menino e sua avó cada vez mais frágil, ganhou dois prêmios fora da competição principal.
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