'Star Wars: A Ascensão Skywalker' prefere agradar fãs a ser melhor
Episódio 9 da franquia marca todos os pontos necessários para conquistar público cativo, mas apela para nostalgia em narrativa mal desenvolvida
Cinema|Caio Sandin, do R7

Quando se tem um público cativo e sempre ávido por mais, o passo mais seguro que se pode dar é entregar a este público exatamente o que ele quer. Mas essa não parece ser, necessariamente, a melhor decisão a se tomar.
O universo do entretenimento está sempre em evolução. Desde que os irmãos Lumière passaram o filme do trem chegando à estação, muito já foi acrescentado e criado para ampliar as opções tanto para criadores quanto para o público.
Um grande catalizador destas mudanças que pudemos acompanhar foi a internet. Com ela, as pessoas passaram a ter maior facilidade no acesso a conteúdos antes inalcançáveis e passaram a ter voz ativa de verdade na criação dos próximos lançamentos.

Se você não gostou do filme x por um motivo específico, é certo que na rede você encontrará uma comunidade de outras pessoas que concordam com este ponto. Com isso, mudanças são feitas no topo da escala (como recentemente foi o caso do visual do Sonic no filme do personagem) para atender e agradar o maior público possível.
Por este ponto de vista, a nova trilogia de Star Wars tem seus dois primeiros pontos em completos opostos. Se o Episódio 7 introduzia os novos protagonistas em meio a doses cavalares de nostalgia e até utilizando das mesmas fórmulas para conquistar o público, o Episódio 8 pegou qualquer expectativa e as atirou tão longe quanto Luke o fez com o sabre de luz em uma de suas primeiras cenas.
O primeiro, foi bem recebido por público e crítica, já o segundo, apesar de manter o bom desempenho entre especialistas, viu sua avaliação do público despencar e seu diretor, Rian Johnson, ser tido como grande vilão da história por quebrar as expectativas.

Com isso, chegamos ao Episódio 9: Ascenção Skywalker. De volta às mãos de J.J. Abrams, a saga tem em sua conclusão a grandiosidade esperada, mas, apesar dos diversos momentos emocionantes, a falta de impacto e sobra de clichês faz com que o gosto final não seja tão doce.
Abrams parece uma criança mimada, que ao ver seus brinquedos sendo explorados de modo diferente por algum amigo, os toma de volta e tenta apagar qualquer mudança que tenha sido feita no caminho que havia trilhado.
O longa parece tentar apertar todos os botões necessários para emocionar os fãs. E de fato consegue fazer os apaixonados pela saga rirem, se preocuparem e verterem lágrimas. O problema é que tudo parece muito mais mecânico e movido à nostalgia do que uma história verdadeiramente impactante.

As próprias cenas demonstram esta falta de inspiração, com planos simples e pouco variados. Por outro lado, o ponto positivo segue sendo a trilha de John Williams, mas que, novamente, busca a inspiração dos temas clássicos para criar a atmosfera de sequência buscada.
No roteiro é onde encontramos a principal bagunça do longa. Tentando retomar de onde parou em O Despertar da força, apagando o máximo possível de Os Últimos Jedi e ainda acrescentando mais ingredientes a uma fórmula já recheada, os produtores dão voltas e mais voltas para chegar a um final que, apesar de não ser óbvio antes de se entrar na sessão, se torna cada vez mais previsível conforme a narrativa vai se desenrolando.
Os grandes contadores de histórias dizem que, com o tempo, a própria narrativa cria vida e decide para onde deve ir, cabendo a quem escreve apenas seguir esta linha e respeitar os arcos narrativos. Talvez essas deveriam ser as pessoas ouvidas na hora de construir este capítulo final de uma das franquias mais importantes da história, não a dos fãs na internet.














