'Turma da Mônica: Laços' acerta ao levar quadrinhos para as telonas
Filme conta história cativante, com personagens carismáticos e ganha vida por si só em meio a um material base tão rico e tão querido pelo público
Cinema|Caio Sandin, do R7

Se você tem menos de 50 anos, a chance de que a Turma da Mônica tenha feito parte de alguma parte da sua vida é muito grande. Mexer com os quatro protagonistas é tarefa complicada. Existe, sempre, muito sentimento envolvido.
Quando a história em quadrinhos de Laços chegou às prateleiras, em uma série de lançamentos da turma que deu espaço para novos criadores utilizarem os personagens em formato mais adulto e com melhor acabamento gráfico, muitos foram pegos de surpresa pela delicadeza, sinceridade e o quão emocionante e impactante a obra dos irmãos Vitor e Lu Cafaggi era.

A ideia da adaptação desta história em particular para um filme com atores pareceu, novamente, um tanto ousada, já que em seus 56 de existência, a personagem mais marcante da cultura pop brasileira nunca havia sido retratada de tal maneira. Mas como esta decisão foi acertada.
Daniel Rezende retorna para seu segundo trabalho como diretor em um gênero completamente distinto de Bingo, seu primeiro trabalho, e traz todas as qualidades que já estavam no material base para a frente da tela. A química do quarteto de protagonistas auxilia e também é auxiliada pelos momentos em que os personagens podem ser apenas crianças. Se divertindo, fazendo besteiras ou provocando um ao outro.

O roteiro sabe também como e o que utilizar do quadrinho dos Cafaggi e o que é necessário se acrescentar para que a trama ganhe mais peso e corpo próprios. Destaque para a aparição do Louco, que, por si só, é um resumo de todo o filme e suas qualidades encapsuladas em poucos minutos de tela. A fotografia, os planos, a movimentação de câmera para enganar o espectador e, principalmente, o roteiro brilham.
Mas nada disso seria válido ou digno de nota caso os jovens atores escalados não correspondessem às décadas de expectativas criadas. Este seria o fator principal para saber o motivo pelo qual este longa seria memorável. E, novamente, as peças se encaixam de maneira sublime. Além da química já citada, todos conseguem transparecer as características de seus personagens e expandi-las para o mundo real de maneira crível e interessante. Tudo isso somente é auxiliado pelo grande trabalho de direção, que consegue trazer para tela a melhor performance de cada um.

Os personagens têm seus próprios arcos e os desenvolvem na frente dos olhos do espectador, fazendo com que eles sejam ainda mais interessantes e apelem tanto para fãs ávidos, quanto para novatos. Isso vale tanto para as crianças quanto para os adultos em cena.

Um ponto que pode incomodar os mais velhos são os momentos em que a trilha sonora toma um tom infantil demais. Apesar de se manter balanceada durante todo o longa, utilizando as músicas clássicas da Turma para criar novos temas, tais momentos são perceptíveis, mas, ao colocarmos o filme como uma aventura de crianças para crianças, não há o que se tirar de valor disto.
No fundo, qualquer ponto que se tente criticar de Laços é ínfimo em relação ao brilhante trabalho entregue. A trama envolvente, o carisma dos protagonistas e o visual deslumbrante constroem um cenário perfeito para uma aula de adaptação em um meio nunca antes explorado, fazendo lágrimas correrem pelos rostos da plateia, ao mesmo tempo em que mantém um sorriso constante durante toda a projeção. Tudo isso porque o filme, assim como a HQ em que se baseia, sabe o quanto de sentimento está envolvido com esta turminha e o retribui de coração aberto.













