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Fã teve vida marcada por Roberto Leal: 'Como um membro da família'

Líder de grupo de cultura portuguesa relata seus últimos momentos com o cantor. "Aprendi uma expressão com ele: Até sempre!"

|Nayara Fernandes, do R7

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Roberto Leal com o grupo folclórico Casa Ilha da Madeira Infanto Juvenil
Roberto Leal com o grupo folclórico Casa Ilha da Madeira Infanto Juvenil

"Para nós, foi como perder um membro da família". É assim que Maria Vieira Sardinha Gonçalves, líder do grupo folclórico português Casa Ilha da Madeira Infanto Juvenil, define a morte do cantor Roberto Leal. Aos 54 anos, Maria é filha de imigrantes portugueses e não apenas teve a voz do cantor como trilha sonora dos acontecimentos mais importantes de sua vida, como o acompanhou com seu grupo em diversas apresentações musicais. 

"Ele fez um show no Brasil em que trouxe vários músicos conhecidos em Portugal para o evento Nau de Paz. Ele poderia ter convidado qualquer grupo para tocar com ele, mas convidou o nosso. Quando cantou a música (que levava o nome do evento) e entoou o refrão 'vamos construir uma ponte em nós', foi um dos momentos mais emocionantes para mim. Ele estava convocando todos nós a nos tornarmos uma ponte entre Brasil e Portugal."


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Para Maria, Roberto Leal resgatava o orgulho de ser português. "As pessoas não enxergam o português como imigrante, e ele trouxe essa questão. Todo imigrante português tem muito orgulho de ser brasileiro. O que dói é sermos portugueses aqui e brasileiros lá." 


Maria e Pedro celebraram seu casamento ao som de Roberto Leal
Maria e Pedro celebraram seu casamento ao som de Roberto Leal

Muito além das apresentações em conjunto, era Roberto Leal que embalava a trajetória pessoal de Maria Sardinha. Ela conta que começou a conversar com o marido Pedro Gonçalves durante um show do cantor. "Ele estava me xavecando e eu não percebia. Sou Sardinha, mas mordi o anzol", brinca ela. Quando o casamento saiu, lá estava Roberto Leal na trilha sonora. "Dançamos 'Bate o Pé' com a família toda." 

Maria também teve a oportunidade de encontrar com o cantor durante as últimas semanas de sua vida. Emocionada, ela conta como foi a última vez em que esteve com ele: "A gente percebia que ele estava bastante abatido, mas sempre tinha um sorriso quando chegava perto das pessoas. Temos integrantes de todas as idades no grupo, e ele tratava qualquer um deles com o mesmo carinho, fosse ou não fã dele". Em seu último contato com o artista, Maria conta que se aproximou de Roberto demonstrar seu apoio por causa da doença que ele enfrentava. "Dei um abraço nele e disse: 'você sabe o que eu estou dizendo'". Aquela foi a despedida. 


Na madrugada de domingo, justamente quando o grupo voltava de uma apresentação da Portuguesa - time 'do coração' de Maria, cujo hino é entoado pela voz do cantor - veio a notícia via WhatsApp. "Senti muito em saber que uma pessoa que fazia o mesmo trabalho que a gente entre Portugal e Brasil tinha ido embora." 

Entre a comunidade portuguesa, fica o sentimento de perda de um ídolo. "Tenho amigas que estão me ligando e não conseguiram parar de chorar", revela Maria. Para a coordenadora fo grupo musical, o orgulho de ser português e brasileiro é o que fica de mais inestimável na trajetória de Roberto Leal. "Sempre que me despeço de alguém de forma especial, uso uma expressão que aprendi com ele."

"Até sempre."

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