Fora da Copa, Espanha lamenta 'fim de um ciclo'
Famosos e TV|Do R7
Depois do fracasso na Copa do Mundo de 2014, a Espanha lamentava nesta quinta-feira o "fim de um ciclo", do jogo 'tiki-taka' de passes curtos que a levou ao topo do futebol mundial.
"Abdicam", era a manchete do jornal catalão Mundo Deportivo. O periódico deu destaque para a coincidência entre duas datas históricas: a abdicação do rei Juan Carlos após 39 anos de reinado e a humilhante eliminação da Roja na primeira fase do Mundial no Brasil.
"Destronados", indicava El Periódico de Cataluña, com uma foto dos jogadores abatidos.
Já o madrilenho Marca ressaltava o fim da geração campeã das Eurocopas de 2008 e 2012 e da Copa do Mundo de 2010.
"THE END - Lamentável fim da época mais gloriosa da Roja", indicou o diário esportivo.
"Adeus aos anos dourados", acrescentou, referindo-se à melancólica despedida da seleção espanhola.
O vendedor de churros Carlos Mendoza, de 48 anos, comentava a eliminação causada pela goleada para a Holanda por 5 a 1 e pela derrota para o Chile por 2 a 0.
"Foi uma partida muito ruim, fatal", disse, referindo-se ao jogo contra os chilenos. "Acabou o ciclo, é preciso iniciar outro novo com gente mais jovem. É como tudo, na vida e no futebol", filosofou.
José Antonio Gómez, de 65 anos, que vende bebidas em frente ao Palácio Real, onde os curiosos esperavam para ver o novo rei Felipe VI, afirmava: "A seleção é um desastre; tem que se renovar". "É como se fosse o fim de um ciclo", considerou.
A queda inesperada deixou o ambiente na Espanha mais pesado, apesar da festa pela posse do novo rei.
Para o comentarista do Marca, Santiago Segurola, a queda diante do Chile no Maracanã é "o fim de uma geração incrível e o começo de uma nova era".
Isso prova também que a humilhação sofrida na sexta passada para a Holanda "não foi circunstancial", devendo-se a "erros grosseiros e também à sensação de esgotamento".
Os torcedores lamentavam a falta de disposição de uma equipe que, talvez por ter levado o país a três títulos históricos, não passou por uma renovação.
"Não se pode viver de lembrança. Os melhores jogadores têm que ser levados, não os jogadores com nome e que fizeram coisas no passado", reclamava nesta quarta Celia Merinos, estudante de 18 anos, na entrada do estádio Santiago Bernabéu, onde o jogo contra o Chile tinha sido exibido em um telão.
O 'tiki-taka', jogo da geração campeão do Barcelona e também da seleção espanhola - baseado em passes curtos e envolventes -, mostrou que tinha o seu limite.
"Nos últimos anos, a circulação da bola era rápida e a pressão, intensa. Sem essas duas características, a seleção, repleta de troféus na vitrine, não foi capaz de impor seu jogo", analisava Santi Nolla, diretor do El Mundo Deportivo.
Para Ángel Lara, do Marca, a tragédia foi pior para o goleiro e capitão da seleção e do Real Madrid, Iker Casillas, que, ao contrário de outros veteranos, como Xavi, Villa, Torres e Xabi Alonso, "não pensava em deixar a seleção após o Mundial".
"Mas suas atuações, que ele mesmo considerou ruins, podem fazer com que seja deixado de lado", indicou.
A esperança de novos tempos, com a proclamação de um novo rei, também se reflete no futebol. Os espanhóis agora acreditam no início de uma nova era.
"Perdemos a Copa, mas não importa", afirmou Eduardo Chaperón, um economista de 24 anos que agitava uma bandeira do país, como nas comemorações das grandes conquistas da Roja, no centro da capital. "É um novo dia com um rei novo. Temos que celebrar", concluiu.
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