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Márcia Goldschmidt relata luta de filha contra doença rara no fígado

"O transplante não é uma cura. É trocar uma doença fatal por uma doença crônica", explicou a apresentadora a um canal de TV de Portugal

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Márcia Goldschmidt foi entrevistada por uma TV portuguesa
Márcia Goldschmidt foi entrevistada por uma TV portuguesa

Sucesso na televisão brasileira anos 1990 e 2000, a apresentadora Márcia Goldschmidt foi uma das convidadas do programa A Tarde é Sua, da portuguesa TVI, desta segunda-feira (1º). Na atração, a comunicadora contou o drama de uma de suas filhas, Yanne, de 6 anos, que é gêmea da pequena Victoria, e necessita de cuidados especiais para tratar de uma doença rara no fígado chamada Atresia de Vias Biliares. O problema surgiu quando a menina ainda era bebê. As gêmeas nasceram de parto prematuro, com apenas 5 meses.

De acordo com Márcia, Yanne passou por um transplante, vive com restrições alimentares e terá que ser medicada para o resto da vida. Aos telespectadores, Márcia disse que seu dia a dia ainda é de muita luta. “Ela é acompanhada por uma equipe no hospital e tem grandes crises. Ela tem que fazer exames de sangue duas ou três vezes por mês. A doença não acabou. O transplante não é uma cura. É trocar uma doença fatal por uma doença crônica. Ela esteve recentemente internada por quinze dias, em isolamento, com uma pneumonia. Não acabou”, contou a apresentadora.


Márcia Goldschmidt e as gêmeas Yanne e Victoria
Márcia Goldschmidt e as gêmeas Yanne e Victoria

Questionada sobre como se divide entre as filhas e a vida pessoal, Márcia é direta. “Sou enfermeira e cuidadora 24 horas por dia. Fui estudar Nutrição e tudo o que diz respeito ao fígado, ao transplante, para dar às minhas filhas a melhor qualidade de vida possível, apesar de todo o contexto que nasceram. E tenho conseguido, elas são meninas grandes, fortes, saudáveis, mas a Yanne é uma criança que toma imunossupressores (medicamentos usados para evitar a rejeição do órgão transplantado). Ela tem um sistema imunológico comprometido. É uma menina normal, mas imunocomprometida”, explicou.

Morando em Algarve, Portugal, e casada com o advogado português Nuno Rêgo, pai das meninas, Márcia ainda relembrou no programa a gestação de risco que teve aos 50 anos. Disse que foi uma gravidez ousada.


“Diria que foi uma gravidez para eu aprender a não brincar com a vida. Eu já tinha um filho, e ele não. Então, pensei: esse homem um dia vai querer ter filhos e isso seria um problema para nós. Perguntei se ele queria ter filhos, ele disse que sim, e eu respondi que não podia porque não tinha mais idade, eu tinha 49 anos. Ele insistiu para eu fazer um exame, e então, o médico disse que poderíamos fazer uma tentativa”, contou. 

Ela ainda recordou o duro período em que ficou internada com cinco meses de gestação. “Três vezes por dia eles vinham ouvir os batimentos. Até que falaram que não podiam mais segurar e teríamos que fazer o parto, e as meninas não tinham nem 1 k”. Márcia encerrou a entrevista dizendo que agora precisa cuidar dela mesma. “Eu preciso me curar. Sabe como eu faço a autocura? Trabalhando e dividindo com os outros. Sempre atenda aos outros. Empatia, compaixão, solidariedade. Na minha opinião, a cura tem a ver com a doação. A partir do momento que eu doar o que eu tenho de melhor para o outro, o outro me regenera.”

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