Com guitarras anos 70 e improvisos, Tame Impala faz psicodelia no Circo Voador
Após passar por SP, australianos arrebatam Rio de Janeiro na noite de quinta-feira (17)
Música|Silvia Ribeiro, do R7

O Tame Impala transformou na noite de quinta (17) o Circo Voador em Circo Psicolédico. Assim mesmo. Psicodélico com P maiúsculo. Os australianos voltaram ao Rio com suas guitarras rock anos 60 e 70, longas jams de sons oníricos, projeções de lindos grafismos, fãs correndo no palco remetendo às groopies e aura de devoção da plateia.
É a segunda vez que a banda formada em 2007 e liderada por Kevin Parker vem a o Brasil. Tocaram na quarta (16) em São Paulo. O show do Rio foi viabilizado por fãs via financiamento coletivo, por meio do site Queremos.
Bem azeitado, o Tame Impala tem o mérito de resgatar o improviso, prática nada nova mas que caiu em desuso entre bandas do primeiro escalão seja por questões comerciais seja pela cultura do nosso tempo. Foram cerca de uma hora e trinta minutos de música costurados por jams e solos deliciosos. Nada de exageros. Tudo na medida.

Os meninos - eles ainda não chegaram aos 30 anos - constroem climas com várias camadas de sons, como uma textura mesmo. Chega a lembrar trabalhos do Radiohead, flertando com um clima sagrado. A sonoridade casa com a sequência de imagens psicodélicas projetadas sobre a banda.
Com isso tudo, é fácil se instalar uma aura de devoção, com o público cantando as músicas dos discos Innerspeaker (2010) e Lonerism (2012) em uníssino. As fãs deram trabalho para os seguranças, com corre-corre no palco. Ao final do show, Kevin Parker quase foi tragado pela plateia. Na beirada do palco, foi agarrado e precisou de ajuda para se desvencilhar.
Com look hippie, Parker, que tocou no Brasil no ano passado, se disse feliz com o retorno e declarou amor ao País. Os australianos ainda brincaram com o público ao citar a batida da bossa nova em meio a uma das jams. O Circo agradeceu. Para as músicas do bis, o grupo surgiu vestido com a camisa do Brasil.
Em tempos em que as bandas do circo do rock trazem repetidas vezes ao Brasil as mesmas músicas - às vezes até o mesmo show -, Tame Impala é alento aos ouvidos. Voltem sempre!
















