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Falar que o vinil está de volta é errado, segundo documentário

Filme de Diego Casanova mostra que a cultura dos bolachões pode até ter perdido espaço, mas nunca saiu de cena 

Música|Thiago Calil, do R7

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Criolo fala sobre a paixão pelo vinil no documentário "Vinil Poeira e Groove"
Criolo fala sobre a paixão pelo vinil no documentário "Vinil Poeira e Groove"

“No início dos anos 2000, com o advento dos novos suportes digitais, o disco de vinil perdeu espaço no mercado fonográfico brasileiro. No entanto, diversas manifestações em todo País permitiram manter viva a cultura do vinil”. A frase faz parte do documentário Vinil Poeira e Groove e é usada para introduzir uma série de histórias que fizeram com que os bolachões não morressem. Pelo contrário.

Não espere se deparar com um filme para dizer que os discos estão de volta. Para Diego Casanova, isso não passa de um clichê criado em torno dessa indústria.


“Eu discordo dessa linha de que o vinil voltou. Ele não foi embora. No próprio documentário esse discurso é bem claro. Quem movimenta essa cena, movimenta há alguns anos. Tivemos uma ruptura na produção dos discos, uma ruptura na indústria fonográfica. Ele ficou sem ser produzido em grande escala dentro do País, mas continuou sendo feito. As lojas continuaram... não teve um fim”, explica.

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O documentário mostra a cena atual do vinil, passando por festas, selos, lançamento de discos, coletivos. Aliás, para o diretor, a variedade de atividades em torno da cultura do disco é o principal destaque do filme.

Para a realização da obra, que teve financiamento da lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura, foram quatro anos de captação de imagens, três estados percorridos — Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais — e mais de vinte pessoas entrevistadas. Entre elas, nomes como o dos músicos Criolo e Arthur Joly.


Coletivo Vinil é Arte manteve os bolachões em alta
Coletivo Vinil é Arte manteve os bolachões em alta

“Temos essa visão de sebo, de loja da galeria do rock... a cena é muito mais profunda”, diz Casanova. “A gente tem festas dedicadas a isso. A gente tem uma fábrica que abriu em São Paulo e está produzindo freneticamente. A maioria dos músicos, de bandas pequenas de garagens até nomes maiores, é quase que obrigatório o lançamento do vinil. O público cobra isso”, completa.

Bolachão x streaming


Mas, afinal, a tendência não é consumirmos música de forma digital, em plataformas como YouTube, Spotify e Deezer? Para o responsável pela produção do documentário, uma coisa não impede a outra.

“Hoje quem não lança música na internet está atrasado. E pelo que eu vejo desse cenário, tem uma demanda muito grande para ter o lançamento em vinil também. É muito nítido. O Criolo lança o CD completo no Spotify. E na sequência lança o vinil. E a procura é muito grande. Naldo, Seu Jorge, Cachorro Grande... independentemente do estilo musical e do tamanho das bandas, o vinil é uma coisa obrigatória”, explica Casanova.

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E, mesmo com um mergulho profundo nesse universo, na qual se diz apaixonado, a única coisa que o diretor não consegue explicar é o fascínio que o vinil exerce. “Não sei o motivo, mas as pessoas gostam. Eu gosto, mas não sei explicar. Eu tenho o Spotify, fica ligado o dia inteiro, mas eu tenho minha coleção de discos”, confessa. Quem quiser arriscar a própria conclusão, o documentário é uma bela ajuda.

Michel Nath abriu uma fábrica de vinil em São Paulo
Michel Nath abriu uma fábrica de vinil em São Paulo

A obra foi selecionada entre mais de 120 filmes para participar da 10ª edição do In-Edit, Festival Internacional do Documentário Musical. O evento nasceu em Barcelona, em 2003, e tem como objetivo incentivar a produção e distribuição de filmes sobre música. Vinil Poeira e Groove já teve duas projeções gratuitas em São Paulo e, neste sábado (16), será exibido na Cinemateca Brasileira.

Serviço:

Vinil Poeira e Groove

Quando: Sábado, 16 de junho, às 20h30

Onde: Área externa da Cinemateca Brasileira (Largo Senador Raul Cardoso, 207 -

Vila Clementino)

Quanto: Ingressos gratuitos (a distribuição acontece na bilheteria, uma hora antes da sessão).

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