Lapa (RJ) se rende ao rock raiz do Greta Van Fleet
Quarteto americano conquista plateia em pleno reduto da boemia carioca; nostalgia dá o tom da apresentação na Fundição Progresso
Música|Marcelo Valença, da Record TV Rio

Os caras são americanos, mas a pontualidade para começar a apresentação foi britânica. Alguma surpresa? Ainda havia muita gente do lado de fora da Fundição Progresso quando o Greta Van Fleet deu início ao show de estreia no Rio de Janeiro, à meia-noite, em ponto.
The Cold Wind e Safari Song (respectivamente) foram as escolhidas para iniciar o ritual. Na plateia, bastante eclética, as camisas do Led Zeppelin se destacavam em meio a inúmeras referências roqueiras. O mundo está carente de rock! Mas o quarteto de Michigan parecia ter o antídoto...
Logo de cara, um solo do baterista Danny Wagner já mostrou que a fórmula setentista seria colocada em prática. E, não é que sempre funciona? Além de Wagner, os irmãos Kiszka; Josh (vocal), Jake (guitarra) e Sam (baixo) serviram de bandeja suas influências para o público. Estava tudo dominado, como dizem os cariocas! A cada refrão ou a cada gesto do vocalista Josh Kiszka, a galera enlouquecia. Recuperado de uma faringite, ele se esgoelou e conseguiu manter o tom lá em cima.
Na mistura do Greta Van Fleet estão generosas doses de hard rock inglês; do Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath. Tem também o psicodelismo das americanas Iron Butterfly e Grateful Dead; além do southern rock do Lynyrd Skynyrd. Beber nessa fonte ajuda a criar uma massa sonora de respeito.
A banda é muito competente ao vivo. O som agridoce da Gibson de Jake se encaixa muito bem, tanto com o baixo, quanto com os teclados de Sam. O figurino dos caras e a presença dos músicos no palco são um passaporte para o túnel do tempo.
O químico Aaron Freire veio de Resende para curtir o show. As duas horas de estrada, do sul fluminense até a capital, não foram problema. Viagem mesmo foi ver os caras de perto.
"Nunca vi tanta gente na Fundição. Mas, valeu a pena! O som estava muito bom e a apresentação foi impecável", comemorou o jovem.
Em quase uma hora e meia de espetáculo, a banda tocou 12 músicas. Entre os riffs também houve tempo para o folk de John Denver, em The Music Is In You; e para o rhythm & blues de Labi Siffre, com Watch Me.
Roqueiro assumido, Luciano Cunha, criador do personagem Doutrinador, que há pouco esteve em cartaz nas telas de cinema, ficou decepcionado com a apresentação.
"Acho que não decolou. Principalmente quando eles colocaram umas músicas mais psicodélidas, quase progressivas no meio do show. Quando estava engrenando, acabou", reclamou o ilustrador. Ele achou o som morno.
Apesar da participação intensa do público durante todo o show, foi realmente na parte final do concerto (até eu estou na onda 70s) que a coisa ficou mais séria. Black Flag Exposition, Watching Over e Edge of Darkness abriram caminho para o bis com When the Curtain Falls (talvez a mais conhecida) e Highway Tune.
Com apenas sete anos de existência e poucos trabalhos lançados (um álbum e dois EP´s), a jornada do Greta Van Fleet ainda está no início. O ímpeto e o som desses garotos nos fazem lembrar das reações causadas por Guns & Roses, Black Crowes e Wolfmother quando surgiram. Todos filhos do saudosismo.
O Estado de Michigan, origem do grupo, é um dos mais industrializados dos EUA. Concentra boa parte da indústria automobilística da América do Norte, além de ser um dos maiores produtores de ferro no país de Trump. Digamos que o Greta Van Fleet, mais que com o Led Zeppelin, se parece com aqueles "muscle cars" dos anos 70. Pesado e forte como um Mustang V8, pronto para desbravar as estradas do mundo. Vejamos se o Lollapalooza confirma toda a potência do Rock Raiz.
Set list:
- The Cold Wind
- Safari Song
- Black Smoke Rising
- Flower Power
- Watch Me (cover de Labi Siffre )
- The Music Is You (cover de John Denver)
- You're the One
- Black Flag Exposition
- Watching Over
- Edge of Darkness
Bis:
- When the Curtain Falls
- Highway Tune















