Rapper Dugueto Shabazz prepara EP de estreia e videoclipe
Com 15 anos de carreira, escritor e poeta ficou um ano preparando o álbum
Música|Juca Guimarães, do R7

O rapper Dugueto Shabazz está na estrada do hip-hop há 15 anos, porém, o uso das palavras como ferramentas de transformação e indgnação começou bem antes, por meio da poesia e da literatura marginal. Também teve uma experiência de ator no Núcleo Bartolomeu de Depoimentos.
No próximo dia 11, o MC lança o seu primeiro trabalho autoral um EP de quatro faixas com o autoexplicativo título "Eu Tava Aqui o Tempo Todo, Você que Não Me Viu".
Além da faixa que batiza o trabalho, o EP tem a canção Negócio de Risco, um rap pesado, batida empolgante e letra cinematográfica; Koka Kola 96 e Highway, com participação especial do Gegê (Caos do Subúrbios).
O EP traz batidas muito bem construídas que vão do rap old school ao trap beat. Dugueto Shabazz também reuniu um talentoso time de produtores e beatmakers neste trabalho: Tico Pro, Dj Pepeu, Caio Cutrim e Lucas Beatmaker.
O primeiro videoclipe do trabalho de estreia está previsto para ser lançado no dia 18. Confira a entrevista exclusiva com o rapper, ator, escritor e poeta.
R7: Como foi a sua experiência como ator?
Dugueto Shabazz: Foi entre os anos de 2010 e 2012, quando a Roberta Estrela D’Alva, hoje apresentadora do Manos e Minas da TV Cultura, iniciou um trabalho comigo de actor coach e proporcionou-me conhecer mais profundamente o trabalho da sua Cia, o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, que desenvolveram aqui no Brasil o conceito do teatro hip hop, mesclando as duas linguagens. Viajei o Brasil com eles estrelando peças e participando diversas atividades.
R7: Quando, com que idade, você começou a escrever poesia?
Dugueto Shabazz: Comecei a escrever poemas aos nove anos de idade e rap aos 10.
R7: Como surgiu a oportunidade de publicar seus livros?
Dugueto Shabazz: Eu publiquei pelo selo independente do meu compadre, o Escritor Allan da Rosa, Edições Toró o Livro “Notícias Jugulares: Contos Crônicas e Poesias Dugueto em 2006. Tem participações de Ferréz, Mc Gaspar do Z’África Brasil e do próprio Allan da Rosa.
R7: E qual foi a repercussão?
Dugueto Shabazz: A pesquisadora Lucía Tennina conheceu meu trabalho estudando sobre Literatura Marginal. Ela soube que participei do inicio da Cooperifa e das primeiras publicações desse gênero e decidiu compilar uma antologia através de uma Editora Argentina chamada Tinta Limon com toda a nata desse movimento.
R7: Foi uma obra que deu visibilidade à Literatura Marginal Brasileira na Argentina?
Dugueto Shabazz: Então em 2014 teve a Feira do Livro de Buenos Aires que homenageou a cidade de São Paulo e onde foi lançada também a antologia com a presença dos escritores e poetas participantes. Então fomos até lá pra prestigiar o evento e foi muito maneiro, recitamos, participei de saraus por lá com muita interação dos argentinos e também cantei rap em alguns espaços culturais e bares com mcs hondurenhos, colombianos, uruguaios... foi uma grande experiência.O texto publicado já é notório nos saraus Brasil afora, considerado por muitos como um hino, “Vamos pra Palmares” me rendeu muita coisa boa e rende até hoje. Já me disseram que a letra é do nível de Negro Drama [dos Racionais MCs].
R7: Quando você começou no rap?
Dugueto Shabazz: Profissionalmente foi quando o saudoso Preto Ghoez, líder do extinto do Clãnordestino, grupo que foi um dos mais importantes do hip hop de todo o eixo norte-nordeste veio pra SP e conheceu meus textos e me convidou pra fazer parte do grupo com o qual eu viajei por todo o Brasil e também pra França, onde tocamos em diversas cidades. Isso foi em 2003. Mas, até aí eu já havia participado de vários grupos amadores, que tocavam em festas de bairros, quermeses, casas de cultura. Escrevo meus próprios raps desde 94, 95 por influência de Racionais, Thaide, KRS-One, Athaliba e a Firma, Sampa Crew... depois vieram outras influências...
R7: Quando começou o processo de criação do EP?
Dugueto Shabazz: Eu sonho em fazer um disco desde os dez anos de idade. Cheguei a “invadir” o escritório de uma gravadora nessa época que havia publicado no jornal um anuncio de “Procura-se novos talentos”. Eu já tinha feito muita coisa no hip hop, pelo Brasil todo e exterior, mas, eu ainda não havia lançado um produto fonográfico oficial. Então eu fui o underground do underground. Ou o underdog (risos), apesar de ser reconhecido pelos artistas e produtores do meio.
O processo desse Ep, incluindo composição das letras, produção dos beats, mix máster, capa, arte levou um ano. Apesar de ter apenas quatro faixas gravei muito mais do isso. Já tenho inclusive material pro próximo EP. E profissional e técnicamente falando “Eu Tava Aqui O Tempo Todo, Você Que Não Me Viu” é um disco que não fica abaixo de nenhum lançamento recente do rap e sem falsa modéstia eu considero uma obra-prima, resultado das minhas mais de dez mil horas de vôo no hip hop. Já sangrei muita caneta nessa vida, me aprimorando e tenho noção do peso da minha escrita, reconhecida pelos maiores rappers do Brasil e pelos grandes nomes da poesia e literatura.
A música Negócio de Risco tem uma letra que parece roteiro de filme. Você gosta de cinema. É uma fonte de inspiração para você?
Eu parto geralmente de imagens pra fazer minhas letras. Traduzo as imagens que vêm na minha cabeça pra linguagem das ruas, com rimas e batidas. Gosto muito de Scorsese, Tarantino, Almodóvar. Acho Leonardo Dicaprio, Selton Melo, uns caras fora da curva como atores. Acho a Viola Davis um primor atuando.
Negócio de Risco é um som com o qual eu quero fazer uma bela produção áudio visual como vídeo clipe. Uma coisa realmente cinematográfica, do tamanho da música. Estamos buscando parceiros pra concretizar o projeto.
R7: Ser escritor e poeta, além de MC, te dá um outro ponto de vista sobre o rap e a cultura hip hop?
Duguetto Shabazz: Eu costumo dizer que eu sou um artista das palavras. Gosto da nomenclatura Mestre de Cerimônia porque me abre infinitas possibilidades no universo do canto falado. Como Mestre de cerimônia posso ser o que eu quiser, posso cantar com jongueiros e sambistas, posso me misturar facilmente ao reggae e vários gêneros. Posso inclusive ser rapper, o que pra mim é bem fácil. Eu costumo dizer que eu “estou rapper”. Mas sou um Mc















