Música Tico Santta Cruz diz que rock não consegue mais dialogar com os jovens: 'Isso me preocupa'

Tico Santta Cruz diz que rock não consegue mais dialogar com os jovens: 'Isso me preocupa'

O vocalista do Detonautas afirma que não vê o estilo musical chegando ao público como o rap, o trap e o funk, por exemplo

  • Música | Pedro Garcia, do R7

Resumindo a Notícia

  • Tico Santta Cruz diz que o rock não dialoga mais com os jovens.
  • Vocalista do Detonautas vê o trap, o rap e o funk como ritmos de maior sucesso hoje.
  • 'O rock ainda não conseguiu encontrar como dialogar com essa geração', afirma.
  • Cantor se preocupa com o fato de o rock estar cada vez mais nichado.
Tico Santta Cruz é vocalista do Detonautas há 20 anos

Tico Santta Cruz é vocalista do Detonautas há 20 anos

Reprodução/Instagram

No passado, o rock já foi o ritmo musical preferido dos jovens, que acompanharam bandas clássicas por décadas. Hoje, o estilo musical demonstra dificuldade para conquistar as novas gerações e parece restrito a um público cada vez mais nichado. Tico Santta Cruz, vocalista do Detonautas, comemora duas décadas da banda e reconhece que os roqueiros não dialogam mais com os jovens, o que o preocupa.

Em entrevista ao R7, o cantor diz que a faixa inédita lançada pela banda neste ano, Aposta, traz elementos do rap e do trap. A mistura com esses ritmos musicais já faz parte do DNA do Detonautas há anos, mas desta vez foi pensada como uma tentativa de criar um diálogo entre o conjunto musical e os jovens que não os acompanharam no começo da carreira.

Para Tico, o que os artistas do rap, do trap e do funk vivem hoje é similar ao que aconteceu com os roqueiros nos anos 1980. "É o que todos os adolescentes estão ouvindo, todos os programas tocando, as rádios bombando, as casas de show lotadas, ganhando muito dinheiro, muita fama, muito tudo. A gente, da geração 2000, não passou por isso nessa intensidade porque a indústria fonográfica já estava numa decadência. O trap está pegando exatamente a ascensão da indústria fonográfica, que está voltando a ter dinheiro, e a ascensão da música com a juventude, falando com a juventude num nível muito estreito, com uma linguagem atual", diz.

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O cantor analisa que o rock está longe de alcançar essas conquistas. "O rock ainda não conseguiu encontrar como dialogar com essa geração. A gente sabe qual é o nosso nicho e sabe com quem a gente está dialogando, mas acho que, se a gente não for capaz de criar uma linguagem para acessar a juventude, corremos o risco de envelhecer o estilo. E, quando você envelhece o estilo, fica segmentado a um público muito pequeno. É a juventude que vai consumir música e levar a outros e outros", comenta.

Santta Cruz diz que um dos objetivos do Detonautas é chegar ao maior público possível. O cantor costuma analisar o perfil dos ouvintes por meio dos algoritmos de plataformas digitais e sabe que a maior parte das pessoas que acompanham a banda está na faixa de 25 a 40 anos. Entre os adolescentes, o roqueiro considera que são casos quase pontuais de quem ouve as músicas do grupo.

Para ele, esse cenário não acontece apenas com o Detonautas. Tico diz que, por mais que haja novas bandas de rock no mercado, nenhuma delas conquista um público grande entre os jovens e o que mais o preocupa é não conseguir enxergar nenhum roqueiro alterando essa situação.

"Conheço várias bandas de rock que me agradam, mas não vejo nenhuma que seja capaz, neste momento, de acessar esse lugar onde está o trap, o funk. Sinceramente, não vejo. Isso me preocupa. Embora existam muitas bandas boas que eu acompanhe, ainda não vejo essa linguagem sendo absorvida por essa juventude", diz.

O roqueiro cita como exemplo a própria filha de 15 anos, uma grande fã de trap. Ele revela que gosta de acompanhar o que a filha está ouvindo, até mesmo para estar sempre atualizado no cenário musical e saber quais são os estilos favoritos dos mais novos.

"É um exercício importante para quem está compondo e buscando, obviamente, retomar esse diálogo. Se ficar com essa mentalidade de que o rock é isso, o rock é aquilo, só o rock que é bom, a gente vai ter uma dificuldade de conseguir voltar a dialogar com a molecada", conclui.

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