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Zezé Di Camargo fala sobre dificuldade para montar show: “São 106 músicas que ficaram entre as mais tocadas do Brasil”

Cantor sertanejo avaliou o sucesso da dupla ao longo dos 26 anos de carreira

Música|Juliana Moraes, do R7

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Zezé Di Camargo e Luciano estão lançando novo projeto
Zezé Di Camargo e Luciano estão lançando novo projeto

Zezé Di Camargo e Luciano estão lançando o projeto Dois Tempos – Parte 2, que conta com 15 músicas inéditas e uma faixa bônus, além de um DVD com uma sessão ao vivo em estúdio. Em conversa exclusiva com o R7, Zezé falou sobre o processo de escolha de repertório do novo álbum, parcerias que a dupla já fez ao longo dos 26 anos de carreira, sucesso e a dificuldade em criar repertório para o show, entre outros assuntos.

Logo no início do bate-papo, o cantor sertanejo falou sobre como surgiu a ideia de gravar um álbum dividido em duas partes, já que o Dois Tempos chegou às lojas em 2016 para celebrar os 25 anos de estrada da dupla.


— Íamos fazer um disco normal, com músicas que acreditamos que sejam de sucessos fáceis e que façam assimilação com o público. No meio da gravação, veio uma ideia minha, já dentro do estúdio, de fazer um disco diferente do que já estava no mercado. Como pintaram músicas muito boas e estava com dó de deixar aquelas músicas para depois, pensei em gravar umas 40 em vez de gravar um disco com 16 e lançar dois discos. Por que não? Fiquei pensando em como seria e resolvi fazer assim.

A dupla pensou em fazer um álbum com canções que contemplassem o atual momento do mundo sertanejo, mas com letras que coubessem no repertório romântico de Zezé Di Camargo e Luciano.


— Apareceram muitas músicas com roupagem do cenário atual. Eliminei um pouco aquelas músicas que achava, vamos dizer, com conteúdo pura e simplesmente comercial. Tenho que me preocupar com o vocabulário. Tem que ter uma mensagem também, não dá para Zezé Di Camargo e Luciano usarem essa mesma linguagem: “Vou pegar você na balada”, “vai pro banheiro que vou te pegar”... não cabe falarmos isso. Dá para ter essa mesma levada, o mesmo ritmo instrumental, a mesma melodia, mas com vocabulário diferente. Peguei o Zezé Di Camargo como sempre foi, romântico, e peguei o Zezé e Luciano um passo à frente, com o que está rolando no momento.

Talvez a preocupação com as letras seja o fator responsável pelo inegável sucesso da dupla. Em 26 anos de carreira, Zezé Di Camargo e Luciano já gravaram 27 álbuns, colecionam centenas de singles entre as músicas mais tocadas do país e até tiveram a história retratada no filme 2 Filhos de Francisco. Por esse motivo, a dupla encontra dificuldade na hora de montar o repertório dos shows e contemplar o público com as novas e as antigas.


— É muito difícil montar um show. São 106 músicas que ficaram entre as mais tocadas no Brasil. Dá para fazer quatro shows sem repetir uma música e com a mesma intensidade. Tem aquela galera que quer ouvir as músicas consagradíssimas. Mas acaba que Indiferença, Saudade Bandida, que o pessoal chama de Preciso, Coração Está em Pedaços, estão todas fora do show. Tenho que cantar Flores em Vida, Mentes Tão Bem, Sonho de Amor, que são de cinco, seis anos para cá. Estava contado outro dia e não consigo cantar uma música de cada disco. Não dá. São 27 CDs e apenas 25 músicas para cantar no show. Naquela época do vinil e do CD, estourava umas cinco, seis músicas por álbum. Do disco É o Amor a gente só canta É o Amor. Não tem jeito, é a vida. Fiz uma vez em Recife um show de três horas só com sucessos. O pessoal ficou cantando até às 6h da manhã. É impressionante ver todo mundo cantando as músicas. Nessa semana mesmo coloquei umas meninas de uns oito anos cada no show porque elas sabiam todas as músicas. Até as mais antigas.

Zezé falou sobre o bom momento que está vivendo
Zezé falou sobre o bom momento que está vivendo

Com tantos hits emplacados, a dupla consegue se manter no topo e competir de igual para igual com a nova geração. No entanto, Zezé avalia que os novos nomes que chegam os ajudam a dar continuidade no sucesso.


— Uma vez estava com uma turma e tinha acabado de conhecer o Gusttavo Lima. Peguei o violão, comecei a tocar e ele ficou olhando e falou que era meu fã. Ele, quando chamou a gente para cantar naquele DVD Buteco do Gusttavo Lima, nos apresentou como “a maior dupla sertaneja de todos os tempos”, mesmo na frente de outros artistas. Ter essa coragem de fazer isso é porque é fã, realmente. O Luan [Santana] nunca negou que era o sonho da vida dele cantar com a gente. Então, tudo isso, cria uma responsabilidade muito grande. E, ao mesmo tempo, ajuda a renovar o nosso trabalho. Parece que não, mas essas pessoas novas que fazem referência ao Zezé e Luciano acabam chamando a atenção do público delas, que está curtindo a música delas, para a gente. Eles fazem com que a galera mais nova aprenda a gostar de Zezé Di Camargo e Luciano.

E essa renovação é constante. Tanto que a dupla chamou nomes como Marília Mendonça, Felipe Duran e Fagner para o novo álbum. Segundo o músico, essa é a novidade para os fãs.

— Não convido pessoas para participarem dos nossos projetos. Mas talvez o Zezé Di Camargo e Luciano sejam os artistas que mais participaram de CDs e DVDs de outros artistas. Já cantamos com cantores da MPB, de funk, de sertanejo. Cantamos com todo mundo: Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo, Roberta Miranda, João Paulo e Daniel, Gusttavo Lima, Luan Santana, Marília Mendonça, Paula Fernandes, Victor e Léo. Da MPB, cantamos com Chico Buarque, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Roberto Carlos, já cantamos também com Julio Iglesias, Nando Reis. Sempre falo que é difícil de encontrar algum artista que tenha participado de tantos discos. Isso que estou esquecendo de alguns nomes. Mas sempre foi a convite. Dessa vez, decidimos fazer o contrário e convidar. Quando a gente convida, tem que ter alguma novidade.

Recentemente, Zezé ficou noivo de Graciele Lacerda. De acordo com o artista, o bom momento pessoal influencia diretamente no lado profissional.

— Estar apaixonado sempre ajuda. Mesmo antes de a gente oficializar a nossa união, já me ajudava. Mesmo quando vivíamos clandestinamente, já ajudava muito. Tem muito a ver com o momento em que você está vivendo. Mas a música, para mim, independe. Sou compositor. Sou um inventor de histórias. Independe do meu estado de espírito. Tenho que inventar uma história, mesmo que não exista. A música é uma pequena história contada em poucas palavras e tenho que fazer de qualquer jeito. É que ajuda no sentido geral da palavra. Você fica uma pessoa mais leve, mais solta e mais brincalhona para tudo na vida. Você quer viver coisas que não viveu, que não usufruiu antes, que a vida não te propiciou. Estou vivendo um momento muito especial e que vale à pena viver.

O cantor sertanejo também está mais tranquilo nas redes sociais. Antigamente, Zezé respondia seguidores que o atacavam, mas agora aprendeu a usar uma tecla mágica: o block.

— É aquele ditado: “Faz a fama, deita na cama”. Há dois anos, tinha um Instagram com mais de 400 mil seguidores e batia e levava. Me divertia com aquilo. Na verdade, nunca ofendi alguém. Apenas respondia com ironia. Gosto quando as pessoas deixam uma margem para você responder com certo sarcasmo. E vi que as pessoas começaram a usar aquilo contra mim. Algumas pessoas de redes sociais printavam e postavam as minhas respostas. Aí, liam aquilo e não iam ao meu Instagram para ver o porquê de ter respondido e viam só a minha resposta. Falavam que eu maltratava fã. Mas quem faz isso não é fã. Quem lê aquilo pensa mal de mim. Via que estava dando um tiro no pé e comecei a ouvir pessoas que estavam ao meu lado e que falavam para eu não fazer isso porque virava contra mim. Fiquei dois anos sem Instagram e voltei com o novo agora. Se você procurar, não tem uma resposta. Parei para pensar e vi que ou aprendo ou não tenho. Larguei para lá e não olho mais nada. Quando tem alguma pessoa que está me maltratando, vou lá e bloqueio. É um coitado que quer aparecer. A rede social deu visibilidade para essas pessoas.

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