Filme "O Escândalo" discute objetificação feminina e assédio sexual

Por Rollo Ross

LOS ANGELES (Reuters) - O filme "O Escândalo" conta a história de como acusações sobre assédio sexual expuseram e derrubaram o ex-CEO da Fox News Roger Ailes, em uma narrativa que o mostra ao mesmo tempo como ameaça e mentor para as mulheres.

O longa mostra como funcionárias da Fox News se juntaram em 2016 para acusar Ailes de assédio, o que desencadeou sua saída da emissora. O executivo, que morreu um ano depois, negava as acusações.

A atriz Charlize Theron, que interpreta a ex-âncora da emissora Megyn Kelly e que também produz o filme, descreveu o quão difícil foi abordar o assunto.

"Essa história se desdobra muito bem em relação às complexidades de como o assédio sexual realmente se parece e como ele vive e respira em ambientes bastante diferentes sobre os quais podemos não necessariamente ter consciência", disse Theron à Reuters.

Com a presença das atrizes Nicole Kidman e Margot Robbie no elenco, o filme é um dos retratos de maior porte dado por Hollywood ao movimento #MeToo até agora.

O longa foi indicado nesta semana a dois Globos de Ouro e a quatro prêmios do Sindicado dos Atores de Hollywod (SAG) antes de sua estreia nos cinemas dos Estados Unidos na sexta-feira.

A Fox News não comentou sobre o filme, mas disse que nenhum dos envolvidos na obra entrou em contato para conferir sua versão dos eventos de 2016. Representantes de Kelly não retornaram a um pedido por comentários, e os diretores do longa afirmaram que não a procuraram durante sua pesquisa.

Interpretado por John Lithgow, Alies é retratado como um homem com senso de humor e charme que se entende como um mentor para muitas de suas colegas de trabalho, até mesmo quando pede por favores sexuais.

As mulheres, claramente desconfortáveis com seus saltos altos, vestidos justos, cintas modeladoras e sutiãs push-up, lidam de modos diferentes com Alies ao ponderarem suas ambições, carreiras e vidas pessoais.

"Ao humanizar Roger em alguns níveis, você percebe que o predador não é o cara sentado em seu escritório, enrolando seu bigode. É o mentor que se vira contra você, o colega que, em uma viagem de negócios, se vira contra você", disse o roteirista Charles Randolph.

O filme "pareceu uma ótima forma de atrair a atenção de pessoas --a maioria homens-- que normalmente não prestariam atenção em como isso funciona", acrescentou.

Apesar de ser uma história sobre mulheres, Theron escolheu um homem, Jay Roach, como diretor.

"A razão pela qual ela disse que faríamos isso juntos como homens e mulheres é que é provavelmente isso que terá de acontecer para ajudar a resolver essas situações", disse Roach. "Isso é sobre todos nós... Precisamos estar juntos nessa luta".