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Imagine Dragons: a trilha sonora de uma geração que grita por acolhimento

Em entrevista a esta coluna, psicóloga analisa as canções do icônico grupo e de seu líder, Dan Reynolds

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Imagine Dragons se tornou a voz emocional de uma geração durante seu último show no Brasil, atraindo jovens e crianças.
  • Dan Reynolds, vocalista da banda, fala abertamente sobre sua luta contra a depressão e ansiedade, tornando suas músicas um abrigo para os que se sentem deslocados.
  • As canções da banda, como "Demons" e "Believer", ressoam com os jovens e facilitam o diálogo entre pais e filhos sobre emoções complexas.
  • A psicóloga Paula Approbato destaca a importância da arte na saúde mental e alerta sobre os desafios da tecnologia na escuta empática das emoções humanas.

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Imagine Dragons: a trilha sonora de uma geração que grita por acolhimento Foto: Coke Studio / Eric Ray Davidson

Em seu último show no Brasil em outubro do ano passado, o Imagine Dragons esteve diante de uma plateia tomada por jovens, adolescentes e até crianças acompanhadas dos pais. Aquela apresentação aconteceu logo após o Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção do suicídio e à valorização da vida.

Não é exagero dizer que a banda se tornou a voz emocional de uma geração — e sua relação com o público vai muito além do pop rock energético ou das letras que gritam resistência.


O vocalista Dan Reynolds, que lidera o grupo desde 2008, nunca escondeu sua luta contra a depressão, a ansiedade, as crises de identidade e o impacto da repressão emocional vivida em uma criação extremamente rígida. E talvez seja justamente essa honestidade brutal que transforme suas músicas em abrigo para quem se sente deslocado, pressionado ou simplesmente confuso.

“As músicas do Imagine Dragons validam emoções que muitos jovens nem sempre sabem nomear, mas sentem intensamente"

“As músicas do Imagine Dragons validam emoções que muitos jovens nem sempre sabem nomear, mas sentem intensamente. Quando um adolescente ouve ‘It’s where my demons hide’, ele se sente compreendido — é como se alguém dissesse que tudo aquilo que se passa dentro dele não é fraqueza. É humano.”, afirmou a esta coluna a psicóloga Dra. Paula Approbato de Oliveira, que trabalha com avaliação neuropsicológica e psicoterapia de crianças, adolescentes e adultos.


Não por acaso, canções como Demons, Believer e Wrecked viralizam em playlists dos jovens, editadas em vídeos no TikTok e ressignificadas por jovens em momentos de luto, ansiedade ou raiva.

Paula tem uma hipótese clínica sobre esse fenômeno: “Crianças e adolescentes têm uma sensibilidade única para perceber o que é autêntico. E Dan Reynolds não performa dor como alguns artistas, que tendem a romantizar o sofrimento— ele compartilha e aponta o potencial de resiliência. Isso cria identificação imediata, especialmente entre jovens que estão tentando entender a própria mente.”


A psicóloga lembra que, na infância e adolescência, esses ídolos são importantes para a formação da personalidade — e, curiosamente, também criam pontes com os adultos: “Essas músicas auxiliam na comunicação entre filhos e pais. Quando os pais se abrem para escutar junto, conseguem acessar aspectos da mente dos filhos que talvez não emergissem numa conversa direta. A arte vira canal de diálogo e compreensão mútua.”

“Dan Reynolds não performa dor como alguns artistas, que tendem a romantizar o sofrimento— ele compartilha e aponta o potencial de resiliência"

Essa observação se conecta com um ponto que Dan Reynolds repete em entrevistas: que saúde mental não é estática e precisa ser observada constantemente. Em diversos momentos, ele atribuiu à música — e ao diálogo com o público — parte do processo de se manter vivo.


“A clínica tem muito a aprender com a arte. A pressa pela melhora e pela produtividade costuma mascarar sentimentos que são pertinentes ao desenvolvimento humano. E isso se agrava agora, com o avanço de tecnologias que prometem avaliar e tratar tudo em minutos, com algoritmos e inteligência artificial.”, alerta Paula Approbato.

A profissional não é contra a inovação, mas faz um alerta: “A tecnologia pode ser uma aliada, mas ela não escuta com empatia. Não percebe o tremor sutil na voz de um jovem que tem medo de errar. Não sente o peso do silêncio. O que todas as pessoas mais precisam hoje em dia é de alguém que as ouça de verdade e que as ajude a se orientar no meio de tantas informações confusas e exigências emocionais que são propagadas nas redes sociais.”

O show do Imagine Dragons vai muito além do entretenimento. Para milhares é uma catarse, uma validação de dores profundas. Uma espécie de terapia coletiva que acontece entre luzes, acordes e gritos.

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