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Apesar da história fraca, ‘A Noiva!’ é uma boa adição ao universo de Frankenstein

Filme, que traz uma nova versão dos monstros para as telonas, chegou aos cinemas na última quinta-feira (5)

Cine R7|Julia Pujar

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Divulgação

O monstro de Frankenstein é, sem dúvidas, um dos personagens mais famosos da cultura pop. Entre as versões mais fiéis ao livro de Mary Shelley, as mais monstruosas e as infantis, a criatura criou ao longo dos séculos um universo próprio, com elementos e personagens tão marcantes quanto o monstro. Uma delas é a famosa Noiva de Frankenstein, que ganha a chance de brilhar em A Noiva!.

No filme, ambientado nos Estados Unidos dos anos 1930, o solitário Frankenstein (Christian Bale) traz uma jovem (Jessie Buckley) de volta dos mortos para que ela seja sua noiva. Os dois então iniciam um romance selvagem, marcado por assassinatos, fugas da sociedade e uma busca pela própria identidade.


Em seu segundo longa na carreira de diretora, Maggie Gyllenhaal mostra um grande domínio dos personagens retratados. Frankenstein, que aqui assume o nome de seu criador, e a Noiva são uma dupla cativante, tanto como parceiros de crime quanto na relação romântica.

Muito do mérito é dos atores. Jessie Buckley compõe uma Noiva repleta de camadas e incertezas, navegando por sentimentos muito intensos e ainda sim conseguindo traduzi-los perfeitamente para o público. Uma atuação que ganha muito ao encontrar com a de Christian Bale, que cria um Frankenstein extremamente cativante, transitando entre solidão, medo, ódio, raiva e amor tão naturalmente que rouba a cena em diversos momentos.


O outro elemento para o sucesso é a progressão dos acontecimentos. Os crimes cometidos pelos dois, por exemplo, ganham grandes consequências e intensificam a perseguição de ambos. O mesmo vale para a coerência com que Frank, como é apelidado, e a Noiva escapam das situações que estão envolvidos e das perseguições da sociedade.

A reação do mundo aos monstros, inclusive, é um triunfo que uma narrativa mais “modernizada” comparada com a época da história original traz. Aqui, os aldeões viram civis em uma cidade movimentada, com muitas outras possibilidades de enfrentamentos e preconceitos.


A mudança de época também permite com que Maggie Gyllenhaal brinque com os estilos que diferentes versões de seus retratados estabeleceram. Há espaço, por exemplo, para introduzir uma paixão de Frankenstein pelo cinema da época, algo explorado na peça da Broadway Jovem Frankenstein, o que rende belíssimas cenas musicais. As composições são muito influenciadas pelo estilo gótico dos personagens, mas modernizadas, como é perceptível pelas cicatrizes de Frank e pelo cabelo arrepiado da Noiva.

Naturalmente, a maior inspiração do filme é o longa A Noiva de Frankenstein, de 1935, que estabeleceu a personagem apesar de pouco explorá-la. O desafio era, então, criar uma particularidade para a jovem, porém esse é justamente o ponto mais fraco de A Noiva!.


Individualmente, a protagonista coleciona falhas. Sua vida prévia é pouco explorada, apesar de ter uma grande importância narrativa, o que deixa o espectador com a sensação de ter sido deixado de fora. Há também uma tentativa de torná-la um símbolo feminista, mas que pouco tem efeito prático para além de diálogos e cenas brevíssimas, deixando a temática como um grande pano de fundo - assim como praticamente tudo que envolve suas particularidades.

Somando-se a isso personagens impactados pelas decisões da jovem que mudam suas opiniões sobre ela de uma hora para outra e um envolvimento com a máfia que não parece justificar sua relevância, a Noiva só se torna interessante em seu próprio filme quando - ironicamente - está acompanhada de Frankenstein.

Em geral, A Noiva! traz um relacionamento bem construído, que não só combina com a mitologia de Frankenstein como adiciona novas camadas interessantes, mas falha em seu propósito de existência. Com um visual cativante, cenas inspiradas e atuações excepcionais, o longa é capaz de divertir o público, contanto que ele se prenda apenas a uma parte da narrativa. O filme chegou aos cinemas na última quinta-feira (5).

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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