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Do instituto para crianças ao time de futebol para amputados: conheça legado dos Mamonas

Jorge Santana, primo do vocalista Dinho e CEO da marca Mamonas, explica as ações; confira!

Do Meu Tempo|Renato FontesOpens in new window

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Projetos sociais estão entre as ações que mantém viva a memória dos Mamonas Assassinas Montagem/R7 - Reprodução/Redes sociais

A morte dos Mamonas Assassinas completa 30 anos em 2026. A tragédia aérea que chocou o Brasil em 2 de março de 1996 interrompeu de forma precoce a trajetória da banda. Ainda assim, os Mamonas seguem mais vivos do que nunca no coração dos fãs.

Com humor escrachado, letras irreverentes e uma identidade única que até hoje não se repetiu, a banda formada por Dinho, Júlio Rasec, Samuel Reoli, Sérgio Reoli e Bento Hinoto continua atravessando gerações e despertando risadas, memórias e saudade.


Nesta entrevista, o blog Do Meu Tempo conversou com Jorge Santana, primo do Dinho, CEO da marca Mamonas Produções e presidente do Instituto que leva o mesmo nome da banda.

Ele fala de forma aberta sobre os 30 anos do acidente, o legado que os Mamonas deixaram para a música e a cultura pop brasileira, e como essa história continua sendo contada e celebrada até hoje.


Jorge também fala sobre os projetos atuais, como a recente criação de um inédito memorial ecológico com parte das cinzas dos integrantes da banda, os desafios de manter viva a essência dos Mamonas e como o grupo continua conquistando novos fãs mesmo depois de tanto tempo. Confira!

Ao longo desses 30 anos, como a marca Mamonas Assassinas foi construída e mantida viva, respeitando a história da banda e a conexão com os fãs?


Jorge: "Os projetos começaram a ganhar mais visibilidade a partir de 2015, com o musical Mamonas, quando passamos a nos organizar de forma mais profissional para atuar no mercado.

A partir dali, também incorporamos novas tendências, como o fortalecimento da presença nas redes sociais, entre outras iniciativas.


É um trabalho de construção diária, que nos permite levar a história dos Mamonas Assassinas a cada vez mais pessoas e manter vivo tudo o que a banda representou."

Fale sobre o Instituto Mamonas Assassinas

Jorge: “O Instituto Mamonas foi criado há cerca de quatro anos, quando, em parceria com o IGAFEL (Instituto Guarulhense de Atividade Física, Esporte e Lazer), colocamos de pé o projeto Mamonas Futebol para Amputados.

Nossa base é totalmente conectada à arte e à cultura, e temos um olhar muito sensível e atento ao autismo. Inclusive, nos shows da banda Mamonas Assassinas - O Legado, sempre contamos com a presença de pessoas autistas no público, o que nos traz uma alegria imensa.

Acreditamos que existem muitos talentos esperando apenas uma oportunidade, muitos “Dinhos”, “Júlios”, “Bentos”, “Sérgios” e “Samuéis” prontos para viver o seu momento.

Além disso, todo o nosso trabalho tem um caráter familiar, com a participação de pessoas muito queridas, como minha prima Grace (irmã do Dinho), minha esposa Norma Santana, Maurício Hinoto (irmão do Bento), entre tantos outros que somam conosco nesse projeto tão especial.

Com o Instituto, nosso objetivo é capacitar novos talentos, ensinando a compor, tocar instrumentos e atuar em diversas áreas onde o poder público quase não chega."

Como tem sido a experiência de rodar com a banda Mamonas Assassinas - O Legado pelo Brasil e pelo mundo?

Jorge: “É muito gratificante tudo o que vivemos até aqui. Tivemos a oportunidade de realizar um show em Portugal, justamente o país para onde eles viajariam no dia 3 de março de 1996. Também participamos do Brazilian Day Japan, onde reunimos um público de cerca de 25 mil pessoas.

Outro momento inesquecível foi o show em Caruaru, com mais de 65 mil pessoas presentes. Sem falar na turnê pelo Sul, que foi maravilhosa.

E as novidades não param por aí. Em julho (de 2026), vamos embarcar para uma turnê pela Europa, com apresentações na França, Londres, Suíça e Portugal.

Para nós, que levamos esse projeto como uma verdadeira família, ver milhares de pessoas cantando juntas, em um só coro, já faz valer todo o esforço, a dedicação e o carinho colocados em cada nova ideia."

Explique como funciona o projeto do BioParque que transforma os Mamonas em árvores e qual é o impacto dessa iniciativa para a sociedade

Jorge: “O BioParque propõe transformar os restos mortais dos Mamonas Assassinas em árvores, como forma de homenagem e preservação da memória.

As cinzas passarão a contribuir para o desenvolvimento das árvores desde a semente, que depois são plantadas definitivamente no solo.

O processo é dividido em duas etapas. Na primeira, acontece uma cerimônia intimista para o plantio da semente, com a possibilidade de escolha entre espécies como ipê-amarelo, jacarandá e sibipiruna.

Em seguida, as mudas permanecem de 12 a 24 meses em um centro de incubação, sendo acompanhadas e monitoradas por especialistas.

Após esse período, as árvores serão plantadas no Jardim Memorial do Cemitério Primaveras, em Guarulhos, onde os Mamonas estão sepultados, espaço que será aberto à visitação.

O impacto para a sociedade está na proposta de oferecer uma alternativa sustentável, simbólica e humanizada de homenagem.

O projeto fortalece a memória cultural dos Mamonas Assassinas e inaugura uma nova forma de memorial, alinhada a uma tendência mundial de ressignificação das despedidas humanas."

Na sua visão, qual é o principal fator que faz os Mamonas seguirem tão vivos na memória afetiva dos brasileiros, mesmo 30 anos depois?

Jorge: “Mamonas Assassinas estão profundamente ligados à memória afetiva do povo brasileiro e também de fãs em outros países. A banda desperta o que há de melhor dentro da gente.

Por isso, sempre que o nome Mamonas surge nas reuniões, a reação é quase imediata: vêm os risos, as lembranças e, logo depois, as perguntas. Quase sempre alguém completa dizendo: “Eu me lembro exatamente de onde estava no dia do acidente.”

Passadas três décadas da tragédia, qual você considera ser o maior legado deixado pelos Mamonas Assassinas?

Jorge: “Nesses 30 anos, sempre repito uma frase que carrego comigo: “Nunca tire a esperança de ninguém, pois pode ser a única coisa que ela tem”. Para mim, essa frase tem muito da essência dos Mamonas. É acreditar no impossível. O Dinho costumava dizer que “o impossível é só uma palavra inventada por quem desistiu”. E os Mamonas nunca desistiram.

Nós, enquanto marca e família, precisamos seguir esse exemplo. Mesmo diante de ventos contrários, seguimos em frente. A gentileza e o carinho da classe artística com a gente e com os projetos são algo muito especial.

Já realizamos trabalhos incríveis com diversos nomes, como Titãs, Alok, Vivi Seixas, Olodum, Nytron, Cezinha, Wm Davi, Kenap, a banda canadense Simple Plan, entre outros.

Ao longo desses 30 anos de Mamonas, o Dinho está presente em 100% das composições da obra. Logo atrás vem o Júlio Rasec, grande amigo e parceiro, seguido pelo Bento Hinoto. Por isso, sempre que posso, busco criar novas oportunidades para as canções, com releituras que ajudam a perpetuar esse legado tão bonito."

Na sua avaliação, por que, mesmo após 30 anos, ainda não surgiu uma banda com proposta e impacto semelhantes aos dos Mamonas Assassinas?

Jorge: “Ao longo dessa caminhada, percebemos o poder que a arte tem de curar dores profundas e apaziguar os medos mais intensos. Afinal, o sentido da arte se confunde com o sentido da vida: dar significado à existência de alguém. E, quando você se dispõe a dar sentido à vida dos outros, a sua própria vida também passa a fazer ainda mais sentido.

Foi a partir dessa visão que idealizamos o projeto Mamonas O Legado e seguimos trazendo novidades, como o projeto Mamoninhas, uma iniciativa lúdica que será apresentada com muito cuidado, adaptando as letras para o universo infantil. Nesse projeto, as músicas ganham historinhas e um contexto leve, divertido e acolhedor.

Lá no começo, quando a banda ainda era Utopia, eles não eram vistos como símbolo de vitória, mas sim como exemplo de persistência. Para a galera do bairro, eles sempre diziam, em tom de brincadeira: “Somos mundialmente conhecidos em Guarulhos”.

A persistência é o que nos move. É ela que nos faz buscar aquilo em que acreditamos, em vez de simplesmente aceitar o que nos é imposto. Nos olhos certos, você será sempre arte. E assim foram os Mamonas Assassinas.

Para meus tios (pais do Dinho) e para os pais dos outros integrantes, que viveram a dor dessa perda, talvez nada faça sentido. Encerramos com uma frase que traduz bem esse espírito: “O humor salva a paciência, que salva o amor, que salva todo mundo.”

Comente sobre a série produzida em parceria com a RECORD. O que o público pode conferir nessa produção?

Jorge: “A série da RECORD e o filme mostram a história de forma bem explicada, com menos cortes e várias cenas reais dos Mamonas que resgatamos do nosso arquivo familiar. É muito difícil contar uma história tão linda e intensa em tão pouco tempo, né?

Os Mamonas tiveram uma vida curta, mas gigantesca. Fizemos o que foi possível dentro do tempo e das condições que a produtora parceira teve. Trata-se de uma ficção baseada em fatos reais.

Para mim e para o Edson Spinello (diretor da série), Mamonas é piada pronta. A gente queria ter incluído muito mais do dia a dia deles, aqueles relatos incríveis que ficaram de fora, mas houve uma dinâmica diferente com o roteirista. Isso, inclusive, abre a possibilidade de, em um futuro bem próximo, fazermos algo ainda mais biográfico. Está tudo certo assim."

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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