Filha de piloto dos Mamonas Assassinas é perita e trabalha como voluntária em desastres
Ana Elisa Parreira Martins Chaves tinha apenas um ano de idade quando perdeu o pai no acidente aéreo envolvendo a banda em 1996
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Ana Elisa Parreira Martins Chaves tinha apenas um ano de idade quando perdeu o pai, Jorge Luiz Germano Martins, em 2 de março de 1996. Ele era o piloto do Learjet 25D, prefixo PT-LSD, que transportava a banda Mamonas Assassinas e se chocou contra a Serra da Cantareira, em São Paulo. Todos os ocupantes da aeronave morreram.
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Ela nunca teve a chance de chamá-lo de pai. As memórias que construiu ao longo da vida vieram de fotos e relatos da família. Inspirada pela trajetória dele, formou-se em odontologia e também se tornou perita.
Hoje, Ana Elisa integra um grupo internacional de voluntários e pode ser acionada a qualquer momento para atuar em desastres, inclusive aéreos. Ela faz parte da equipe responsável pela identificação das vítimas e pela comunicação com as famílias em momentos de perda.
No mês em que se completam três décadas da tragédia, Ana Elisa, hoje com 31 anos e casada, fala ao blog Do Meu Tempo sobre a dor de ter crescido sem o pai, o peso do julgamento público ao longo dos anos e como a história dele influenciou na escolha da carreira profissional.
Como essa tragédia mudou a vida da sua família?
Ana Elisa: “Uma morte repentina nunca muda só uma pessoa, ela muda uma família inteira. A minha cresceu em torno de um vazio muito grande, que era a ausência do meu pai, e ao mesmo tempo em torno de uma exposição que a gente não escolheu. Minha mãe precisou ser forte por dois papéis: o de viúva e o de mãe. E eu cresci dentro dessa história, mesmo sem memória direta dela.”
Como foi crescer com uma perda tão repentina e midiática, além das acusações?
Ana Elisa: “Além da perda do meu pai, herdei uma história. Antes de eu entender quem ele era, eu já sabia o que diziam sobre ele. Isso cria uma infância muito particular, porque você cresce tentando entender uma pessoa que você ama sem ter convivido com ela, enquanto todos acham que já sabem quem ela foi. Foi confuso, doloroso, mas também me deu, muito cedo, uma noção de justiça, de verdade e de ressignificação.”
Como é saber que o nome do seu pai está ligado a um dos maiores desastres da aviação?
Ana Elisa: “É uma mistura de orgulho e tristeza. Tristeza porque o nome dele aparece sempre no pior dia. Orgulho porque, apesar de tudo, eu sei quem ele foi de verdade, como homem e como profissional. Eu não consigo separar meu pai do acidente, mas também não aceito que o acidente seja tudo o que ele foi.”
Como isso despertou em você o desejo de ser perita?
Ana Elisa: “Minha escolha profissional não veio do trauma, veio da busca por verdade. Eu cresci vendo laudos periciais e fichas técnicas. Percebi como isso pode definir a memória de uma pessoa. Quando um laudo é feito, ele não fecha só um processo ou um caso, ele fecha uma história. Eu quis estar do lado de quem produz essas respostas, para que elas sejam feitas com rigor, humanidade e responsabilidade.”
Como você mantém viva a memória do seu pai?
Ana Elisa: “Mantenho viva a memória dele tentando ser alguém de quem ele se orgulharia. A memória não vive só em fotos. Tudo o que eu faço hoje, na minha profissão, na minha ética e na minha forma de lidar com as pessoas, tem a ver com isso.”
O que é o grupo internacional de voluntários em desastres?
Ana Elisa: “É uma equipe que atua quando ocorrem desastres em massa, ajudando na identificação das vítimas e no cuidado com as famílias. É um trabalho técnico, mas também profundamente humano. Para mim, tem um sentido especial… é transformar uma história de perda em um compromisso com verdade e respeito.”
Pretende ter filhos? Como contaria essa história?
Ana Elisa: “No futuro, sim. Mas, no momento, estou focada no meu crescimento profissional, estudando para alcançar o que venho buscando: passar no concurso público e me tornar perita criminal.
Mas, quando eu tiver meus filhos, vou contar essa história com amor. Vou dizer que o avô deles morreu em uma tragédia, mas que ele foi muito mais do que o dia em que morreu. O que eu quero passar para eles não é a dor, é o sentido que a gente consegue construir apesar dela.“
Se pudesse falar algo ao seu pai hoje, o que diria?
Ana Elisa: Eu diria: “Você não foi esquecido. Sua filha cresceu, construiu uma vida e transformou a sua ausência em propósito. E isso, de alguma forma, mantém você aqui. Te amo.”
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