Neta de Manoel Carlos relembra ‘bronca’ do avô e emociona web: ‘Leblon sem ele parece vazio’
Sofia Frank compartilhou homenagem ao avô e recordou um conselho dado durante a adolescência

A morte de Manoel Carlos, aos 92 anos, provocou uma onda de comoção nas redes sociais, e uma homenagem em especial chamou a atenção: a feita por sua neta, Sofia Frank.
Abalada, a jovem usou as redes sociais para se despedir do avô, que morreu no último sábado (10), e compartilhou registros da infância ao lado do autor. No texto, ela destacou a importância de Maneco não apenas em sua trajetória, mas também na história de tantos brasileiros.
“Eu ainda não sei o que dizer sobre a morte do vovô Maneco (ou vovô Marreco, como eu o chamava quando era criança). É impossível explicar de forma coesa tudo o que ele representa para mim. Ele escreveu quem eu sou. O meu mundo inteiro é visto e vivido a partir da maneira como ele escreveu. Vi muita gente dizendo que ele era o avô de todo noveleiro, e fico muito feliz de ter podido dividir, ainda que um pouquinho, desse imenso privilégio que foi ser sua neta”, escreveu.
Em outro trecho, Sofia abriu o álbum de memórias afetivas e relembrou momentos marcantes da convivência entre os dois, incluindo conselhos e cenas do cotidiano que hoje fazem ainda mais falta.
“As histórias, tanto das novelas quanto das anedotas, vão deixar um vazio irreparável. As tiradas, o humor, o olhar dele. Ele dizia: ‘Sofia, você é fotogênica, e isso resolve metade dos problemas da vida’. Dizia também que eu seria uma boa Ofélia, uma boa Anita. Quando criança, queria ir a todas as reuniões das novelas com as colaboradoras. Meu avô me pedia para cantar Maysa, e com oito anos eu ia lá e cantava ‘Meu Mundo Caiu’. Eu amava tudo naquele mundo porque era o mundo dele”, relembrou.
A neta do autor também contou um episódio da adolescência que chamou a atenção dos seguidores.
“Numa fase meio imprudente, postei uma foto com um copo de vodca. Ele me respondeu por e-mail. O assunto era: ‘Pense bem nisso’. No corpo do texto, escreveu: ‘Sofia, uma menina que se respeite não posa nem com um copo de leite’”.
No fim, o tom foi de pura saudade. Sofia descreveu cenas simples da rotina ao lado do avô que hoje parecem ainda mais dolorosas.
“Sinto falta de cada café na Argumento, de cada tarde ouvindo a rádio de música clássica da NET com ele na sala. Ele trabalhando no escritório, porta aberta, enquanto eu cochilava no sofá, ao som dele escrevendo. O Leblon sem ele parece vazio. É impossível imaginar um mundo pós-vovô Maneco, mesmo já vivendo nele”.
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