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Quando a espera pela vida vira lição

No hospital, ouvindo pacientes que aguardam por um transplante, entendi que jornalismo também é um exercício profundo de empatia

João Liberato Sem Roteiro|João LiberatoOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A experiência no hospital entrevistando pacientes à espera de transplante transformou a visão do autor sobre a vida.
  • A espera constante dos pacientes revela uma luta silenciosa e diária pela sobrevivência.
  • O autor reflete sobre a importância de valorizar relacionamentos e as pequenas coisas da vida.
  • A experiência destacou a necessidade de equilibrar empatia e profissionalismo no jornalismo.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

João Liberato em Construção: Pacientes na fila de transplantes de órgãos sofrem com a espera Reprodução/RECORD

O dia em que fui a um hospital entrevistar pacientes que aguardavam por um transplante mudou minha vida.

Eu já tinha sentido uma ruptura parecida quando perdi meu pai. A morte de alguém que amamos altera nossa percepção sobre o tempo, sobre a família, sobre o que realmente importa. A gente passa a valorizar mais os encontros, os abraços, as pequenas coisas.


Mas naquele hospital eu conheci uma realidade diferente de tudo o que já tinha vivido.

Ouvir pessoas que vivem em estado permanente de espera — sem saber se terão mais um dia, mais uma semana, mais um mês — é algo que desmonta qualquer superficialidade. São homens e mulheres que acordam todos os dias em guerra. Uma batalha silenciosa pela vida.


Ali, percebi o quanto reclamamos de coisas pequenas. Enquanto muitos discutem trivialidades, há pessoas longe de casa, longe da família, longe da própria rotina, lutando simplesmente para ver o dia seguinte nascer.

Aquela experiência me obrigou a reorganizar prioridades.


Tenho saúde. Tenho família. Tenho amigos. Tenho uma casa, uma cama, um cotidiano que, até então, parecia automático. Para eles, nada é automático.

Mas havia outro ponto: eu estava ali como jornalista.


Precisava fazer perguntas. Precisava conduzir entrevistas. Precisava manter o foco profissional enquanto ouvia histórias que atravessavam o peito.

Eu me emocionei várias vezes.

E esse talvez tenha sido um dos maiores desafios da minha carreira: equilibrar sensibilidade e profissionalismo. Como escutar relatos de quem luta pela própria sobrevivência e, ao mesmo tempo, manter clareza, técnica e responsabilidade narrativa?

Lembrei-me muito do meu pai. Ele também conduziu inúmeras reportagens difíceis. Muitas vezes voltava para casa emocionado, às vezes chorando. Ele via realidades duras, desigualdades gritantes — pessoas que não tinham nada, enquanto outras tinham tudo.

Aprendi com ele que é preciso demonstrar humanidade. Mas também é preciso ter força.

Demonstrar carinho quando ele é necessário.

E manter firmeza quando o trabalho exige.

Aquele hospital me ensinou mais do que qualquer manual de jornalismo poderia ensinar: contar histórias é, antes de tudo, um exercício de empatia — e de coragem.

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