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Um pai que ama o One Direction

"Pô pai, você não sabe quem é o Harry?"

|Domingos Fraga, especial para o R7

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"Prazer, nós somos o One Direction"
"Prazer, nós somos o One Direction" Cindy Ord

Um dia, que não era um outro qualquer, pois chovia um rio amazonas inteiro na cidade de São Paulo, uma das minhas filhas de incompreendidos 13 anos na época entrou rapidamente no meu carro a caminho do colégio, sentou-se ao meu lado, e ainda sem aquecer o assento disparou.

— Pai, você acha que o Harry é gay?


— Harry! que Harry?

— Pô! pai, você não sabe quem é o Harry?


Antes que as sinapses fossem feitas e pudesse responder que o príncipe Harry tem aquele jeitão esquisito da maioria dos ingleses, mas parece gostar da companhia de mulheres fui abatido por um olhar definitivo, estampado num rosto quase horrorizado que só os adolescentes sabem fazer.

O Harry em questão era outro, vim a saber logo em seguida. como penitência por não responder e não demonstrar o menor interesse na opção sexual de um completo desconhecido, ouvi entre a resignação e apoplexia, uma descrição minuciosa sobre os quatro rapazes ingleses e um irlandês que compõem a banda One Direction, a mais nova sensação das meninas que entram naquela fase onde os hormônios em descarada excitação começam a mudar a vida de pais e filhos ( para desespero dos primeiros).


O grupo está bombando e eu não sabia. Decidi que não ia mais ficar “brisando” (aprendi que é o cara que deixa a tartaruga vencer a parada). Hoje já me sinto capaz de responder sobre o One Direction. Ainda não me sinto em condições de cantar nehuma das músicas, mas também já não me considero mais um “lesado”. Fui capaz de realizar os doze trabalhos de Hércules de uma só vez quando escutei por intermináveis 117 minutos os dois álbuns lançados pela banda. Sim, dois.

Deus sabe que tentei introduzir algo mais, diria, criativo, no dia a dia musical das minhas filhas. Quando estamos no carro, só coloco música brasileira. E elas até curtem Caetano, Cazuza, Legião Urbana e, por mais que pareça estranho, Raul Seixas. Entraram a fórceps. Até o documentário sobre o eterno Maluco Beleza foram assistir. Enquanto eu me emocionava com a Metamorfose Ambulante de um gênio precocemente destruído, elas estavam lá no cinema ao meu lado. Dormindo, é verdade, mas presentes. Com meus ídolos eternos: Chico, Noel e Lupicínio preferi não arriscar. 


Melhor encarar o problema de frente. Elas gostam mesmo é do tal do Harry, Zayn, Louis, Liam e Niall. Em maio do ano que vem os caras vão estar no Brasil. Farão dois shows. Primeiro no Rio, depois em São Paulo. Ao que consta, os ingressos já estão totalmente esgotados. Semana passada foi dia de festa lá em casa. chegaram as duas entradas que permitem que minhas duas filhas estejam no dia 10 de maio de 2014 na pista premium do novo estádio do Palmeiras. Poucas vezes em seus 14 anos (são gêmeas) vi elas tão radiantes.

A compra destes ingressos já foi uma odisséia. Ficamos os três horas no computador esperando a largada. As meninas em êxtase. Mas também aflitas. Algumas colegas mais terroristas diziam que seria impossível. E quase foi para uma das amigas delas. Quando a garota achou que não conseguiria o tão sonhado ingresso, ficou desesperada.

Minhas tentativas de consolá-la esbarravam num choro copioso, próximo da histeria. Ao final, deu tudo certo e as três vão estar juntas para ouvir o som do One Direction.

Hoje, enquanto eu e meus filhos ouvíamos novamente no trajeto para o colégio Renato Russo perguntar "Que País é Este", minha filha também perguntou.

— Pai, vai ter um documentário do One Direction. Você vai com a gente no cinema, né?

— Vou, Gabi, vou.

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