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Bloco judaico pede paz em estreia no Carnaval 2020 de São Paulo

Comando da bateria ficou por conta do mestre "Presuntinho". O Kipá-rada Jewish Bloco uniu culturas judaica e brasileira, sem focar religião ou política

Virtz|Mariana Morello, do R7

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Leonardo Mizrahi, idealizador do Bloco, segurando cartaz com pedido de paz
Leonardo Mizrahi, idealizador do Bloco, segurando cartaz com pedido de paz

Um pedido de paz ecoou nas ruas de Higienópolis, região central de São Paulo, no último dia de Carnaval. A mensagem veio ao som de marchinhas, músicas em hebraico e outros sucessos incluídos no repertório do Kipá-rada Jewish Bloco, estreante no Carnaval 2020. O desfile uniu as culturas judaica e brasileira em uma festa sem relação com preceitos religiosos ou posições políticas.

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Em um momento especial do cortejo, músicos e foliões, em roda, cantaram uma música em hebraico com refrão em árabe, pedindo paz não só no Oriente Médio, mas em todos os lugares que sofrem com violência. “Além do Carnaval ser democrático ele é resistência, um jeito de manifestar artes. Em se tratando de um bloco judaico, tinhamos obrigação de pedir paz. Enquanto estiverem brigando estaremos pedindo paz”, afirma o publicitário e idealizador do bloco, Leonardo Mizrahi, de 34 anos.

Para ele, o principal objetivo é passar a mensagem de diversão, alegria, cultura e unicidade para o maior número de pessoas. "Quem é judeu e brasileiro se conecta com as duas essências, então resolvemos criar uma ocasião tanto para eles como para quem quer se aproximar dessas culturas", conta o idealizador. 


Leonardo, que é percussionista e já toca no Carnaval, estava tocando um samba quando ouviu o arranjo da música judaica 'Ossê Shalom' (pratique a paz) na cabeça e percebeu que as duas coisas combinavam. Ele trouxe essa mistura para o repertório do bloco, que inclui diversos ritmos brasileiros, tocando Jorge Ben Jor, Gilberto Gil e canções judaicas tradicionais.

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Junto com o co-fundador, Mark Rosental, Leonardo idealizou o bloco há três anos e realizou o primeiro show em novembro do ano passado. Foram quatro horas de bloco pelas ruas do bairro tradicionalmente judaico do centro da capital. “O Carnaval é democrático, usamos desse espaço para juntar culturas e pessoas. Lá a gente viu judeu e não judeu juntos de mãos dadas, fazendo a roda e celebrando”.

De acordo com Leonardo, o objetivo foi alcançado. Mais de 400 pessoas de todas as idades e religiões estavam presentes no desfile, incluindo o "Presuntinho", mestre da bateria. Curiosamente, a tradição judaica não permite o consumo de carne de porco. O músico, chamado Diogo Fernandes, foi reapelidado de "kosherzinho", em referência aos alimentos que vão de acordo à lei judaica. Ele lidera o grupo também em eventos particulares e corporativos ao longo do ano. 

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