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Carla Cunha, campeã mundial de surfe PCD: 'Amputar a perna foi o começo de uma nova história'

Em entrevista exclusiva ao Virtz, a atleta diz que o grave acidente de moto que sofreu não tirou sua vontade de viver. Pelo contrário.

Virtz|Thaís Sant'Anna, do R7


Carla Cunha ganhou o primeiro campeonato mundial de surfe na categoria PCD
Carla Cunha ganhou o primeiro campeonato mundial de surfe na categoria PCD

Há cerca de sete anos, a vida de Carla Cunha mudou completamente.

A surfista pernambucana, de 41 anos, que ganhou no último domingo (23), no Espírito Santo, o ArcelorMittal Wahine Bodyboarding Pro, campeonato mundial de bodyboarding exclusivo para mulheres, na categoria PCD, sofreu um grave acidente de moto em 2016 e teve que amputar a perna esquerda. 

Em conversa exclusiva com o Virtz, Carla admite que foi um choque quando, após três dias desacordada no hospital, foi informada pelo médico o que havia acontecido, mas que agradeceu por estar viva – na batida, ela chegou a ser arremessada para a pista contrária e, na queda, atropelada.

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“Pela gravidade, segundo o médico, se eu não tivesse recebido um socorro imediato, teria morrido. Então, agradeci a Deus pela oportunidade de me manter viva. Sempre fui para o lado positivo, de poder continuar com os planos, os sonhos que eu tinha naquela época”, conta.

Apesar do otimismo, Carla lembra que a adaptação em sua nova realidade foi difícil. “Eu passei pela fase do luto que a gente vive após a perda do membro, né? Porque eu queria voltar a ser como eu era antes, fazer as coisas tudo como eu fazia antes. E isso, querendo ou não, deprime muito. Mas foi por pouco tempo até aceitar a minha condição”, lembra ela.

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Carla Cunha
Carla Cunha

Como o surfe entrou na vida de Carla

Em 2021, o marido de Carla, Renato Melo, começou a surfar por lazer. “Eu o apoiei porque sempre gostei muito de estar na praia. O primeiro desejo que eu realizei depois de passar pela fase da cicatrização foi tomar um banho de mar”, explica a atleta.

“Então, um dia, ele perguntou se eu queria pegar uma onda com ele. Topei e ele me colocou em cima da prancha e eu desci uma onda. Foi a melhor sensação que senti na minha vida. Foi uma coisa muito surreal”, completa.

Desse dia em diante, Carla passou a treinar surfe sozinha. Até que em 2021, conheceu Vagner Andrade, campeão brasileiro de surfe PCD e conselheiro da CBRASB (Confederação Brasileira de Bodyboarding). “Ele me chamou para fazer parte do projeto de inclusão de pessoas com deficiência no surfe e eu, de cara, aceitei”, recorda.

Carla passou a participar de alguns campeonatos até que, no último domingo (23) venceu o primeiro campeonato mundial de surfe PCD. “Ainda não estou acreditando. Está sendo muito bom, porque estou encorajando também outras pessoas. Depois que a gente passa por um processo de amputação, a gente não se identifica muito com os esportes. Ainda mais um de alto rendimento e que muita gente, mesmo sem ser PCD, não tem coragem. Mas eu estou muito feliz, muito grata a Deus”, declara.

Carla Cunha e o marido, Renato Melo, que a incentivou a surfar
Carla Cunha e o marido, Renato Melo, que a incentivou a surfar

"Vejo a amputação como um recomeço"

O surfe trouxe para a atleta, que antes do acidente trabalhava como vendedora e não praticava esportes, uma nova perspectiva, além de motivação para seguir em frente. “O que eu digo para todas as pessoas é que existe muita vida após a amputação. A gente acha, no momento de desespero, de muitas dores, que é o fim do mundo. Mas vejo a amputação como um recomeço, de fazer tudo novo, aprender coisas novas”, ensina ela.

“O que mais falo para pessoas que estão passando por algo parecido é que busquem referência, como eu fiz para começar a ir para a academia e para surfar. Se você ver uma pessoa fazendo, sabe que também é capaz. A amputação na minha vida foi o começo de uma nova história. Não troco a vida que eu tenho hoje por nenhuma outra que eu já tenha vivido”, afirma.

Carla Cunha ganhou primeiro campeonato mundial de surfe na categoria PCD
Carla Cunha ganhou primeiro campeonato mundial de surfe na categoria PCD

Sem patrocínio

Carla ainda banca do próprio bolso sua participação em provas, além da compra de equipamentos e viagens. As competições que ela ganha ajudam, como o prêmio de 300 dólares que recebeu pelo campeonato mundial.

“Geralmente, faço campanhas e rifas para poder conseguir viajar. A gente vai se virando, vendendo uma coisinha aqui, outra ali para poder juntar o dinheiro e participar dos campeonatos", conta.

O sonho de Carla é conseguir viver do esporte que tanto mudou sua vida. “Como os profissionais conhecidos mundialmente, que tem patrocínio e que conseguem ter uma vida bacana, graças ao esporte. Eu tenho esse desejo e estou correndo e lutando para isso”, avisa.

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