Voluntários fazem festa de Natal para crianças com câncer em SP
Teve mesa com comidas, presentes e Papai Noel. Os pequenos em tratamento e os pais tiveram um momento de esperança e confraternização
Virtz|Joyce Ribeiro, do R7

Uma mesa farta com tudo aquilo que criança gosta: brigadeiro, beijinho, bolo de chocolate, sanduíches, empada, esfiha, refrigerante e panetone, afinal, é Natal! A ceia foi providenciada pelos voluntários do GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), que é referência no tratamento do câncer infantojuvenil.
Com músicas natalinas, a quimioteca, um espaço lúdico desenvolvido para oferecer conforto a crianças enquanto recebem as medicações, foi adaptada para a ceia. Brinquedos e comidas ocuparam as bancadas.
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Maria Cecília Serino de Carvalho tem 6 anos e passou o Natal com a mãe e o irmão João Lucas, de 4 anos, que há 9 meses está em coma. Apesar da internação, Maria aproveitou a festa: "foi muito divertido, fiquei com meu irmãozinho, fui dormir 2h da madrugada e ganhei uma boneca do Papai Noel".
A mãe Tamires Cristina Serino conta que este é o 3º ano que ela passa as festas longe de casa. A família é de Pernambuco. O filho tem um tumor super agressivo no cérebro e luta pela vida, apesar de já ter sido desenganado. "Eu acredito em Deus e Ele pode todas as coisas. Meu filho está se desenvolvendo, está gordinho, é como se estivesse dormindo. Eu creio em um milagre na vida do meu filho", revelou Tamires.
A festa foi idealizada para que as crianças, que não puderam ter alta, pudessem aproveitar a data e tivessem a oportunidade de curtir um momento de felicidade.
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Jéssica Fragata da Silva é mãe da Laura, de 1 ano e 7 meses. A criança tem um tumor cerebral e se divertiu tocando o sino do Papai Noel. A mãe, que é de Francisco Beltrão, no Paraná, está longe da outra filha Julia, de 4 anos. "Coração aperta, mas aqui é o melhor lugar para a Laura. Eu não sabia dessa festa, mas achei muito bonito, acolhedor pra gente que está numa situação difícil", contou Jéssica.

"Fazer o bem faz bem"
Maurício Folco é o Papai Noel do GRAACC há 13 anos e nesta quarta-feira (25) não foi diferente. Ele recebeu sorrisos das crianças que recebiam medicação na veia e estavam em tratamento. A pequena Alma, que é da venezuela, esperou ansiosa pela chegada do bom velhinho. "Vir aqui no dia 25 faz toda a diferença. Olhe, quase todo mundo desaparece", disse.
Depois de tirar fotos e entregar presentes, ele fazia questão também de abraçar os pais e dizer que "é em função de vocês que estou aqui, vai dar tudo certo". Maurício coordena 86 voluntários do setor de quimioterapia e nunca deixou de se emocionar: "o dia que a gente não se emocionar mais aqui dentro, o voluntário não serve mais porque aqui a gente chora junto, ri e festeja com as mães".
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Simone Borges dos Santos não conteve as lágrimas. A filha Mary Fernanda, de 8 anos, tem leucemia e fez um transplante no dia 6 de novembro. As duas estão distantes há 3 meses do restante da família, que ficou em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.
A mãe afirmou que "fé e medo andam lado a lado". E completou: "hospital é sempre ruim, mas ações como essa fazem a gente dar uma viajada e, por uns momentos, a gente esquece que está no hospital no Natal. A gente precisa de um abraço". Simone está em um abrigo e deve deixar São Paulo em fevereiro.
Cindy Daniel Brito Augusto é coordenadora da área de apoio à assistência do GRAACC e conta que participa do Natal na instituição há 10 anos. "A gente faz tudo e a sensação é a melhor possível. Muita gratidão. Me sinto bem em estar com as crianças e as mães, sair um pouco do nosso mundinho. Isso não tem explicação e não tem preço", finalizou a voluntária.
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As crianças também receberam a visita do Doutor Tartaruga, um personagem criado para alegrar os pequenos. Janaína Brandi é voluntária no projeto "Tartarugas do Bem" e explica o significado da data: "Natal a gente comemora com amor. Doar amor é o mais importante. Fazer o bem faz bem. A gente faz isso com o coração, este é o verdadeiro sentimento do Natal".
A voluntária é representante comercial, mas trabalha sempre com crianças com câncer. Ela tem dois filhos: de 13 e 10 anos, e doa seu tempo no projeto: "o brincar é um remédio, a criança vibra em outra energia e o amor cura".
Amor que não se mede
Cintia Liliane Vila Nova mora em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, e é mãe de Symon Styven, de 1 ano e 4 meses. Ele é adotivo, mas ela acompanhou até mesmo o nascimento da criança. Symon tem um câncer do fígado, que reapareceu depois de 6 meses do fim da quimioterapia. A única opção agora é um transplante.
A mãe tem outros 3 filhos de 22, 18 e 16 anos e sai 3h30 da madrugada de casa para ir até a sede do GRAACC. Ela passa o dia inteiro fora para o tratamento do filho: "vivo de ajuda. Abandonei 17 anos de empresa porque eu preciso ficar com ele o tempo todo. A família sofre junto".
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O garotinho é um guerreiro, já teve AVC (Acidente Vascular Cerebral), 5 choques sépticos, fez diálise, perdeu alguns movimentos, mas já está se recuperando. "Eu carrego o troféu do milagre porque aqui ele é conhecido como ´leãozinho´ pela garra que ele tem de viver", diz emocionada.
Antes do meio-dia, a maioria dos pacientes foi para casa com a família, numa breve pausa no tratamento, mas nesta quinta-feira (26) a luta contra a doença continua.
Mesa de Natal montada na sede do GRAACC nesta quarta-feira para as crianças e pais que não puderam deixar de dar continuidade ao tratamento contra o câncer
Mesa de Natal montada na sede do GRAACC nesta quarta-feira para as crianças e pais que não puderam deixar de dar continuidade ao tratamento contra o câncer


























