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Dianna Macedo e Teca Cavalcanti: duas mulheres e a confeitaria artesanal na Tijuca

Dianna Bakery firma na identidade dos produtos a estratégia de negócio que pratica a gestão humana e a criação autoral

Aprendiz de Cozinheira|Aline SordiliOpens in new window

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Dianna Macedo e Teca Cavalcanti, da Dianna Bakery, na Tijuca, no Rio de Janeiro
Dianna Macedo e Teca Cavalcanti, da Dianna Bakery, na Tijuca, no Rio de Janeiro Divulgação

A história da Dianna Bakery não começa com uma receita, mas com uma decisão tomada no meio da pandemia. Enquanto a gastronomia encolhia, equipamentos eram vendidos às pressas e cozinhas fechavam, duas mulheres escolheram abrir um negócio próprio na Tijuca, no Rio de Janeiro, apostando em identidade, planejamento e trabalho artesanal.

“Eu sempre tive o sonho de ter um outro negócio”, conta Dianna Macedo, confeiteira desde os 19 anos, com passagens por hotéis, restaurantes, navios e anos de atuação em consultorias. Técnica nunca foi o problema. O desafio era encontrar o momento certo. E ele veio justamente quando tudo parecia dar errado.


Ao lado de Teca Cavalcanti, advogada com experiência em alimentação coletiva e gestão, Dianna decidiu abrir uma confeitaria pequena, pensada para reduzir riscos e preservar autonomia. “A gente tinha que abrir um negócio pequeno porque, se não desse certo, ia custar menos pra fechar.”

Uma confeitaria pequena, uma fila grande

A primeira versão da Dianna Bakery funcionava em um espaço de 18 metros quadrados por andar, com proposta de grab and go, pegue e leve. Não havia mesas. Não havia promessa de sucesso rápido. No térreo, a loja. Nos outros dois andares, escritório e produção. Era uma ideia muito bem executada. “Na primeira semana, a fila chegou na esquina”, conta Teca.


Dianna produzia na cozinha com uma assistente. Teca atendia. As noites viraram extensões do dia. Ainda assim, elas escolheram observar antes de acelerar decisões. Sabiam que todo negócio recém-aberto passa por um pico inicial antes de se estabilizar.

O público voltava e pedia lugares para sentar. “A gente criou um ambiente onde as pessoas queriam permanecer. Não era só o produto.”


A confeitaria cresceu porque nasceu com identidade. Música, estética, cuidado com o espaço e com a experiência. Algo novo para o bairro. Algo impossível de ser reproduzido como franquia.

Desde o início, a Dianna Bakery se recusou a virar mais uma. “Tem aquela síndrome da quiche com salada”, afirma Dianna. “Tudo que é confeitaria e café vira isso. Daqui a pouco está servindo picadinho. Não dá.”


O conceito de clássico artesanal surge como limite, não como slogan. Trabalhar com referências que as pessoas reconhecem, mas sempre reinterpretadas. Pudim, bolo e mousse existem em todo lugar. A Dianna Bakery precisava oferecer algo que só existisse ali.

“A gente faz coisas que ninguém faz. Isso faz a pessoa ter que vir aqui”, afirma Teca. Daí nascem criações como o crème brûlée de manjericão, o Nevou na Tijuca e o tijo croque. Produtos que combinam técnica, repertório e observação do cotidiano de Dianna. “Criatividade não se ensina. Técnica se aprende.”

Criar com o bairro, não apesar dele

A Tijuca não aparece como pano de fundo neutro. Ela participa das decisões. “A Tijuca é uma panela de pressão”, diz Dianna. O calor, o ritmo e o perfil conservador do bairro entram no processo criativo.

O Nevou na Tijuca nasce dessa leitura sensível do território, que é um baked alaska servido no calorão do bairro. O mesmo acontece com os produtos de datas comemorativas, como Natal, Páscoa e Dia das Mães, sempre pensados com antecedência. “Em agosto a gente já tinha o cardápio de Natal.”

Poucos produtos, processos viáveis e frescor garantido. “A gente não é fábrica. Não vai congelar 200 tortas.” Tudo é absolutamente fresco.

Gestão feminina no dia a dia

A liderança de Dianna e Teca se constrói na prática. Desde o início, decidiram criar a empresa onde gostariam de trabalhar. “Vamos montar uma empresa onde, se fôssemos funcionárias, trabalharíamos felizes.”

Isso aparece em decisões concretas: escala justa, ambiente respeitoso e uma prática rara na gastronomia. A comissão é dividida igualmente entre todos. “Aqui, se um deixa de vender, todo mundo deixa de ganhar”, conta Teca.

Cozinha, atendimento e limpeza caminham juntos. O resultado é um ambiente colaborativo, com baixo índice de rotatividade e impacto real na vida das pessoas. “As pessoas chegam muito traumatizadas com o mercado de gastronomia. E aqui elas transformam a vida delas”, afirma ela.

Duas sócias, limites claros

Dianna e Teca dividem decisões e responsabilidades. “A gente decide tudo junto, mas cada uma tem setores onde a palavra final é sua”, diz Dianna. Não há investidor. Não há franquia. Não há pressa em crescer do jeito errado. “Isso aqui é nosso filho. Franquia não é uma possibilidade.”

O futuro inclui novos projetos ligados à alimentação, sempre com presença direta das duas e manutenção do caráter artesanal. “A graça da cozinha é o campo infinito. O desafio é continuar surpreendendo”, conta Dianna.

A Dianna Bakery se tornou um endereço querido da Tijuca, mas também um exemplo de empreendedorismo feminino que cresce sem perder identidade. Um negócio que entende que técnica, criação, gestão e cuidado com pessoas não competem entre si. Crescem juntos.

Dianna Bakery

Endereço: Rua Dona Delfina, 14 – Tijuca, Rio de Janeiro, Metrô: Estação Uruguai, saída C

Instagram: @diannabakery

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