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Aprendiz de cozinheira

Novo jeito de viver redesenha a comida da cozinha ao prato

Experiência doméstica, saúde, conveniência e criatividade explicam por que comer deixa de ser só refeição e vira escolha consciente

Aprendiz de Cozinheira|Aline SordiliOpens in new window

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Tendência do café profissional em casa, com a fusão da tecnologia com o bem-estar
Tendência do café profissional em casa, com a fusão da tecnologia com o bem-estar Gemini IA

Sabe aquela sensação de que a comida deixou de ser só comida e virou programa, ritual, cuidado e até assunto de conversa? É bem isso que aparece nas tendências mais recentes em gastronomia, alimentação e bebidas indicadas pelo relatório norte-americano Trend Hunther 2026, um relatório que eu sigo há uns 10 anos e amo para qualquer área da vida.

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Neste ano, as principais tendências de gastronomia apresentadas pelo Trend Hunther 2026 podem ser divididas nas categorias principais abaixo:

  • experiência gourmet doméstica;
  • sustentabilidade e tecnologia;
  • adaptação nutricional e bem-estar;
  • snacks funcionais e conveniência;
  • fusão de sabores culturais;
  • colaborações criativas.

A descoberta é simples e bem interessante: comer virou uma combinação de prazer e estratégia. Estratégia de tempo, de dinheiro, de saúde, de humor, de socialização.


E, talvez o mais curioso, é que esse futuro não está distante. Ele já está acontecendo em pequenos detalhes, como uma chaleira bonita na bancada, um app que salva o que ia para o lixo, um hambúrguer com formigamento na boca ou um smoothie “para dormir melhor”.

A gastronomia, mais do que nunca, é o espelho do nosso jeito de viver. E isso, para quem gosta de cozinha, é sempre um prato cheio. O consumidor está mudando o jeito de comer e beber por um motivo simples: a vida ficou mais cara, mais corrida e mais estressante. A resposta vem com criatividade, tecnologia e um desejo enorme de transformar pequenas rotinas em momentos gostosos.


O primeiro movimento é dentro de casa. A experiência gourmet doméstica virou uma espécie de nova “saída para jantar”, só que com pantufa e playlist. A onda do “café em casa” está enorme. Muita gente está recriando a sensação de cafeteria no próprio lar: bebidas artesanais, decoração aconchegante, cantinhos com poltrona, mesa de apoio, xícara bonita e aquele cuidado nos detalhes sensoriais.

Os amantes de café estão transformando a bebida em uma experiência emocional. Com o preço dos cafés subindo, a ideia ganhou ainda mais força, levando qualidade para dentro de casa sem torrar todo o dinheiro em café duvidoso na rua.

E as marcas estão surfando isso com força. A norte-americana Williams-Sonoma, por exemplo, aparece com a Coleção Breville Brass, uma linha em tom de latão, bem “café de revista”. A Laybird Coffee lançou a MagAttach, balança magnética minimalista para quem entra no modo barista com seriedade (eu ainda não estou nesse nível, mas já comprei um super moedor).

A DREO tem o BaristaMaker, espumador inteligente que faz arte latte, e o mercado de prontos também entra na jogada, como o Arctic Coffee Vanilla Latte em embalagem de um litro. Para completar o kit, a SAKI Baristan Gooseneck virou símbolo de chaleira elétrica moderna, do tipo que deixa o cantinho do café bonito mesmo quando está desligada.

O café também escapou da cozinha e foi parar na mochila. A tendência do “café de acampamento” nasce do mesmo desejo de ritual, mas com outra estética: portabilidade, aventura e praticidade.

Marcas estão criando máquinas de espresso portáteis com design durável, bateria de longa duração e até recursos extras como luzes ou conectividade por aplicativo. É um produto feito para adultos em movimento, que vivem com agenda cheia e tempo livre contado, mas ainda querem qualidade.

Muitas dessas máquinas chegam por crowdfunding, com promessa de confiabilidade e conveniência. Entre os exemplos destacados estão BrewPin, que usa o método Moka Pot; BREVOY, que melhora a experiência on-the-go; Staresso Plus, que atinge 20 bars de pressão; além de variações como máquinas portáteis para casais, versões ajustáveis e cafeteiras 3 em 1.

O churrasco também ganha protagonismo e deixa de ser visto como “para ocasiões especiais” e passa a ser uma atividade para o ano inteiro. A tendência do defumador indoor surge para resolver uma dor clássica: a sazonalidade.

Muita gente ama churrasco não só pelo sabor, mas pelo lado social, comunitário, quase um evento em torno da comida. Só que, em muitos lugares, o uso depende de clima, espaço e ventilação. Por isso, marcas estão lançando churrasqueiras defumadoras internas com filtros de ar, seguras e pensadas para bancada, sem necessidade de ventilação externa.

Entre os exemplos, aparece a SEERGRILLS Perfecta, apresentada na CES 2024 como um design de churrasqueira de ponta alimentado por IA. Também entram o GE Profile Smart Indoor Smoker, posicionado como rápido e conveniente, e o ASMOKE Skylights, defumador de pellets de madeira com recursos de autolimpeza.

O segundo grande eixo dessas tendências junta sustentabilidade e saúde, com um detalhe importante: aqui a tecnologia aparece como ferramenta prática, não como promessa futurista. Na “redução por IA”, o foco é diminuir o desperdício de alimentos em casa.

As novas ferramentas analisam padrões de descarte, listas de compras e refeições feitas, e devolvem recomendações objetivas: comprar outra quantidade, mudar a receita, reaproveitar melhor, planejar com mais inteligência.

A combinação que impulsiona essa tendência é a preocupação ambiental e o custo de vida mais alto. Entre os exemplos destacados estão wAIste, que combate o desperdício de várias formas; Hellmann’s, que gera receitas baseadas no conteúdo da geladeira; Orbisk, que monitora desperdício em cozinhas para otimizar receitas; SnapSnack, que transforma ingredientes em refeições; e KITRO, uma ferramenta universitária para otimizar o uso de alimentos.

A hidratação também entrou no pacote do “mais prático, mais saudável, menos plástico”. A tendência de filtração de mesa traz sistemas compactos para uso direto sobre mesas e bancadas, com água purificada sob demanda e sem instalações complexas.

Design e praticidade são centrais. O insight aqui é o aumento a preocupação com saúde, sustentabilidade e redução de garrafas plásticas, então soluções acessíveis e bonitas passam a integrar o estilo de vida.

E tem uma tendência que conversa com o humor da época de um jeito quase óbvio: bebidas antiestresse. Marcas estão criando bebidas para aliviar o estresse trocando ingredientes associados a picos e ansiedade, como açúcares processados e cafeína, por alternativas calmantes, como magnésio e juba de leão.

A ideia é oferecer energia mais saudável e, principalmente, mais estável. O insight parte de uma realidade simples: muita gente vive no modo “alta rotação”, equilibrando trabalho, vida pessoal e saúde, com pouco tempo e muita pressão.

Nem sempre o consumidor percebe o quanto a dieta afeta a saúde mental e física, já que açúcar e ultraprocessados podem aumentar frequência cardíaca e manter o corpo em estado de alerta.

Para ajudar a regular estresse e sono, marcas estão oferecendo bebidas com posicionamento de calma. Entre os exemplos destacados estão AVVIA, com impulso natural sem cafeína; TRIP x Calm Cucumber Mint, mistura consciente voltada ao alívio do estresse; Smoothie King Sleepy Girlzzz, smoothie com cereja azeda inspirado em mocktail viral; Floatmilk Original Oatmilk + Adaptogens, leite alternativo adaptogênico que ganhou o World Dairy Innovation Award; e Amai’s Drinks, água de flor de hibisco espumante com sabor e benefícios.

O terceiro eixo é um dos mais impactantes para o mercado de alimentos nos próximos anos. Mais uma vez aparece aqui a adaptação nutricional com influência direta dos medicamentos GLP-1.

Primeiro, surge a comunidade GLP-1, com aplicativos e sites criando recursos sociais de apoio: fóruns, planejamento de fitness e dieta, e conexão com profissionais de saúde. O insight aponta que o número de usuários continua crescendo, mas há riscos de complacência (confiar só na medicação e ignorar hábitos) e de efeitos colaterais imprevistos.

Por isso, empresas estão criando serviços para suportar essas necessidades. Entre os exemplos destacados estão Yolohealth, que fornece ideias de refeições por IA e conecta usuários; Nestlé Health Sciences, com site de nutrição GLP-1; Joi, que combina medicamentos GLP-1 com coaching 1:1; e MyFitnessPal, com plano específico para usuários de medicação GLP-1.

Na sequência vem a resposta GLP-1, em que marcas de alimentos ajustam porções e composição. Com consumidores comendo menos e buscando refeições menores com alta densidade nutricional, o mercado de CPG reage com produtos menores e mais ricos em proteína e fibras.

O insight é direto: GLP-1 está mudando dramaticamente a indústria. Consumidores compram menos sobremesas não saudáveis e preferem opções que entreguem nutrição de forma concentrada.

Marcas e restaurantes ajustam receitas para atrair esse público. Entre os exemplos destacados estão Conagra, alterando produtos em resposta ao GLP-1; Nestlé Vital Pursuit, linha para usuários de GLP-1; GNC, adicionando seção GLP-1 em 2.300 lojas nos EUA; e Atkins, revitalizando o negócio para usuários de GLP-1.

A vida corrida também aparece com força no bloco de snacks e conveniência. Só que o snack mudou de papel. Ele deixou de ser “besteira” e virou ferramenta de rotina, com proteína e funcionalidade.

A tendência do frango em formato de snack traz palitos temperados à base de frango real, pensados para lanches portáteis, ricos em proteína e saborosos. O insight aponta a pressão do consumidor moderno por equilibrar saúde, tempo e prazer.

Com rotinas aceleradas e busca por alimentação mais limpa, cresce o desejo por lanches que ajudem a bater metas nutricionais diárias, especialmente proteína, sem exigir preparo.

A tendência de snacks funcionais se intensifica como suporte para rotinas ativas e orientadas ao bem-estar. Exemplos destacados incluem FATTY Buffalo Chicken Stick, com proteína picante on-the-go; New Primal Rotisserie-Seasoned Chicken Sticks, totalmente natural; Slim Jim x Buffalo Wild Wings, palitos em dois sabores; Hungry Boar Snacks, quatro sabores para adultos; e Greenridge Naturals Ridge Packs, três opções com ingredientes frescos.

Ainda na lógica do “adulto também precisa de lancheira”, surge a tendência da lancheira para adultos, com kits de almoço estilo escolar, vendidos como solução para quem tem agenda lotada. Eles combinam biscoitos, frutas, queijos e outros itens em refeições pré-embaladas que eliminam o estresse da preparação matinal e facilitam comer de forma equilibrada em movimento.

O insight aqui é clássico e verdadeiro, já que o preparo de refeição costuma perder para a agenda. É aí que muita gente escolhe a opção rápida, nem sempre a melhor. Em resposta, marcas criam caixas com múltiplos alimentos para economizar tempo e diversificar o consumo, oferecendo ingredientes de qualidade em formato “charcutaria portátil”.

Entre os exemplos estão MrBeast, Logan Paul e KSI’s Lunchly, que tenta tornar almoços escolares divertidos; Belgian Boys’ Breakfast All Day, que combina mini waffles com queijo Babybel; Sargento Fun! Balanced Breaks, com queijos e biscoitos em três opções; e Greenfield Natural Meat Co., com kits ricos em nutrientes e carne “elevada”.

A parte mais divertida do mapa de tendências do Trend Hunther 2026 é a fusão de sabores e inovação. E aqui vale um aviso: o consumidor quer história para contar.

A tendência do hambúrguer adormecedor mistura temperos e óleos de pimenta sichuan chinesa com o hambúrguer americano. O nome vem do efeito sensorial, aquele leve formigamento. E não é só carne bovina: pode ser frango ou vegetariano.

O insight mostra o quanto fast food e comida de rua são experimentais, com lançamentos limitados frequentes para testar combinações. O consumidor virou caçador de novidade, mesmo que experimente só uma vez.

Para atrair esse público e oferecer um perfil cultural diferente, restaurantes adotam a pimenta sichuan. Exemplos destacados: McDonald’s Singapura, com itens Mala Chicken; Hello Oriental, com hambúrguer de frango frito e chilli Sichuan; Junk Smash Burgers e 3 Fois, com colaboração “The Smash Sichuan”; e Bingz Burger’s Healthy Veggie, com o tempero adormecedor.

Como vocês sabem, eu fui para a China, e as receitas de Sichuan vão ganhar um post exclusivo e deliciosamente dormente.

Na mesma lógica de nostalgia com surpresa, aparece o doce de pimenta-limão com Tajín. A mistura mexicana de pimentas, limão e sal está sendo aplicada a frutas, doces e lanches, criando um perfil que junta picante, acidez e doçura.

O insight aponta algo importante: consumidores latino-americanos cresceram com Tajín em frutas e snacks, mas nem sempre encontram esse sabor em mercados e restaurantes locais.

Produtos que oferecem ingredientes culturalmente ressonantes em formatos acessíveis conseguem preencher esse desejo e se destacar em mercados saturados. Exemplos: Sorvete Tajín Lime; Chaotic Sweetz com Skittles remixados; Snak Club com ursinhos de goma Tajín; e Voodoo Doughnut com rosquinha Mango Tajíngo.

E, para fechar a trilogia do “por que não?”, vem o pão doce . Marcas de QSR trocando o pão tradicional por pães doces estilo sobremesa, feitos com massas ou recheios inspirados em doces.

A promessa é um contraste novo, onde o doce do pão conversa com o salgado do hambúrguer. O insight diz que o consumidor quer novidade e nem sempre encontra isso em menus convencionais; redes abraçam conceitos incomuns para atrair curiosos. Exemplos: Burger King Equador com Donut Burger; The WORKS Craft Burgers & Beer com hambúrguer S’mores; Walk-On’s Sports Bistreaux com sliders Beignet; e Hello Harry com hambúrgueres e sobremesas em estilo americano.

O último eixo une colaborações e experiências, que é a forma moderna de dizer que as marcas querem virar assunto e reduzir o risco da escolha. A tendência do refrigerante colaborativo mostra marcas populares se unindo a restaurantes, CPG e bebidas para criar produtos co-branded.

O insight explica que, diante de tantas opções, muita gente se mantém fiel ao que já conhece, por falta de tempo, medo de errar ou preferência pela escolha segura.

Colaborações emprestam credibilidade de duas marcas ao mesmo produto, facilitando a experimentação. Exemplos: Oreo e Coca-Cola com biscoitos co-branded com sabor de refrigerante; The Candy Shop Cocoa com misturas inspiradas em Hershey; Captain Morgan Original Spiced Gold misturado com Pepsi Max em bebidas de rum enlatadas; e IHOP reintroduzindo seu xarope de bordo Pepsi nos restaurantes.

Na mesma linha, surge o menu de influenciador. Restaurantes fazem parceria com chefs virais e criadores gastronômicos para criar menus com apelo jovem, inspirados em receitas populares de vídeo curto e adaptados para ganhar identidade própria.

O insight mostra como algoritmos aceleraram a cultura gastronômica, onde receitas únicas ganham alcance mundial em ritmo alto, e chefs profissionais e amadores usam esse palco para viralizar.

Restaurantes transformam o hype em produto. Exemplos destacados: Alpro com um chef treinado Michelin em refeições vegetais; Smoothie King Sleepy Girlzzz (também presente no bloco de bebidas antiestresse, por ser inspirado em mocktail viral); Amorette’s Patisserie com híbrido de croissant e massa de biscoito; Chipotle com hack de menu de burrito de queijo grelhado em parceria com criador do TikTok; e Panera Roman Empire Menu seguindo uma hashtag viral.

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