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Aprendiz de cozinheira

Thamires Abreu empreende na gastronomia com o hamburger do Coringa do Beco

Da advocacia ao comando de uma hamburgueria que nasceu do improviso e virou referência em São Paulo

Aprendiz de Cozinheira|Aline SordiliOpens in new window

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Thamires Abreu, sócia do Coringa do Beco, na Vila Madalena
Thamires Abreu, sócia do Coringa do Beco, na Vila Madalena Divulgação

Empreender na gastronomia quase nunca começa com um plano perfeito. Na maioria das vezes, vem de uma necessidade concreta, um cenário que muda de repente e exige resposta rápida. Foi assim também com Thamires Abreu, sócia do Coringa do Beco, uma hamburgueria que hoje faz parte do mapa afetivo da Vila Madalena, em São Paulo.

Formada em Direito, Thamires construiu uma carreira sólida como advogada, atuando na área de franquias e atendendo grandes clientes. A cozinha profissional não fazia parte do roteiro original. A virada aconteceu em 2020, no auge da pandemia, quando o escritório fechou e uma pergunta prática se impôs: como manter um imóvel que já existia, um espaço que antes funcionava de forma despretensiosa como bar de fim de semana entre amigos?


A resposta não veio de um sonho antigo, mas de algo que já fazia parte da vida do casal. Hambúrguer. Pesquisa. Testes. Curiosidade por produto. E uma decisão pragmática: transformar o que era prazer em uma fonte de renda, começando pequeno, no delivery, sem grandes promessas. “Eu sempre tive vontade de empreender, mas foi naquele momento que eu vi uma grande oportunidade”, afirma Thamires.

O Coringa do Beco nasceu assim. Um projeto enxuto, criado em parceria com outros amigos, focado em qualidade e divulgado quase exclusivamente pelo Instagram e pelo boca a boca. Influenciadores de gastronomia começaram a receber os lanches, gostaram, indicaram. Amigos pediram, recomendaram. O crescimento veio rápido, mas não foi automático nem simples.


Nesse período, Thamires ainda conciliava a advocacia com o novo negócio. Até perceber que havia ali algo maior, que pedia presença integral. Em plena pandemia, ela tomou uma decisão difícil e pouco confortável: deixou uma carreira estável para apostar em um projeto ainda em formação. Não por impulso, mas por leitura clara de potencial.

Quando as restrições começaram a cair, em 2021, veio a abertura do salão físico no Beco do Batman. Um movimento que costuma acontecer no sentido inverso, mas que, no caso do Coringa, fez todo sentido. Clientes que já conheciam o hambúrguer no delivery queriam viver a experiência completa. Conhecer o espaço, a escada colorida, o clima do bairro, a identidade da casa.


A resposta foi imediata. Comer ali era diferente. O produto ganhava outra camada quando servido na hora, no ambiente pensado para ele. E, junto com essa satisfação, veio também a consciência de que abrir um restaurante é muito mais do que vender comida.

Gestão de estoque, margem, fornecedores, marketing, atendimento, operação diária. Tudo acontece ao mesmo tempo. Todos os dias. Para Thamires, o maior desafio sempre foi gente. Encontrar pessoas interessadas, dispostas a aprender, a crescer junto. Em um setor marcado pela alta rotatividade, formar equipe virou estratégia central. “Tem gente que marca entrevista e nem aparece. É difícil encontrar pessoas verdadeiramente interessadas, por isso preferimos formar a equipe”, conta ela.


O caminho foi apostar menos em experiência prévia e mais em interesse real. Treinar do zero, criar processos, formar líderes internos. Com o tempo, a operação ganhou estabilidade e autonomia.

Desde o início, uma decisão nunca foi negociável: não abrir mão da qualidade para reduzir custos. O Coringa do Beco trabalha com blend feito de fraldinha, cupim e gordura de angus. O bacon é de um fornecedor artesanal, o cheddar é inglês. Todos os parceiros são escolhidos com cuidado. Mesmo quando o custo aperta, a identidade vem primeiro. Reclamações de preço existem, mas o posicionamento é claro. Não é só um hambúrguer. É tudo o que existe por trás dele. “Não é só vender hambúrguer. Tem um trabalho gigantesco por trás”, conta Thamires.

À frente da cozinha está o chef Federico Paduan, sócio, marido e parceiro de Thamires no negócio. Com passagens pelo Maní e pelo La Tambouille, Federico imprime uma assinatura precisa e equilibrada às receitas.

Entre os favoritos do público estão o Bacon Burger (R$ 43), o Beco Smash (R$ 25) e o Tartufo Burger (R$ 46). Nos acompanhamentos, o Brócolis Tostado (R$ 24) virou um clássico improvável, ao lado do Arancini recheado com queijo prato (R$ 33) e do Croquete de Bacon (R$ 32).

A carta de drinques segue o mesmo espírito autoral, com combinações criativas como o Two Face e o Limoncello Fizz (R$ 38), reforçando que o Coringa é mais do que uma hamburgueria. É experiência.

Ao longo da trajetória, Thamires precisou lidar com situações comuns a mulheres no empreendedorismo gastronômico. Fornecedores que falam apenas com o sócio homem. Reuniões técnicas em que sua presença é ignorada. Obras em que sua opinião não é considerada. A resposta nunca foi confronto vazio, e sim domínio do negócio. Conhecimento, posicionamento e constância. Com o tempo, a dinâmica muda. “O Fred é um grande parceiro. Ele dá espaço e temos as tarefas bem divididas”, conta ela.

Hoje, o Coringa do Beco conta com duas unidades: a matriz em São Paulo e uma segunda casa em São Luís, no Maranhão, sob comando dos mesmos sócios, Federico Paduan e Thamires Abreu. Ambas são pet friendly e carregam a mesma identidade.

A casa também passou a abrir para o almoço durante a semana, ampliando o serviço e dialogando com um público que busca boa comida fora do horário noturno. O delivery segue como frente estratégica, com planos de crescimento e novos formatos.

O objetivo de Thamires sempre foi claro: estruturar o negócio para que ele funcione sem depender da presença constante dos fundadores. Criar processos, formar líderes, ganhar fôlego. Isso permitiu, inclusive, que ela retomasse a advocacia de forma mais leve, conciliando diferentes frentes com menos pressão.

Quando fala com outras mulheres que desejam empreender, o conselho é simples e honesto: dar o primeiro passo. Mesmo pequeno. Mesmo imperfeito. O processo é duro, muitas vezes doloroso, mas profundamente gratificante quando se reconhece o que foi construído.

A história de Thamires Abreu não é sobre glamour. É sobre leitura de cenário, decisões difíceis, trabalho diário e identidade clara. E talvez seja exatamente por isso que o Coringa do Beco funciona tão bem. Porque nasceu da vida real.

Coringa do Beco

Rua Harmonia, 68A – Vila Madalena (Beco do Batman)

Horário: terça a quinta, das 12h às 22h; sexta e sábado, até 23h; domingo, até 22h

Instagram: @coringa_do_beco

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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