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Conheça o casal que conquistou o Japão com o café brasileiro

Nossa Dose de Cafeína deste domingo é com um casal de brasileiros que cruzou o mundo movido por um propósito e pelo café

Dose de Cafeína|Lilian TrigoloOpens in new window

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A história de Carolina e Anderson: do Brasil ao Japão, construindo conexões especiais no mundo dos cafés Divulgação/Arquivo pessoal

Carolina Shizue Hoshino Neta, de Belém do Pará, é formada em Engenharia Ambiental (UEPA), Engenharia de Segurança do Trabalho (USP) e possui mestrado em Planejamento de Sistemas Energéticos (Unicamp).

Ao seu lado, Anderson Kazuyuki Kagawa, de Jundiaí (SP), é formado em Administração com foco em Marketing (PUC-SP). A relação com o café começou de formas bem diferentes para cada um.


Carolina nos conta que só passou a consumir café após os 25 anos, já que seus pais não permitiam o hábito na infância. Como já tomava chá sem açúcar, naturalmente passou a beber café da mesma maneira, mas na época utilizava café tradicional, café comum no dia a dia.

Anderson, por outro lado, cresceu cercado pelo aroma do café nas reuniões familiares na casa das avós. Para ele, café sempre foi sinônimo de memória afetiva.


Hoje, o casal vive no Japão, onde desenvolve um trabalho consistente conectando cafés brasileiros ao mercado japonês, atuando em projetos ligados à torrefação e à comunicação.

A história ganhou um novo rumo em 2018, quando estavam com o casamento marcado e planejavam a mudança para o Japão, país onde se conheceram em 2013, durante um programa de trainee.


Foi nesse momento que decidiram dar um passo ousado: deixar suas carreiras no Brasil e recomeçar do outro lado do mundo com o objetivo de abrir uma cafeteria.

Mas sabiam que, antes disso, precisavam estudar sobre a bebida. O primeiro curso veio de forma despretensiosa e foi o suficiente para mudar tudo. Ali, descobriram o universo dos cafés especiais. E se encantaram.


Em poucos meses, já estavam explorando diferentes produtores, construindo repertório e se aprofundando cada vez mais. Vieram então os cursos de barista com a mestra Cecília Sanada e de torra com o mestre Luciano Salomão.

Nesse caminho, conheceram também Marcos Kim, amigo e mentor que teve papel fundamental nessa trajetória.

Foram dois anos de preparação intensa com um objetivo claro: abrir uma cafeteria no Japão. Mas, em março de 2020, já instalados no país, o cenário mudou completamente.

A pandemia tornou inviável abrir um negócio naquele momento. Cafeterias fechavam, o mercado estava parado, e foi necessário recalcular a rota. Frustração? Sim. Desistência? Não.

Ao invés disso, Carolina e Anderson mergulharam ainda mais fundo: estudaram o mercado japonês, construíram networking e começaram a enxergar novas possibilidades.

Foi um período desafiador, que exigiu foco, resiliência e adaptação. Mas também foi o que abriu caminho para algo maior. Eles perceberam que poderiam empreender com café para além de uma cafeteria.

Assim surgiu a oportunidade de trabalharem com a Eldorado Japan, com apoio de Marcos Kim e de Jean Faleiros. Hoje, trabalham com cafés da Eldorado Specialty Coffees, atendendo o mercado em todo o Japão, de Hokkaido a Okinawa.

Além do café verde, também fundaram a Mame, uma empresa de estratégia e comunicação voltada ao mercado cafeeiro, e desenvolvem uma marca própria de café torrado.

O caminho, claro, não foi simples. Idioma e adaptação cultural foram desafios importantes no início. Isso sem contar o nível de exigência do mercado japonês, conhecido pela busca constante por qualidade, consistência e atenção extrema aos detalhes.

Construir credibilidade como brasileiros em um mercado estrangeiro também exigiu tempo e dedicação. Mas os resultados começaram a aparecer.

Um dos momentos mais marcantes para o casal é visitar feiras como a SCAJ e ver torrefações comercializando cafés com os quais trabalham, um reconhecimento concreto de toda a trajetória construída.

No Japão, o café brasileiro é visto como uma origem confiável e consistente, tradicionalmente associado a perfis clássicos com notas de chocolate, castanhas, baixa acidez e corpo elevado.

Mas há espaço para evolução. Cafés com processos diferenciados, como fermentações controladas e perfis mais frutados, vêm ganhando espaço, acompanhando um consumidor cada vez mais aberto a novas experiências.

O mercado japonês impressiona pelo nível técnico, pelo respeito ao processo e pela busca constante pela perfeição. E, nessa troca, há aprendizados dos dois lados. O Brasil pode aprender com o Japão sobre consistência e precisão. Já o Japão pode se inspirar na conexão com a origem e na valorização do produtor.

O futuro aponta para inovação, sustentabilidade e experiências sensoriais cada vez mais complexas.

No fim, a história de Carolina e Anderson vai além do café. É sobre coragem para recomeçar, adaptação diante do inesperado e construção de pontes entre culturas.

Como costumo dizer, uma xícara de café carrega muito mais do que sabor; carrega junto uma história inteira.

Até a próxima Dose de Cafeína!

Excelente semana a todos!

Instagram: @carolinahoshino @andersondi

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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