Cine Odeon, ícone do Rio, completa 100 anos de pura exibição
O Odeon contribuiu para marcar o nome Cinelândia na história da cidade

“O Rio conta com mais um cinema — o mais belo de todos quantos se têm levantado para o gozo da população carioca nos terrenos da Ajuda.”
Foi assim que o jornal Gazeta de Notícias retratou o primeiro dia de funcionamento de um dos ícones cariocas que acaba de completar 100 anos. Estou falando do Cine Odeon. Inaugurado no dia 3 de abril de 1926 na Praça Floriano, um dos locais mais movimentados e prestigiados da cidade durante a Belle Époque.
A inauguração foi um espetáculo à parte, com apresentações musicais de ópera, jazz e show de dança. Tudo seguia o enredo do primeiro filme exibido pelo Odeon: Amor de Príncipe, em que a protagonista era uma das grandes estrelas do cinema na década de 1920, Norma Talmadge. Lembro que, nesse tempo, os filmes ainda eram mudos.
O Odeon contribuiu para marcar o nome Cinelândia na história do Rio. A região no entorno da Praça Floriano ganhou esta alcunha popular para a região, pois era cercada de cinemas.

Em estilo neoclássico, o lustre e outros detalhes do teto são exemplos que não se encontram mais na cidade. Infelizmente o Rio perdeu os principais cinemas de rua e agora as telonas se entocam no interior dos shoppings.
Fui várias vezes ao Odeon. Antes da exibição de cada filme, uma grande cortina se abria, igual a um teatro. Um verdadeiro espetáculo.

Talvez você se recorde de uma música chamada Odeon, um tango brasileiro composto por Ernesto Nazareth, em 1909, mas infelizmente não era em referência à sala de cinema que estamos homenageando.
Nazareth tocava piano na sala de espera do antigo Odeon, localizado na Avenida Rio Branco com a Rua 7 de Setembro. Ambos os locais (o velho e o novo Odeon) eram administrados por Francisco Serrador, um dos mais importantes empresários do ramo do entretenimento, durante as primeiras décadas do século 20.
Hoje, o Cine Odeon é o Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro e funciona como sala de cinema. O espaço também pode receber pré-estreias, festivais, cursos e workshops.
É o caso do Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul, que acontece até o dia 17 de abril. Fica aqui uma dica de amigo, vai lá. Compre a sua pipoquinha, escolha o filme e vá assistir nesse local centenário. Recomendo o segundo andar e deixe a magia acontecer.
Dica de livro: Palácios e Poeiras – 100 anos de Cinemas no Rio de Janeiro, de Alice Gonzaga
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