Palácio Tiradentes completa 100 anos e reúne história e curiosidades no coração do Rio
Inaugurado em 1926, o edifício foi palco de decisões marcantes do país e hoje segue como espaço cultural e institucional
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Vamos voltar no tempo. Dia 6 de maio de 1926, nessa época, a República Velha vivia seus últimos momentos de luxo e ostentação. Com toda a pompa, o Palácio Tiradentes era inaugurado.
Archimedes Memória e Francisco Couchet eram os idealizadores do projeto. Chamava a atenção a bela cúpula com vitrais, os salões temáticos e as gigantescas colunas. Toda a estrutura era de concreto e tijolo.
Na fachada, lá no alto, estavam em cada canto, D. Pedro I e Marechal Deodoro da Fonseca, os homens que lideraram a independência do Brasil e a República. Os dois a cavalo e trajando vestimentas romanas. Um gosto um tanto duvidoso, beira o ridículo.
No suntuoso plenário, os olhos fixam-se para o alto, acima da mesa diretora. Vemos o quadro “Assinatura da Constituição de 1891”, uma pintura a óleo de Eliseu Visconti.
O Palácio Tiradentes foi testemunha da história política do Brasil e foi sede de diferentes instituições. Por ali passaram homens e mulheres que comandaram o país.
Para você ter uma ideia, de 1926 até 1937, ali funcionou a Câmara dos Deputados; a partir de 1937, foi a sede do Ministério da Justiça e do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgãos de controle do Estado Novo, a ditadura de Getúlio Vargas.

De 1945 a 1960, voltou a ser a Câmara dos Deputados, porém, quando a capital do país foi transferida para Brasília, daí virou a sede da Assembleia Legislativa do Estado da Guanabara (Aleg) e, finalmente, desde 1975, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
No período em que foi a Câmara dos Deputados, foi palco da posse de vários presidentes da República, de Washington Luís, passando por Getúlio Vargas até chegar em Juscelino Kubitschek.
Curiosidades
O Palácio Tiradentes já foi cenário de um assassinato em 1929; o deputado pernambucano Manoel de Souza Filho foi morto a tiros pelo colega gaúcho Ildefonso Simões Lopes na escadaria.
Em 1968, concentrou-se no mesmo lugar a “Passeata dos 100 mil”, movimento contra a ditadura militar; em 2013, os protestos eram contra o aumento das passagens de ônibus e um enorme quebra-quebra.
Nos velhos salões, funcionários já viram e ouviram fantasmas, vultos e barulhos estranhos. Será verdade?
Historiadores discutem se os 17 postes de bronze que circundam o palácio teriam símbolos do fascismo, como o feixe de madeira, envolvendo uma machadinha, com uma águia no topo. Na época em que o prédio foi inaugurado, Benito Mussolini já estava no poder na Itália. O mistério continua...
O Palácio já teve barbearia, vestiário, garagem e restaurante.
Cadeia velha
O Palácio Tiradentes foi construído no mesmo local onde estava a Cadeia Velha. Em seu cárcere, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, viveu seus últimos dias, antes do enforcamento, em 1792.
Durante o Império, tornou-se a Câmara dos Deputados e assim permaneceu até o período republicano; porém, os parlamentares reclamavam com frequência da estrutura do prédio, muito aquém das necessidades dos nobres homens que transitavam por ali. Considerado obsoleto e caindo aos pedaços, acabou demolido em 1922.
O palácio hoje
Atualmente, o plenário da Alerj e os escritórios dos deputados estaduais estão em um prédio na Rua da Ajuda, sede do antigo Banerj (Banco do Estado do Rio de Janeiro).
Apesar de ser um senhor centenário, o histórico Palácio Tiradentes é multiuso: palco de grandes solenidades da Assembleia, como a posse do governador e dos deputados; exposições; visitas guiadas e até cenários de filmes como Getúlio (2014) e Tropa de Elite 2 (2010).
Festa do centenário

A programação tem início na terça-feira (5), com um novo roteiro na visita guiada diária, focado em arquitetura e artes. O percurso convida o visitante a explorar o Palácio Tiradentes a partir de seu simbolismo e elementos como esculturas, pinturas, alegorias e materiais que revelam narrativas históricas e referências artísticas que compõem a identidade republicana.
Na quarta-feira (6), data em que o edifício completa 100 anos, será lançado um selo comemorativo em parceria com os Correios, além de um carimbo especial alusivo à ocasião. Haverá a entrega da Medalha do Centenário, uma honraria para aqueles que fazem parte desta história e contribuem para o fortalecimento do Parlamento.
A programação também apresenta visitas guiadas teatralizadas para o público durante todo o 6 de maio, com sessões de hora em hora a partir das 10h. Será possível conhecer mais sobre os fatos que marcaram estes 100 anos e interagir com atores que dão vida a personagens históricos.
No dia 07 de maio, quinta-feira, será a vez da exibição do episódio inédito do documentário Memórias do Parlamento – especial 100 anos, realizado pela TV ALERJ.
E, no dia 08, sexta-feira, os funcionários que trabalham na casa receberão uma homenagem especial, junto a uma visita guiada comemorativa, que apresenta um pouco das funções de quem faz o Palácio Tiradentes estar em pleno funcionamento todos dias.
Durante toda a semana cultural os visitantes ainda poderão visitar a exposição Baixada Fluminense: A Arte no Palácio, que reúne obras visuais de representantes de diversos municípios, com o objetivo de dar visibilidade à diversidade da região. Em cartaz até o dia 27 de maio.
Funcionamento do Palácio Tiradentes
De segunda a sexta-feira, das 10h às 17h.
Sendo às 16h20 o último horário para o acesso à Visita Guiada.
Tel.: (21) 2588-1251
Rua Primeiro de Março, s/n.º Praça XV. Centro – RJ
O acesso para cadeirantes é pela Rua Dom Manuel, s/nº, atrás do palácio. Entrada Franca.
Dica de livros: Palácio Tiradentes: Arte e Política no Brasil Republicano, do historiador Douglas Liborio.
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