Canetas emagrecedoras e pedra na vesícula: qual é a relação?
O uso de medicamentos injetáveis para emagrecer pode acelerar a perda de peso e aumentar o risco de cálculos biliares
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O uso das chamadas “canetas emagrecedoras” nunca esteve tão em alta. Muita gente tem perdido peso rapidamente — muitas vezes sem acompanhamento médico — e comemorado os resultados na balança. Mas, com essa perda acelerada, cresce também uma preocupação: o aumento dos casos de pedra na vesícula.
Eu mesma, após quase um ano de bariátrica, não desenvolvi cálculos. No meu primeiro exame apareceram microcálculos, que acabaram sendo absorvidos pelo corpo. Já minha irmã, que está usando caneta emagrecedora, acabou de descobrir que está com diversas pedras na vesícula. E agora?
Para esclarecer essa relação, conversei com o cirurgião do aparelho digestivo Dr. Flávio Kawamoto, do Hospital Moriah.

Segundo o médico, existe, sim, uma relação direta entre emagrecimento rápido e formação de cálculos biliares. “Quando você emagrece rápido, o fígado secreta mais colesterol na bile, formando mais cristais. Além disso, o emagrecimento rápido diminui a função da vesícula, que passa a esvaziar menos. Com isso, a bile fica mais concentrada e pode formar pedras.”
Ou seja: o problema não é apenas perder peso — é perder peso rápido demais.
Durante o emagrecimento acelerado, o colesterol armazenado no fígado e no corpo é mobilizado em maior quantidade. Isso aumenta a concentração de colesterol na bile, favorecendo a cristalização.
Ao mesmo tempo, quando a pessoa faz dieta muito restritiva ou reduz muito a ingestão alimentar, a vesícula “trabalha menos”, esvazia menos e concentra ainda mais essa bile. A combinação perfeita para a formação de cálculos.
Na cirurgia bariátrica, isso também acontece. O Dr. Flávio explica que, principalmente entre o terceiro e o sexto mês de pós-operatório — fase em que a perda de peso costuma ser mais intensa —, há um aumento na incidência de pedras na vesícula justamente por causa dessa perda rápida.
E as canetas? De acordo com ele, as evidências científicas mostram uma tendência ao aumento de casos de cálculos biliares em pessoas que usam essas medicações.
Mas é importante entender: “A medicação não causa pedra na vesícula diretamente. O que pode gerar os cálculos são as mudanças metabólicas e a perda de peso rápida associadas ao uso das canetas.”
Ou seja, o risco está muito mais ligado à velocidade do emagrecimento do que ao tipo de medicamento em si.
Outro ponto importante é saber reconhecer os sintomas. Náusea e sensação de empachamento podem aparecer tanto como efeito das medicações quanto como sinal de cálculo biliar, o que pode confundir.
Mas existe um sintoma clássico: dor em cólica, geralmente debaixo da costela do lado direito, que surge de 10 a 15 minutos após as refeições. Nesses casos, é fundamental investigar com ultrassom de abdômen.
Dá para prevenir?
O ideal, segundo o especialista, é evitar perdas de peso muito abruptas. Manter boa hidratação ajuda. Curiosamente, não zerar completamente a gordura da alimentação também pode ser uma estratégia, já que a ingestão de gordura estimula o funcionamento da vesícula e evita que a bile fique parada e concentrada.
Existe ainda o ácido ursodesoxicólico, medicação utilizada em algumas doenças hepáticas, que pode reduzir a concentração da bile e ajudar na prevenção de cálculos. No entanto, não há consenso absoluto sobre seu uso preventivo em todos os pacientes em processo de emagrecimento rápido.
E quem já tem pedra na vesícula, pode usar caneta?
Não há contraindicação absoluta, mas é preciso atenção redobrada. O risco é que surjam sintomas e que seja necessário antecipar a cirurgia de retirada da vesícula.
Aliás, quando operar?
De forma geral, a presença de pedras na vesícula costuma ser indicação de cirurgia, mesmo em pacientes sem sintomas, para evitar complicações como a migração do cálculo para os ductos biliares (coledocolitíase) ou inflamações mais graves.
No fim das contas, a mensagem é clara: obesidade é doença — e tratamento precisa ser feito com responsabilidade. Emagrecer é importante, mas emagrecer com acompanhamento é fundamental. Porque, como vemos, o corpo sente — e muito — quando a mudança é rápida demais.
E você? Está acompanhando sua perda de peso com exames e orientação médica? No tratamento da obesidade, pressa pode ter um preço.
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