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Menopausa, climatério e obesidade: como as mudanças hormonais impactam o peso da mulher

Entenda por que a queda hormonal favorece o ganho de peso, altera o metabolismo e influencia a saúde feminina a partir dos 40 anos

Obesidade sem Tabu|Mariana VerdelhoOpens in new window

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A queda do estrogênio no climatério influencia o ganho de peso e o acúmulo de gordura abdominal Inteligência artificial/ChatGPT

Talvez pelo fato de ter 41 anos, cada vez mais tenho lido e ouvido falar sobre o climatério e a menopausa. Ora minhas amigas e irmãs comentam sobre o tema, ora vejo a apresentadora Adriane Galisteu praticamente dando uma aula sobre o assunto, seja nas redes sociais ou no Domingo Espetacular, da RECORD. Aliás, é um conteúdo que realmente vale a pena conferir.

Lembro que, há cerca de um ano, quando passei por uma consulta com o pneumologista para pegar a carta que me liberaria para a cirurgia bariátrica, ele me disse algo que ficou marcado. Segundo ele, eu estava tomando uma ótima decisão, principalmente por já estar mais próxima da menopausa. Naquele momento, explicou que a obesidade associada a essa fase da vida poderia agravar ainda mais a minha asma.

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Foi ali que entendi que não se tratava apenas de emagrecer, mas de prevenção e qualidade de vida a longo prazo.

Para falar sobre como a obesidade pode potencializar os sintomas da menopausa — e como o corpo da mulher muda nesse período — conversei com o nutrólogo Dr. Renato Lobo. E, de fato, perder peso antes dessa fase faz diferença.

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Nutrólogo Renato Lobo explica a relação entre menopausa, resistência à insulina e obesidade ARQUIVO PESSOAL

Segundo o médico, durante a menopausa os ovários passam a produzir cada vez menos estrogênio e progesterona, dois hormônios fundamentais para o equilíbrio do organismo feminino.

“Com a queda desses hormônios, o organismo passa a lidar com a gordura de forma diferente”, explica. O resultado costuma ser um maior acúmulo de gordura na região abdominal, mais facilidade para ganhar peso e, ao mesmo tempo, uma dificuldade maior para eliminar os quilos extras.

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Essa mudança também ajuda a entender por que a gordura corporal tende a “mudar de lugar” nessa fase da vida.

“A função do estrogênio é moldar o corpo da mulher, e isso inclui a distribuição da gordura”, afirma o Dr. Renato. Enquanto o hormônio está presente em níveis adequados, é comum que mulheres mais jovens acumulem gordura na região do quadril e das coxas. Quando sua produção diminui, essa distribuição se altera, e o acúmulo passa a ocorrer principalmente no abdômen.

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Outro fator que pesa bastante durante a menopausa é a redução do metabolismo basal. O especialista explica que não ocorre apenas a queda do estradiol e da progesterona.

“Há também a diminuição da testosterona, que a mulher produz em níveis femininos, e da DHEA, um hormônio precursor de outros hormônios importantes”, destaca. Esses hormônios estão diretamente ligados ao gasto energético e ao metabolismo. Com a redução deles durante a perimenopausa e a menopausa, o metabolismo desacelera e a disposição tende a cair, especialmente quando não há reposição indicada.

Do ponto de vista nutricional, manter um peso adequado para a altura e um percentual de gordura dentro da normalidade pode ajudar inclusive a reduzir a intensidade e a frequência dos sintomas da menopausa.

“O ideal é que a mulher chegue a essa fase com um peso considerado saudável, justamente para diminuir os incômodos que surgem nesse período”, orienta o médico. Ainda assim, ele reforça que as necessidades nutricionais e hormonais são individuais e que ajustes podem ser necessários, tornando o acompanhamento profissional indispensável.

Existe também uma relação direta entre menopausa, resistência à insulina e obesidade.

“A diminuição dos níveis de estrogênio tem um efeito direto no metabolismo das gorduras, reduzindo o gasto energético e a queima de gordura”, explica Dr. Renato.Além disso, níveis baixos desse hormônio aumentam o risco de resistência à insulina, forçando o pâncreas a produzir cada vez mais desse hormônio, o que pode levar à falha progressiva do órgão e aumentar o risco de diabetes tipo 2.

Para mulheres com bariátricas, como eu, o cuidado precisa ser ainda maior. A menopausa pode atrapalhar o resultado da bariátrica, porque a queda hormonal somada ao estado de desnutrição induzido pela cirurgia pode levar à perda de massa magra.

“Essa perda é chamada de sarcopenia e é um problema relevante, já que a massa magra está diretamente associada à longevidade, força e qualidade de vida”, explica. Na pós-menopausa, essa redução tende a ser ainda mais acentuada.

Entre os cuidados nutricionais, o aumento do consumo de proteínas é fundamental.

“Em muitos casos, utilizamos até dois gramas de proteína por quilo de massa corporal, sempre com cálculo individualizado”, explica o Dr. Renato. Ele também reforça a importância do consumo adequado de vegetais, frutas e legumes, fontes de compostos antioxidantes e micronutrientes que ajudam a suavizar os sintomas da menopausa.

Outro ponto de atenção é a saúde óssea.

“A menopausa acelera a perda de densidade óssea, aumentando o risco de osteoporose”, afirma. Após a bariátrica, torna-se essencial monitorar essa condição, suplementar cálcio e vitamina D quando indicado e manter atividades como caminhadas e exercícios de força leves.

Para preservar a massa magra, o treino de força é indispensável.

“A musculação, pelo menos três vezes por semana, é fundamental para manter a massa magra e preservar a longevidade”, reforça o médico. Além disso, a ingestão adequada de proteínas e a suplementação — quando bem indicada — fazem parte da estratégia. Um exemplo é a creatina, que pode trazer bons resultados quando utilizada com orientação profissional.

Por fim, quando há indicação médica, a reposição hormonal pode ser uma grande aliada.

“Especialmente em mulheres bariátricas, a reposição hormonal pode ajudar a preservar a massa magra, melhorar a disposição e a qualidade de vida”, conclui o Dr. Renato.

Hoje eu ainda não sinto os sintomas do climatério, mas isso não significa que ele não esteja no meu horizonte. Pelo contrário: me preparar para essa fase passou a ser uma escolha. Mudar a forma como me alimento, como me movimento e como cuido do meu corpo faz parte de um processo que vem sendo construído com informação, escuta e respeito aos meus limites.

Se a expectativa de vida só aumenta, é inevitável reconhecer que podemos passar quase metade dela no climatério. E isso muda tudo. Não faz sentido adiar cuidados ou tratar essa fase como algo distante. Pensar no futuro, para mim, é um ato de responsabilidade com a mulher que estou me tornando — e com a vida que ainda quero viver com saúde, autonomia e qualidade.

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