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Seis em cada dez pessoas com hipertensão estão acima do peso; entenda por quê

Mais do que um fator de risco, a obesidade provoca alterações hormonais, inflamatórias e metabólicas

Obesidade sem Tabu|Mariana VerdelhoOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Cerca de 60% das pessoas com hipertensão estão acima do peso, com IMC superior a 25 kg/m².
  • A obesidade está ligada a mecanismos hormonais e inflamatórios que elevam a pressão arterial.
  • Gordura visceral e apneia do sono em obesos contribuem para hipertensão de difícil controle.
  • Tratar a obesidade é crucial para reduzir riscos cardiovasculares e prevenir complicações graves.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A obesidade aumenta de três a seis vezes o risco de desenvolver hipertensão Imagem gerada por IA/Chat GPT

Quando uma pessoa recebe o diagnóstico de hipertensão, a primeira orientação costuma ser reduzir o consumo de sal, praticar atividade física e controlar o estresse. Mas existe outro fator que merece tanta atenção quanto esses: a obesidade.

Segundo o cardiologista Evandro Cesarino, diretor da AREPAH (Associação Ribeirãopretana de Ensino, Pesquisa e Assistência ao Hipertenso), cerca de 60% das pessoas com hipertensão apresentam índice de massa corporal (IMC) acima de 25 kg/m², faixa considerada de sobrepeso.


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Além disso, pessoas com obesidade têm um risco de três a seis vezes maior de desenvolver pressão alta quando comparadas àquelas com peso adequado.

Os dados foram apresentados durante uma live promovida pelo Painel Brasileiro da Obesidade (PBO) e são baseados em evidências científicas sobre a relação entre obesidade e hipertensão.


Mais do que coexistirem com frequência, essas duas doenças compartilham mecanismos biológicos que ajudam a explicar por que a pressão arterial sobe à medida que o excesso de gordura corporal se instala.

A gordura corporal não é apenas uma reserva de energia

Durante muito tempo, a gordura corporal foi vista apenas como uma reserva de energia. Hoje, a ciência sabe que o tecido adiposo funciona como um órgão metabolicamente ativo, capaz de produzir hormônios e substâncias inflamatórias que afetam diversos sistemas do organismo — entre eles, o cardiovascular.


É justamente esse conjunto de alterações que ajuda a explicar por que pessoas com obesidade desenvolvem hipertensão com muito mais frequência.

Como a obesidade faz a pressão arterial subir?

Segundo Cesarino, existem diferentes mecanismos envolvidos nesse processo.


Um deles é a ativação de sistemas hormonais responsáveis pelo controle da pressão arterial. A obesidade aumenta a produção de leptina, hormônio que estimula o sistema nervoso simpático. Como consequência, há aumento da frequência cardíaca e maior contração dos vasos sanguíneos, favorecendo a elevação da pressão.

Ao mesmo tempo, ocorre maior ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, responsável pela retenção de sódio e água no organismo. O resultado é um aumento do volume de sangue circulante e, consequentemente, da pressão arterial.

Outro mecanismo importante envolve a gordura visceral — aquela que se acumula principalmente na região abdominal. Ela favorece a resistência à insulina e estimula a liberação de substâncias inflamatórias, como TNF-alfa e interleucina-6.

Essas substâncias provocam lesões na parede dos vasos sanguíneos, aumentam sua rigidez e comprometem seu funcionamento, dificultando ainda mais o controle da pressão.

A apneia do sono também entra nessa conta

A relação entre obesidade e hipertensão não termina aí. Pessoas com obesidade apresentam maior risco de desenvolver apneia obstrutiva do sono, condição caracterizada por interrupções repetidas da respiração durante a noite.

Segundo o cardiologista, essas pausas respiratórias provocam picos de pressão arterial enquanto a pessoa dorme e podem contribuir para quadros de hipertensão de difícil controle.

Ronco intenso, sonolência excessiva durante o dia e pressão alta resistente ao tratamento são sinais que merecem investigação médica.

Quando os fatores de risco se multiplicam

A hipertensão raramente aparece sozinha.

Ela costuma fazer parte da chamada síndrome metabólica, um conjunto de alterações que inclui obesidade abdominal, aumento da glicemia, alterações no colesterol e nos triglicerídeos.

Quando essas condições estão presentes ao mesmo tempo, o risco cardiovascular deixa de ser apenas somatório e passa a ser multiplicado.

Segundo Cesarino, a associação entre obesidade e hipertensão aumenta em cerca de três vezes o risco de doença arterial coronariana, quadruplica o risco de insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada e também eleva a probabilidade de acidente vascular cerebral (AVC), fibrilação atrial e doença renal crônica.

Tratar a obesidade também é proteger o coração

Nas últimas décadas, sociedades médicas nacionais e internacionais passaram a reconhecer a obesidade como uma doença crônica, progressiva e recorrente.

Essa mudança de entendimento também transformou a forma de enxergar a hipertensão.

Mais do que controlar apenas os números da pressão arterial, especialistas defendem que tratar a obesidade é uma das estratégias mais importantes para reduzir o risco cardiovascular e prevenir complicações como infarto, AVC, insuficiência cardíaca e doença renal.

Porque, muitas vezes, a pressão alta não começa apenas no saleiro. Ela começa muito antes, nas alterações hormonais, inflamatórias e metabólicas provocadas pelo excesso de gordura corporal.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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