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Depois que meu filho nasceu, emagrecer ficou mais difícil; a ciência explica o motivo

Estudo reforça a relação entre sono insuficiente e maior risco de obesidade

Obesidade sem Tabu|Mariana VerdelhoOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudo revela que sono insuficiente aumenta o risco de sobrepeso e obesidade.
  • A privação de sono altera hormônios que regulam fome e saciedade, como leptina e grelina.
  • O cansaço reduz a disposição para exercícios e aumenta o desejo por alimentos calóricos.
  • Priorizar o sono é crucial para o autocuidado e controle da obesidade, especialmente após a maternidade.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Privação de sono pode alterar hormônios ligados à fome e à saciedade Imagem gerada por IA/Chat GPT

Eu me tornei obesa antes de ser mãe. Convivi durante anos com o efeito sanfona, tentando emagrecer e acreditando que faltava força de vontade. Mas, depois que meu filho nasceu, percebi que havia um novo desafio no caminho: eu simplesmente não dormia. Quem já teve um bebê ou uma criança pequena em casa sabe do que estou falando.

Noites interrompidas, despertares frequentes, medo de que algo aconteça, sono leve, cansaço acumulado. Quando finalmente conseguia deitar, meu corpo descansava, mas a mente continuava alerta. Na época, eu não fazia ideia de que a privação de sono poderia influenciar diretamente o meu peso. Hoje, a ciência ajuda a explicar o que eu vivi na prática.


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Uma revisão publicada em 2026 na revista científica Clinical Obesity, da World Obesity Federation, reuniu os resultados de diversas meta-análises sobre sono e obesidade. Os pesquisadores concluíram que pessoas que dormem menos apresentam maior risco de desenvolver sobrepeso e obesidade.

Isso não significa que dormir pouco cause obesidade sozinho. A obesidade é uma doença complexa, crônica e multifatorial. Mas o sono é uma peça importante desse quebra-cabeça.


Quando dormimos menos do que precisamos, o organismo passa por uma série de alterações hormonais e metabólicas. A produção de leptina, hormônio relacionado à saciedade, diminui. Já os níveis de grelina, hormônio que aumenta a fome, tendem a subir.

Além disso, a privação de sono está associada ao aumento do desejo por alimentos mais calóricos, ricos em açúcar e gordura. O cansaço também reduz a disposição para a prática de atividade física e pode aumentar o estresse e a compulsão alimentar.


Segundo o Vigitel Brasil 2006-2024, levantamento do Ministério da Saúde que, pela primeira vez, investigou os hábitos de sono da população, 20,2% dos adultos brasileiros dormem menos de seis horas por noite. Além disso, 31,7% relatam pelo menos um sintoma de insônia. Entre as mulheres, esse percentual chega a 36,2%.

Embora o levantamento não tenha analisado especificamente mães e pais de crianças pequenas, quem vive essa rotina sabe que as noites interrompidas fazem parte do pacote.


E existe outro ponto importante: adultos devem dormir entre sete e nove horas por noite, segundo recomendações da National Sleep Foundation e da American Academy of Sleep Medicine. Na prática, porém, muitos pais passam meses — ou até anos — sem conseguir atingir esse objetivo.

Não é raro ouvir frases como: “Você precisa se cuidar mais”, “É só voltar para a academia” ou “Basta fechar a boca”. Mas quem está há meses sem uma noite de sono reparadora sabe que a realidade é muito mais complexa. Talvez você esteja fazendo o melhor que consegue com a energia que tem disponível.

Isso não significa desistir do autocuidado. Significa entender que, em alguns momentos da vida, priorizar o sono pode ser tão importante quanto planejar as refeições ou encontrar tempo para se exercitar.

Cuidar da obesidade não é apenas falar sobre alimentação e atividade física. Também é falar sobre saúde mental, carga de trabalho, apoio familiar, rotina e, sim, qualidade do sono.

Durante muito tempo, eu acreditei que precisava apenas comer menos e me exercitar mais. Hoje, entendo que, depois da maternidade, havia um fator que ninguém considerava: eu estava exausta.

Porque, às vezes, a dificuldade para emagrecer não começa no prato. Ela começa nas noites mal dormidas.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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